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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 3

3) Também a Igreja e os sacramentos são dons do Sagrado Coração de Jesus

39. Não se pode, pois, duvidar de que, participando intimamente da vida do Verbo encarnado, e pelo mesmo motivo sendo, não menos do que os demais membros da sua natureza humana, como que instrumento conjunto da Divindade na realização das obras da graça e da onipotência divina[1], o Sagrado Coração de Jesus é também símbolo legítimo daquela imensa caridade que moveu o nosso Salvador a celebrar, com o derramamento do seu sangue, o seu místico matrimônio com a Igreja: “Sofreu a paixão por amor à Igreja que ele devia unir a si como esposa”[2]. Portanto, do coração ferido do Redentor nasceu a Igreja, verdadeira administradora do sangue da redenção, e do mesmo coração flui abundantemente a graça dos sacramentos, na qual os filhos da Igreja bebem a vida sobrenatural, como lemos na sagrada liturgia: “Do coração aberto nasce a Igreja desposada com Cristo... Tu, que do coração fazes manar a graça”[3]. A respeito desse símbolo, que nem mesmo dos antigos Padres, escritores e eclesiásticos foi desconhecido, o Doutor comum, fazendo-se eco deles, assim escreve: “Do lado de Cristo brotou água para lavar e sangue para redimir. Por isso, o sangue é próprio do sacramento da eucaristia; a água, do sacramento do batismo, o qual, entretanto, tem força para lavar em virtude do sangue de Cristo”[4]. O que aqui se afirma do lado de Cristo, ferido e aberto pelo soldado, cumpre aplicá-lo ao seu coração, ao qual, sem dúvida, chegou a lançada desfechada pelo soldado precisamente para que constasse de maneira certa a morte de Jesus Cristo. Por isso, durante o curso dos séculos, a ferida do coração sacratíssimo de Jesus, morto já para esta vida mortal, tem sido a imagem viva daquele amor espontâneo com que Deus entregou seu Unigênito pela redenção dos homens, e com o qual Cristo nos amou a todos tão ardentemente que a si mesmo se imolou como hóstia cruenta no Calvário: “Cristo amou-nos e ofereceu-se a Deus em oblação e hóstia de odor suavíssimo” (Ef 5,2).

Papa Pio XII. Encíclica Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.

[1] Cf. s. Tomás, Summa theol., III, q.19, a. l; ed. Leon., t. XI,1903, p. 329.
[2] Summa theol., Suppl., q. 42, a. l até 3; ed. Leon., t. XII,1906, p. 81.
[3] Hino das Vésp. da festa do sagrado coração de Jesus.
[4] Summa theol, III, q. 66, a. 3, ed. Leon., t. XII,1906, p. 65.

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