Por Dom Servilio Conti, I. M. C.
“Hoje a Igreja celebra a festa de Santa Cecília que foi uma das santas mais veneradas durante a Idade Média. O bispo Adelino, em seu livro A virgindade, diz que Cecília é a segunda, entre as virgens, depois de Nossa Senhora, porque ela guardou a virgindade, mesmo sendo desposada, e a sublimou com seu glorioso martírio. É, de fato, uma das poucas virgens que teve o privilégio de ter o próprio nome incluído no cânon da santa missa e é a santa que conta com o maior número de igrejas dedicadas a seu nome, em Roma. A história de seu martírio ficou registrada na Paixão de Santa Cecília. Embora alguns detalhes desta narrativa sejam frutos de elaboração poética, a substância do relato é reconhecida como verídica pela maior parte dos cultores da história da Igreja antiga”[1].
Pertencia Cecília à mais antiga nobreza romana, Gens Caecilia, famosa já no século V antes de Cristo, quando se conta de uma certa Caia Cecília que ficou na história como protótipo de fidelidade matrimonial, e sua estátua era venerada no Capitólio. Fala-se também de uma outra Cecília da qual escreveu Plutarco: “Tinha Cecília Metela, além de sua grande beleza, outros dotes para cativar os homens. Era discretamente entendida em letras, tocava muito bem a lira, estudou geografia e gostava de propor com talento e fruto questões filosóficas. Mas o principal é que não se viu nela frivolidade…”
Tal deve ter sido também a educação de Cecília e com muito maior razão por ser cristã.
As notícias relativas à história desta santa nos apresentam Cecília de nobre família, como virgem consagrada pelo voto de castidade a Cristo. Sem seu conhecimento, foi prometida pelos pais em casamento a um nobre jovem de nome Valeriano. No dia das núpcias Cecília cantava em seu coração o hino da pureza e declarou a Valeriano, ainda pagão, como ela pertencia totalmente a Deus e que um anjo guardava sua virgindade consagrada.
Valeriano respondeu que acreditaria se visse o anjo. Então Cecília o apresentou ao Papa Urbano para que o preparasse ao batismo. Deste encontro resultou a conversão de Valeriano que recebeu o batismo e pôde assim ver o anjo ao lado de Cecília. O anjo segurava nas mãos duas coroas de flores simbolizando o martírio que em breve devia glorificar Cecília e Valeriano.
Tibúrcio, irmão de Valeriano, quis igualmente receber o batismo. Pouco depois, acusados de cristãos ante o prefeito da cidade, negaram-se a receber o certificado de ter sacrificado aos deuses, mediante dinheiro. Foram então decapitados. Cinco meses depois, Cecília era condenada à morte por asfixia no quarto de banho superaquecido. Mas seu corpo foi encontrado ainda vivo. Um golpe de espada deu fim àquela santa existência. O Papa Urbano mandou recolher seu corpo e depositá-lo nas catacumbas de São Calisto bem perto da cripta dos Papas. Devia ter sido o ano 225. Mais tarde foi transportado para a basílica dedicada a Santa Cecília, construída sobre a antiga casa dos Cecílios, no Trastévere.
[1] Pe. Luís Palacín. Santos do atual calendário litúrgico. São Paulo, Ed. Loyola, 1982, p. 179.
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CONTI, D. Servilio. I. M. C. O Santo do dia. 7a. edição. Petrópolis: Editora Vozes, 1999, p. 519-522.
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Lindo!!!
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