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segunda-feira, 30 de agosto de 2010

O Rosário, instrumento de salvação

4 comentários:
A Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano que, quando São Domingos pregou o Rosário, pecadores endurecidos foram tocados e choraram amargamente seus crimes, e até crianças fizeram penitências incríveis.

O fervor foi tão grande, por toda a parte onde ele pregava, que os pecadores mudaram de vida e edificaram todo o mundo por suas penitências.

Se vós sentis vossa consciência carregada de pecados, tomai o Rosário e rezai uma parte dele em honra de alguns dos mistérios da vida, da paixão ou da glória de Jesus Cristo.

Convencei-vos de que, enquanto estiverdes meditando e honrando esses mistérios, no céu Ele mostrará suas chagas sagradas ao Pai, tomará a vossa defesa e obterá a contrição e o perdão dos vossos pecados. Ele mesmo disse um dia ao Beato Alano: “Se esses míseros pecadores rezassem freqüentemente o Rosário, participariam dos méritos da minha paixão e Eu, como seu advogado, aplacaria a Justiça divina”.

Nossa vida é uma guerra e uma tentação contínuas, na qual não temos que combater inimigos de carne e de sangue, mas as próprias potências do inferno.

Armai-vos, pois, com a arma de Deus que é o santo Rosário. Esmagareis assim a cabeça do demônio e permanecereis inabaláveis diante de todas as suas tentações.

É por isso que o Rosário, ainda que considerado materialmente, é terrível ao demônio, e os Santos dele se serviram para expulsá-lo dos corpos de possessos, como testemunham muitas narrativas.

O Beato Alano atesta que livrou grande número de possessos colocando o Rosário em seu pescoço.

Santo Agostinho assegura que não há exercício mais frutuoso e mais útil para a salvação do que pensar freqüentemente nos sofrimentos de Nosso Senhor.

Santo Alberto Magno, mestre de São Tomás, soube por revelação que a simples lembrança ou meditação da paixão de Jesus Cristo é mais meritória ao cristão do que jejuar a pão e água todas as sextas-feiras de um ano inteiro, ou tomar a disciplina até o sangue todas as semanas, ou recitar todos os dias os cento e cinqüenta Salmos.

Ah! qual não será, em conseqüência, o mérito do Rosário que rememora toda a vida e paixão de Nosso Senhor?

A Virgem revelou ao Beato Alano que, depois do Santo Sacrifício da Missa, não há devoção mais excelente e mais meritória do que o Rosário, que é como que um segundo memorial e representação da vida e da paixão de Jesus Cristo.

O Padre Dorland conta que a Santíssima Virgem declarou ao venerável Domingos, cartuxo devoto do santo Rosário, que residia em Trèves no ano de 1481, que “todas as vezes que um fiel recita o Rosário com as meditações dos mistérios da vida e da paixão de Jesus Cristo em estado de graça, ele obtém plena e inteira remissão de todos os seus pecados”.

Ao Beato Alano, Ela disse: “Grande quantidade de indulgências foram concedidas ao meu Rosário, mas fica sabendo que Eu acrescentarei ainda muitas mais, aos que rezarem o terço em estado de graça, de joelhos e devotamente. E a quem nas mesmas condições perseverar nessa devoção, Eu lhe obterei no fim da vida, como recompensa por esse bom serviço, a plena remissão da pena e da culpa de todos os seus pecados”.

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MONTFORT, Luís Maria Grignion de. A eficácia maravilhosa do Santo Rosário. São Paulo: Artpress, 2000, p. 34-36.
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sábado, 28 de agosto de 2010

As origens do Rosário

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O santo Rosário, na forma como é rezado presentemente, foi inspirado à Igreja, e dado pela Santíssima Virgem a São Domingos, no ano de 1214, para converter os hereges albigenses e os pecadores, conforme relatou o Beato Alano de la Roche.

São Domingos, vendo que os pecados dos homens impediam a conversão dos hereges albigenses, entrou numa floresta próxima a Toulouse e lá passou três dias e três noites em contínua oração e penitência.

Para acalmar a cólera de Deus, não cessava de gemer, de chorar e de macerar o corpo com golpes de disciplina, a ponto de cair esgotado.

A Virgem então lhe apareceu, acompanhada de três princesas do céu, e lhe disse: “Se querer ganhar para Deus esses corações endurecidos, prega o meu Rosário”.

O Santo se levantou consoladíssimo e, ardendo de zelo pela salvação das almas, entrou na catedral; imediatamente os sinos foram tocados por Anjos para reunir os habitantes.

No começo da pregação houve uma tempestade espantosa; a terra tremeu, o sol se obscureceu, trovões e relâmpagos repetidos fizeram estremecer e empalidecer os ouvintes. Seu terror aumentou ainda mais quando viram uma imagem da Virgem, exposta em lugar de destaque, erguer os braços três vezes para o céu para pedir vingança a Deus contra eles, se não se convertessem e não recorressem à proteção da Mãe de Deus.

O Céu queria, com esses prodígios, promover a nova devoção do Rosário e torná-la mais conhecida.

A tempestade cessou afinal, pelas orações de São Domingos. Este prosseguiu a pregação e explicou com tanto fervor e entusiasmo a excelência do santo Rosário, que quase todos os habitantes de Toulouse o adotaram e renunciaram a seus erros. Em pouco tempo notou-se uma grande mudança nos costumes e na vida da cidade.

O estabelecimento do Rosário dessa forma prodigiosa que faz recordar o modo como Deus promulgou sua Lei no Monte Sinai, torna manifesta a excelência dessa devoção.

São Domingos, inspirado pelo Espírito Santo, instruído pela Santíssima Virgem e por sua própria experiência, pregou o Rosário todo o resto de sua vida. Pregou-o pelo exemplo e pela palavra, nas cidades e nos campos, diante dos grandes e dos pequenos, diante dos sábios e dos ignorantes, dos católicos e dos hereges.

Enquanto os pregadores difundiram, a exemplo de São Domingos, o santo Rosário, a piedade e o fervor floresceram nas Ordens religiosas que praticavam essa devoção e no mundo cristão em geral. Mas, quando se negligenciou um tal presente vindo do céu, pecados e desordens se viram por toda a parte.

A devoção do Rosário se conservou fervorosa até cerca de cem anos após sua instituição. Depois, esteve quase sepultada no esquecimento. A malícia e a inveja do demônio com certeza contribuíram para tal esquecimento, e para que assim cessasse o fluxo das graças que o Rosário trazia para o mundo.

A Justiça divina castigou os reinos da Europa, a partir do ano de 1349, com a mais terrível peste que jamais se vira. Surgida no Oriente, espalhou-se pela Itália, Alemanha, França, Polônia, Hungria, e devastou todas essas terras, de modo que de cem homens somente um sobrevivia. As cidades, as aldeias e os mosteiros se despovoaram durante os três anos que durou a epidemia. E a esse flagelo de Deus ainda se seguiram outros.

Quando pela misericórdia de Deus tais misérias cessaram, a Virgem ordenou ao Beato Alano de la Roche, célebre doutor e famoso pregador da Ordem dominicana, que restabelecesse a antiga Confraria do Santo Rosário.

Desde o estabelecimento do Rosário por São Domingos, até 1460, quando o Beato Alano o restabeleceu por ordem do Céu, ele foi chamado o Saltério de Jesus e da Virgem, porque contém 150 Ave-Marias – o mesmo número dos Salmos de Davi.

Depois disso a voz pública, que é a voz de Deus, lhe deu o nome de Rosário, que significa coroa de rosas. A Santíssima Virgem aprovou e confirmou esse nome, revelando a várias pessoas que elas Lhe ofereciam tantas rosas agradáveis quantas Ave-Marias, e tantas coroas de rosas quantos rosários rezassem.

[...]

O Rosário é, pois, uma grande coroa e o terço é um diadema, ou uma pequena coroa de rosas celestes que se põe sobre a cabeça de Jesus e Maria.

Não é possível exprimir como a Virgem estima o Rosário acima de todas as devoções e quanto Ela é generosa em recompensar os que trabalham por pregá-lo e difundi-lo; e, pelo contrário, como Ela é terrível contra os que se opõem a ele.

Enquanto viveu, São Domingos acima de tudo teve empenho em louvar a Santíssima Virgem, pregar suas grandezas e incentivar todas as pessoas a honrá-La por meio do Rosário.

Em contrapartida, a poderosa Rainha do Céu não cessou de espargir abundantes bênçãos sobre o Santo, e coroou seus trabalhos com prodígios e milagres. Nunca ele pediu alguma coisa a Deus pela intercessão da Virgem sem ser atendido. Como cúmulo de favores, Ela o tornou vitorioso sobre a heresia dos albigenses e o fez Pai e Patriarca de uma grande Ordem religiosa.

A Virgem não somente favorece os pregadores do Rosário, mas também recompensa os que pelo exemplo atraem outros a essa devoção.

[...]

Ainda que a devoção do Rosário tenha sido autorizada pelo Céu por meio de muitos prodígios e tenha sido aprovada pela Igreja por diversas bulas de Papas, sempre se encontram depravados, ímpios e “espíritos fortes” que procuram desacreditá-la, ou pelo menos afastar dela os fiéis.

É fácil reconhecer que suas línguas são infectadas pelo veneno do inferno e que eles são conduzidos pelo espírito maligno; pois ninguém pode desaprovar o santo Rosário sem que condene o que há de mais piedoso na religião cristã, a saber, o Pai Nosso, a Ave-Maria, os mistérios da vida, da morte e da glória de Jesus Cristo e de sua santa Mãe.

Se São Boaventura teve razão em dizer que morrerá no pecado e será condenado aquele que tiver desprezado a Santíssima Virgem, que castigos não devem esperar aqueles que afastam os outros de sua devoção?...

[...]

Toda a gente sabe que há três espécies de fé para as diversas narrativas. Às histórias narradas na Escritura sagrada, devemos uma fé divina; às histórias profanas que não repugnam à razão e são escritas por bons autores, devemos uma fé humana; e às histórias piedosas contadas por bons autores e em nada contrárias à razão, à fé e aos bons costumes, ainda que elas sejam por vezes extraordinárias, devemos uma fé piedosa.

Não se deve ser nem crédulo demais nem crítico demais; é preciso manter o equilíbrio para dessa forma encontrar o ponto da verdade e da virtude. Mas assim como a caridade crê facilmente em tudo o que não é contrário à fé nem aos bons costumes, assim também o orgulho leva a negar quase todas as narrativas bem confirmadas, sob o pretexto de que elas não estão na Escritura.

É esse um artifício de satanás, no qual caíram os hereges que negam a Tradição, e no qual caem sem se dar conta os críticos de hoje, que movidos unicamente por orgulho e auto-suficiência não crêem no que não compreendem ou no que lhes desagrada.

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MONTFORT, Luís Maria Grignion de. A eficácia maravilhosa do Santo Rosário. São Paulo: Artpress, 2000, p. 8-16.

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sexta-feira, 27 de agosto de 2010

O Santo Rosário

4 comentários:
O Rosário é uma devoção que está presente em minha vida há muito tempo. Primeiramente, porque o rezava com meus pais e irmãs, e segundo, porque é uma devoção particular minha. 

Não há palavras para expressar o quanto essa devoção é valiosa e o quanto ela tem me ajudado em todos os momentos da minha vida, especialmente nos momentos de maior provação. 

Por todo o amor com que Nossa Senhora sempre me envolveu, por todas as graças que Nossa Senhora já me alcançou e por todos os frutos que essa devoção já produziu, não só em minha vida, mas na vida da minha família e de tantas outras pessoas que eu conheço, é que eu quero divulgar a devoção do Santo Rosário; é minha gratidão para com nossa Mãe do Céu.

Segue abaixo trechos extraídos do livro “A eficácia maravilhosa do Santo Rosário”, de São Luís Maria Grignion de Montfort.

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A Virgem revelou ao Beato Alano de la Roche que, depois do Santo Sacrifício da Missa, não há devoção mais excelente e mais meritória do que o Rosário, que é como que um segundo memorial e representação da vida e da paixão de Jesus Cristo.

Leitor caríssimo, se puserdes em prática essa devoção aprendereis, por experiência própria melhor do que em qualquer livro, e comprovareis felizmente o efeito maravilhoso das promessas que a Santíssima Virgem fez a todos os que se empenhem em fazer florescer essa devoção que lhe é tão grata.

Para não me alongar demais, basta dizer que o Rosário é um manancial e depósito de toda a espécie de bens, no qual:

1º. Os pecadores obtêm perdão;
2º. As almas sedentas saciam a sede;
3º. Os prisioneiros vêem seus grilhões quebrados;
4º. Os que choram encontram alegria;
5º. Os tentados encontram tranqüilidade;
6º. Os indigentes recebem socorro;
7º. Os religiosos são reformados;
8º. Os ignorantes são instruídos;
9º. Os vivos triunfam sobre a vaidade;
10º. Os mortos são aliviados à maneira de sufrágio.

Para ainda mais vos animar à prática dessa devoção, acrescento que o Rosário rezado com a meditação dos mistérios:

1º. Nos eleva insensivelmente ao conhecimento perfeito de Jesus Cristo;
2º. Purifica as nossas almas do pecado;
3º. Nos torna vitoriosos sobre todos os nossos inimigos;
4º. Nos torna fácil a prática das virtudes;
5º. Nos abrasa do amor de Jesus Cristo;
6º. Nos enriquece de graças e méritos;
7º. Nos fornece o com que pagar todas as nossas dívidas a Deus e aos homens, e, por fim, nos faz obter de Deus toda espécie de graças.

Entre as coisas admiráveis que a Santíssima Virgem revelou ao Beato Alano de la Roche, há três mais notáveis:

A primeira: é um sinal provável e próximo de condenação eterna ter negligência, tibieza e aversão pela Saudação Angélica que reparou o mundo;

A segunda: aqueles que têm devoção a essa saudação divina possuem um grandíssimo sinal de predestinação;

A terceira: aqueles que receberam do Céu o favor de amar a Santíssima Virgem e de A servir por amor, devem ser extremamente zelosos em continuar a amá-La e servi-La, até que Ela os coloque no Paraíso, por meio de seu Filho, no grau de glória compatível com seus méritos.

Todos os hereges – que são filhos do demônio e portam sinais evidentes de reprovação – tem horror à Ave Maria. Eles ainda aprendem o Pai Nosso, mas não a Ave Maria; eles antes prefeririam levar consigo uma serpente do que um terço ou um Rosário.

Entre os católicos, aqueles que levam a marca da condenação também desprezam o Rosário, deixando de rezá-lo, ou fazendo-o com tibieza e às pressas. Ainda que eu não acreditasse no que foi revelado ao Beato Alano, bastaria a minha experiência pessoal para me convencer dessa verdade.

De fato, vemos que as pessoas que em nossos dias professam doutrinas novas condenadas pela Igreja descuidam muito, apesar das aparências de piedade, da devoção ao Rosário, e frequentemente a afastam do espírito e do coração dos outros, alegando os mais variados pretextos. Elas evitam condenar abertamente, como o fazem os calvinistas, o terço, o Rosário, o escapulário; mas a maneira como se portam em relação a essas coisas é tanto mais perniciosa quanto mais sutil.

Quem rezar fiel e devotamente, até o fim da vida, ainda que seja grande pecador, pode crer que receberá uma “coroa de glória que jamais fenecerá” (Pe 5, 4).

Ainda que estivésseis na beira do abismo, ainda que já tivésseis um pé no inferno, ainda que tivésseis vendido vossa alma ao demônio, ainda que fôsseis um herege empedernido e obstinado, vós vos converteríeis mais cedo ou mais tarde e vos salvaríeis – desde que (notai bem minhas palavras) rezásseis todos os dias o santo Rosário, devotamente, até à morte, para conhecer a verdade e obter a contrição e o perdão de vossos pecados.

Que todos, os sábios e os ignorantes, os justos e os pecadores, os grandes e os pequenos, louvem e saúdem, dia e noite, a Jesus e Maria pelo santo Rosário.

Rezai todos os dias, com devoção, pelo menos um terço do Rosário; e estareis oferecendo uma coroa de rosas a Jesus e Maria.

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Trechos extraídos e adaptados da seguinte bibliografia:
MONTFORT, Luís Maria Grignion de. A eficácia maravilhosa do Santo Rosário. São Paulo: Artpress, 2000.

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sábado, 14 de agosto de 2010

Cerimonial para a entronização do Sagrado Coração de Jesus nas famílias

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Manual da Paróquia. Petrópolis: Vozes, 1950. p.382-388.

Nihil obstat
Rio de Janeiro, 10 de outubro de 1929. P.João Batista de Siqueira. Censor.

Imprimatur
Por comissão especial do Exmo. e Revmo.Sr. Dom Manuel Pedro da Cunha Cintra, Bispo de Petrópolis. Fr.Lauro Ostermann. O.F.M. Petrópolis, 5-10-1950.


1. PREPARATIVOS

A imagem do Sagrado Coração, artística quanto possível, pode ser gravura, pintura ou estátua e será colocada no lugar de honra do salão, como homenagem prestada à soberania de Jesus Cristo, tão desconhecida em toda parte.

No dia marcado para a Entronização, reúne-se toda a família no salão da casa. O sacerdote, revestido de sobrepeliz e estola, benze a imagem do Sagrado Coração de Jesus, enfeitada com luzes e flores.

Para a benção da imagem prepare-se um copo com água benta e raminho para aspergi-la.


2. BÊNÇÃO DA IMAGEM

V. Adjutorium nostrum in nomine Domini.
R. Qui fecit caelum et terram.
V. Dominus vobiscum.
R. Et cum spiritu tuo.

Omnipotens sempiterne Deus, qui Sanctorum tuorum imagines (sive effigies) sculpi, aut pingi non reprobas ut quoties illas oculis corporis intuemur, toties eorum actus et sanctitatem ad imitandum memoriae oculis meditemur, hanc, quaesumus, Imaginem (seu sculpturam) in honorem et memoriam Sacratissimi Cordis Unigeniti Filii tui Domini Nostri Jesu Christi adaptatam, bene+dicere et sanc+tificare digneris; et praesta, ut quicunque coram illa Cor Sacratissimum Unigeniti Filii tui suppliciter colere et honorare studuerit, illius meritis et obtentu, a te gratiam in praesenti, et aeternam gloriam obtineat in futurum. Per eundem Christum Dominum nostrum.

R. Amen.

O sacerdote asperge a imagem com água benta e todos os assistentes rezam em voz alta o Credo, em testemunho explícito da fé de toda a família.

Em seguida, o sacerdote, numa breve alocução, poderá expor o que Nosso Senhor espera das famílias particularmente a ele consagradas; - as bênçãos especiais e superabundantes de que são alvo; - o grande dever para elas de renovarem constantemente essa consagração como oração familiar.

Todos ajoelham e o sacerdote recita a:

SÚPLICA

Amorosíssimo Jesus, dignai-vos, em companhia de vossa Mãe dulcíssima, visitar esta morada e encher seus ditosos habitantes das graças prometidas às famílias que de modo especial se consagram ao vosso divino Coração. Vós mesmo, dulcíssimo Jesus, em revelação à vossa serva Margarida Maria e para os desígnios de vossa misericórdia, solicitastes do mundo inteiro a homenagem solene de amor ao vosso Coração santíssimo, que tanto amou os homens e dos quais é tão pouco amado. Esta família, pois, acudindo pressurosa ao vosso convite, em desagravo do abandono e apostasia de tantas almas, vos proclama amável soberano seu, e vos consagra absolutamente as alegrias e tristezas, as dores e trabalhos, o presente e futuro deste lar, de hoje para sempre inteiramente vosso. Abençoai, pois, Coração santíssimo, todos os presentes; abençoai os queridos ausentes; e firmai, nesta casa, Senhor – nós vo-lo rogamos pelo amor de vossa Mãe Santíssima – firmai nesta casa o domínio de vossa caridade; infundi em cada um dos seus moradores o espírito de fé, de santidade e de pureza: fazei que estas almas só a vós pertençam, desapegando-as completamente do mundo e de suas loucuras e vaidades. Abri-lhes, Senhor, a chaga do vosso paternal Coração, e nela, como em arca salvadora, guardai até à vida eterna estes que vossos são e vossos para sempre querem ser. Viva sempre neste lar, amado, bendito e glorificado, o Coração santíssimo de Jesus. Assim seja.

Não devendo faltar ninguém no lar querido em hora tão solene e feliz, evoca-se a lembrança dos membros já falecidos da família, rezando-se por eles e pelos ausentes um Padre-Nosso e uma Ave-Maria.


3. ENTRONIZAÇÃO

Depois, o pai ou mãe de família coloca a imagem do Sagrado Coração de Jesus no lugar de honra que lhe está preparado e ajoelhando-se todos, o sacerdote reza o:

ATO DE CONSAGRAÇÃO

Sagrado Coração de Jesus, que manifestastes a S. Margarida Maria o desejo de reinar sobre as famílias cristãs, nós vimos hoje proclamar vossa realeza absoluta sobre a nossa.

Queremos doravante viver da vossa vida, queremos que floresçam no seio desta família as virtudes, a que prometestes já neste mundo a paz. Queremos banir para longe de nós o espírito mundano que amaldiçoastes.

Vós reinareis em nossas inteligências pela simplicidade de nossa fé, em nossos corações, pelo amor ser reservas de que estão abrasados para convosco, e cuja chama entreteremos pela recepção freqüente da divina Eucaristia.

Dignai-vos, Coração divino, presidir às nossas reuniões, abençoar as nossas empresas espirituais e temporais, afastar de nós as angústias, santificar as nossas alegrias, aliviar as nossas penas.

Se, algum dia, um de nós tiver a desgraça de vos ofender, lembrai-lhe, ó Coração de Jesus, que sois bom e misericordioso para com o pecador arrependido.

E quando soar a hora da separação, quando a morte lançar no meio de nós o luto, nós todos, os que partem e os que ficam, todos seremos submissos aos vossos eternos desígnios. Consolar-nos-emos com o pensamento de que há de vir um dia, em que toda a família, reunida no céu, poderá cantar para sempre a vossa glória e os vossos benefícios.

Digne-se o Coração imaculado de Maria, digne-se o glorioso patriarca S.José apresentar-vos esta consagração e no-la lembrar todos os dias de nossa vida.

Viva o Coração de Jesus, nosso Rei e nosso Pai.


4. ÚLTIMAS ORAÇÕES

O sacerdote e os presentes recitam juntos a seguinte:

ORAÇÃO

Glória ao Sagrado Coração de Jesus, - cuja misericórdia foi infinita – para com os servos felizes deste lar, - escolhendo-os entre milhares – como herança de amor - e santuário de reparação pela ingratidão humana. – Com quanta confusão, Senhor Jesus, - esta porção de vosso rebanho fiel, - aceita a honra insigne – de vos ver presidi-la: - como vos adora em silêncio – e se regozija ao ver-vos partilhar, - sob o mesmo teto, - as fadigas, - os trabalhos – e também os castos gozos destes filhos vossos. – Ah! Não somos dignos, - é verdade, - de que entreis nesta humilde morada, - porém, dissestes uma palavra – revelando-nos vosso Coração santíssimo – e nossas almas tiveram sede de vós, - acharam as águas que jorram até a vida eterna – em vosso lado chagado, ó bom Jesus!

Por isso, contritos e confiantes, - viemos entregar-nos a vós – que sois a vida imortal. – Permanecei entre nós, - Coração Sagrado, - sentimos vivas ânsias de amar-vos e fazer-vos amar; - pois sois a sarça ardente – que há de abrasar o mundo para regenerá-lo. – Ah! sim, que esta casa – seja o refúgio, tão meigo como o de Betânia, - onde encontreis aconchego nas almas amigas, - que escolheram a melhor parte – na intimidade venturosa do vosso Coração: - seja este, Salvador amado, - o asilo carinhoso, - do Egito no desterro – a que vos condenam os vossos inimigos. – Vinde, Senhor, - vinde ... – pois, nesta casa, - como em Nazaré – ama-se com entranhável amor – a Virgem Maria, - esta Mãe tão terna que vós mesmo nos destes; - vinde encher com vossa presença deliciosa – os vácuos – que a morte e a desgraça fizeram entre nós. – Ah! Se vós, amigo fidelíssimo, - houvésseis estado em nossas horas de luto, - como se teriam suavizado as nossas lágrimas – e quanto bálsamo de paz teríamos sentido – naquelas feridas secretas que vós só conheceis ... – Vinde ... – porque se aproxima talvez para nós – a tarde angustiosa de novos pesares, - e declina o dia fugaz de nossas ilusões; - ficai conosco porque anoitece, - o mundo perverso – quer envolver-nos nas trevas das suas negações; - nós vos queremos, - porque sois o caminho e a vida. – Exclamai, Jesus, como outrora: - “É preciso que desde hoje – me deis hospedagem em vossa casa”. – Sim, Senhor, - estabelecei aqui o vosso tabernáculo – a cuja sombra vivamos – em vossa companhia – nós que vos proclamamos nosso Rei, - porque não queremos que outro reine, - senão vós tão somente.

Viva sempre amado, - bendito e glorificado neste lar – o Coração triunfante de Jesus. – Venha a nós o seu reino!

Recita-se uma Salve-Rainha em homenagem de amor ao Coração Imaculado de Maria, e as jaculatórias:

V. Sagrado Coração de Jesus,
R. tende piedade de nós.
V. Sagrado Coração de Jesus,
R. tende piedade de nós.
V. Sagrado Coração de Jesus,
R. tende piedade de nós.
V. Coração Imaculado de Maria,
R. rogai por nós.
V. São José,
R. rogai por nós.
V. Santa Margarida Maria,
R. rogai por nós.


5. BÊNÇÃO FINAL

Para terminar, o sacerdote implora a proteção de Deus para a família e lhe dá a bênção, dizendo:

Oremus. Respice, quaesumus, Domine, super hanc familiam tuam, pro qua Dominus noster Jesus Christus non dubitavit manibus tradi nocentium et crucis subire tormentum.

Familiam tuam, quaesumus, Domine, continua pietate custodi, ut a cunctis adversitatibus, te protegente, sit libera, et in bonis actibus tuo nomini sit devota.

Concede, quaesumus, omnipotens Deus, ut, qui in sanctissimo dilecti Filii tui Corde gloriantes, praecipua in nos caritatis eius beneficia recolimus, eorum pariter et actu delectemur et fructu. Per eumdem Christum Dominum nostrum. Amen.

Benedictio Dei omnipotentis, Patris et Filii et Spiritus Sancti +, descendat super vos et maneat semper. Amen.

Todos os membros da família presentes assinam o documento autêntico da Entronização, que ficará ou guardado nos arquivos da família, ou exposto, em quadro, para sempre lembrar os compromissos sagrados.


6. PRÁTICAS ACONSELHADAS

A família que se consagrou ao divino Coração de Jesus e entronizou no lar a imagem dele, deve fomentar em seu seio e no espírito de cada um de seus membros uma devoção particular e íntima ao mesmo Sagrado Coração.

Dentre os muitos atos em que ela se patenteia, especializaremos:

1. Recitar em comum, todos os dias a:

RENOVAÇÃO DA CONSAGRAÇÃO

Dulcíssimo Senhor, humildemente prostrados aos vossos pés, renovamos a consagração de nossa família ao vosso divino Coração. Sede sempre o nosso Rei; confiamos inteiramente em vós; o vosso Espírito penetre nossos pensamentos, nossos desejos, nossas palavras e nossas obras; abençoai as nossas resoluções e compartilhai as nossas alegrias, as nossas provações, os nossos trabalhos. Fazei que vos conheçamos melhor, vos amemos mais e vos sirvamos sem fraqueza. Que de uma extremidade da terra à outra ressoe essa exclamação: Amado, bendito e glorificado seja sempre e em toda parte o Coração triunfante de Jesus. Assim seja.

2. No dia da Entronização todos os membros se aproximarão da sagrada mesa para obterem o triunfo do Coração de Jesus e para repararem os ultrajes feitos à sua majestade.

3. Todos os membros da família se propõem de comungar, cada ano, na festa do Coração de Jesus, e de celebrar essa festa na intimidade. Além disto, comprometem-se a santificar a primeira sexta-feira de cada mês.

4. Fazer a Hora Santa. A Hora Santa é uma prática mui agradável ao Sagrado Coração. Consiste em passar uma hora em oração em união com Jesus agonizante no Jardim das Oliveiras. Este exercício pode se fazer em casa, ou por mês ou por semana.

5. Celebrar-se-á o aniversário da Entronização pela renovação da consagração ao Sagrado Coração. Servir-se-ão, para isso, da oração do cerimonial da Entronização.

6. Venerar a imagem do Sagrado Coração. Os membros da família dirigirão muitas vezes os olhares para ela e a ornarão com flores e luzes, principalmente nos dias consagrados ao Sagrado Coração. Para enfeitar a imagem, os pais encarreguem de preferência as crianças.

É honrar a imagem, ajoelhar-se diante dela para recitar as orações da manhã e da noite.

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sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 6

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6) O culto ao Coração Sacratíssimo de Jesus é o culto da Pessoa do Verbo Encarnado

42. Nada, portanto, proíbe que adoremos o coração sacratíssimo de Jesus Cristo, enquanto é participante, símbolo natural e sumamente expressivo daquele amor inexaurível em que ainda hoje o divino Redentor arde para com os homens. Mesmo quando já não está submetido às perturbações desta vida mortal, ainda então ele vive, palpita, e está unido de modo indissolúvel com a pessoa do Verbo divino, e, nela e por ela, com a sua divina vontade. Superabundando o coração do Cristo de amor divino e humano, e sendo imensamente rico com os tesouros de todas as graças que o nosso Redentor adquiriu com sua vida, seus padecimentos e sua morte, ele é, sem dúvida, uma fonte perene daquela caridade que o seu Espírito infunde em todos os membros do seu corpo místico.

43. Assim, pois, o coração do nosso Salvador reflete de certo modo a imagem da divina pessoa do Verbo, e, igualmente, das suas duas naturezas: humana e divina; e nele podemos considerar não só um símbolo, mas também como que um compêndio de todo o mistério da nossa redenção. Quando adoramos o coração de Jesus Cristo, nele e por ele adoramos tanto o amor incriado do Verbo divino como seu amor humano e os seus demais afetos e virtudes, já que um e outro amor moveu o nosso Redentor a imolar-se por nós e por toda a Igreja, sua esposa, segundo a sentença do Apóstolo: “Cristo amou a sua Igreja e sacrificou-se por ela para santificá-la, lavando-a no batismo de água com a palavra de vida, a fim de fazê-la comparecer perante si cheia de glória, sem mancha, nem ruga, nem coisa semelhante, mas santa e imaculada” (Ef 5,25-27).

44. Assim como amou a Igreja, Cristo continua amando-a intensamente, com aquele tríplice amor de que falamos (cf. 1Jo 2,1); e esse amor é que o impele a fazer-se nosso advogado para nos obter do Pai graça e misericórdia, “estando sempre vivo para interceder por nós” (Hb 7,25). As preces que brotam do seu inesgotável amor, dirigidas ao Pai, não sofrem interrupção alguma. Como nos dias da sua carne (Hb 5,7), também agora, que está triunfante no céu, ele suplica o Pai com não menor eficácia; e aquele que “amou tanto o mundo que deu seu Filho unigênito, afim de que todos os que nele crêem não pereçam, mas vivam vida eterna” (Jo 3,16). Ele mostra o seu coração vivo e como ferido e inflamado de um amor mais ardente do que quando, já exânime, o feriu a lança do soldado romano: “Por isto foi ferido (o teu coração), para que pela ferida visível víssemos a ferida invisível do amor”.[1]

45. Por conseguinte, não pode haver dúvida alguma de que, ante as súplicas de tão grande advogado, e feitas com tão veemente amor, o Pai celestial, “que não perdoou seu próprio filho, mas o entregou por todos nós” (Rm 8, 32), por meio dele derramará incessantemente sobre todos os homens a abundância das suas graças divinas.

Papa Pio XII. Encíclica Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.

[1] S. Boaventura, Opusc. X: Vitis mystica, c. III, n. 5: Opera Omnia, Ad Claras Aquas (Quaracchi), 1898, t. VIII, p. 164; cf, s. Tomás, Summa theol., III, q. 54, a. 4; ed. Leon., t. XI,1903, p. 513.

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quinta-feira, 12 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 5

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5) Os dons do Espírito Santo também são dons do Coração adorável de Jesus

41. A missão do Espírito Santo junto aos discípulos é o primeiro e esplêndido sinal do seu amor munificente, depois da sua subida triunfal à direita do Pai. Aos dez dias, o Espírito Paráclito, dado pelo Pai celestial, baixou sobre eles, reunidos no cenáculo, segundo a promessa que ele lhes fizera na última ceia: “Rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador para estar convosco eternamente” (Jo 14,16). O qual Espírito Paráclito, sendo, como é, o amor mútuo pessoal com que o Pai ama o Filho e o Filho ama o Pai, por ambos é enviado, e, sob forma de línguas de fogo, infunde na alma dos discípulos a abundância da caridade divina e dos demais carismas celestes. Esta infusão da caridade divina brotou também do coração de nosso Salvador, “no qual estão encerrados todos os tesouros da sabedoria e da ciência” (Cl 2, 3). Essa caridade é, portanto, dom do coração de Jesus e do seu Espírito. A esse comum Espírito do Pai e do Filho deve-se o nascimento e a propagação admirável da Igreja no meio de todos os povos pagãos, contaminados pela idolatria, pelo ódio fraterno, pela corrupção de costumes e pela violência. Foi essa divina caridade, dom preciosíssimo do coração de Cristo e do seu Espírito, que deu aos apóstolos e aos mártires aquela fortaleza com que eles lutaram até uma morte heróica, para pregarem a verdade evangélica e testemunhá-la com o seu sangue; foi ela que deu aos doutores da Igreja aquele zelo intenso por ilustrar e defender a fé católica; foi ela que alimentou as virtudes nos confessores e os excitou a levarem a cabo obras admiráveis e úteis, para a própria santificação, para a salvação eterna e temporal do próximo; e, finalmente, foi ela que persuadiu as virgens a espontânea e alegremente renunciarem aos gozos dos sentidos e se consagrarem inteiramente ao amor do esposo celeste. A essa divina caridade, que transborda do coração do Verbo encarnado e por obra do Espírito Santo se difunde nas almas de todos os crentes, o Apóstolo das gentes entoou aquele hino de vitória que exalta a um tempo o triunfo de Jesus Cristo cabeça e o triunfo dos membros do seu corpo místico, sobre todos quantos de algum modo obstam ao estabelecimento do reino divino de amor entre os homens: “Quem poderá separar-nos do amor de Cristo? A tribulação? Ou a angústia? Ou a fome? Ou a nudez? Ou o risco? Ou a perseguição? Ou o cutelo?... Por meio de todas essas coisas triunfamos por virtude daquele que nos amou. Pelo qual estou seguro de que nem a morte, nem a vida, nem os anjos, nem os principados, nem as virtudes, nem o presente, nem o futuro, nem a força, nem o que há de mais alto, nem de mais profundo, nem outra criatura, poderá jamais separar-nos do amor de Deus que se funda em Jesus Cristo nosso Senhor” (Rm 8,35.37-39).

Papa Pio XII. Encíclica Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.

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quarta-feira, 11 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 4

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4) O Sagrado Coração de Jesus, símbolo do seu tríplice amor a humanidade na vida gloriosa do céu

40. Depois que o nosso Salvador subiu ao céu com seu corpo glorificado, e se sentou à direita de Deus Pai, não tem cessado de amar sua esposa, a Igreja, com aquele amor inflamado que palpita no seu coração. Traz nas mãos, nos pés e no lado os esplendentes sinais das suas feridas, troféus da sua tríplice vitória: contra o demônio, contra o pecado e contra a morte. E traz no seu coração, como em preciosa arca aqueles imensos tesouros de méritos, frutos dessa tríplice vitória, os quais ele com largueza distribui ao gênero humano. É essa uma verdade consoladora, ensinada pelo Apóstolo das gentes quando escreve: “Ao subir para o alto, levou consigo cativa uma grande multidão de cativos e derramou seus dons sobre os homens... Aquele que desceu, esse mesmo foi o que ascendeu sobre todos os céus, para dar cumprimento a todas as coisas” (Ef 4,8.10).

Papa Pio XII. Encíclica Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.

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terça-feira, 10 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 3

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3) Também a Igreja e os sacramentos são dons do Sagrado Coração de Jesus

39. Não se pode, pois, duvidar de que, participando intimamente da vida do Verbo encarnado, e pelo mesmo motivo sendo, não menos do que os demais membros da sua natureza humana, como que instrumento conjunto da Divindade na realização das obras da graça e da onipotência divina[1], o Sagrado Coração de Jesus é também símbolo legítimo daquela imensa caridade que moveu o nosso Salvador a celebrar, com o derramamento do seu sangue, o seu místico matrimônio com a Igreja: “Sofreu a paixão por amor à Igreja que ele devia unir a si como esposa”[2]. Portanto, do coração ferido do Redentor nasceu a Igreja, verdadeira administradora do sangue da redenção, e do mesmo coração flui abundantemente a graça dos sacramentos, na qual os filhos da Igreja bebem a vida sobrenatural, como lemos na sagrada liturgia: “Do coração aberto nasce a Igreja desposada com Cristo... Tu, que do coração fazes manar a graça”[3]. A respeito desse símbolo, que nem mesmo dos antigos Padres, escritores e eclesiásticos foi desconhecido, o Doutor comum, fazendo-se eco deles, assim escreve: “Do lado de Cristo brotou água para lavar e sangue para redimir. Por isso, o sangue é próprio do sacramento da eucaristia; a água, do sacramento do batismo, o qual, entretanto, tem força para lavar em virtude do sangue de Cristo”[4]. O que aqui se afirma do lado de Cristo, ferido e aberto pelo soldado, cumpre aplicá-lo ao seu coração, ao qual, sem dúvida, chegou a lançada desfechada pelo soldado precisamente para que constasse de maneira certa a morte de Jesus Cristo. Por isso, durante o curso dos séculos, a ferida do coração sacratíssimo de Jesus, morto já para esta vida mortal, tem sido a imagem viva daquele amor espontâneo com que Deus entregou seu Unigênito pela redenção dos homens, e com o qual Cristo nos amou a todos tão ardentemente que a si mesmo se imolou como hóstia cruenta no Calvário: “Cristo amou-nos e ofereceu-se a Deus em oblação e hóstia de odor suavíssimo” (Ef 5,2).

Papa Pio XII. Encíclica Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.

[1] Cf. s. Tomás, Summa theol., III, q.19, a. l; ed. Leon., t. XI,1903, p. 329.
[2] Summa theol., Suppl., q. 42, a. l até 3; ed. Leon., t. XII,1906, p. 81.
[3] Hino das Vésp. da festa do sagrado coração de Jesus.
[4] Summa theol, III, q. 66, a. 3, ed. Leon., t. XII,1906, p. 65.
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domingo, 8 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 2

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2) A Eucaristia, a Santíssima Virgem e o Sacerdócio são dons do Coração amado de Jesus 

34. Quem poderá descrever dignamente as pulsações do Coração divino, índices do seu infinito amor, naqueles momentos em que ele deu aos homens os seus mais apreciados dons, isto é, a si mesmo no Sacramento da Eucaristia, sua Mãe Santíssima, e a participação no ofício sacerdotal? 

35. Ainda antes de celebrar a última ceia com seus discípulos, ao pensar em que ia instituir o sacramento do seu Corpo e do seu Sangue, com cuja efusão devia confirmar-se a nova aliança, sentiu o seu coração agitado de intensa emoção, que ele manifestou aos seus apóstolos com estas palavras: “Ardentemente desejei comer convosco este cordeiro pascal antes da minha paixão” (Lc 22,15); emoção que, sem dúvida, foi ainda mais veemente quando ele ‘tomou o pão, deu graças, partiu-o e deu-o a eles, dizendo: ‘Isto é meu Corpo, que se dá por vós; fazei isto em memória de mim’. Do mesmo modo tomou o cálice, depois de haver ceado, dizendo: ‘Este cálice é a nova aliança em meu Sangue, que por vós será derramado’”(Lc 22,19-20).

36. Com razão, pois, pode-se afirmar que a divina Eucaristia, como sacramento que ele dá aos homens e como sacrifício que ele mesmo continuamente imola “desde o nascente até o poente” (Ml 1,11), e também o sacerdócio, são, sem dúvida, dons do Sagrado Coração de Jesus.

37. Dom igualmente precioso do mesmo Sagrado Coração é, como indicávamos, a Santíssima Virgem, Mãe excelsa de Deus e Mãe amadíssima de todos nós, era justo que o gênero humano tivesse por mãe espiritual aquela que foi mãe natural do nosso Redentor, a ele associada na obra de regeneração dos filhos de Eva para a vida da graça. A propósito disso, escreve a respeito dela santo Agostinho: “Evidentemente ela é mãe dos membros do Salvador, que somos nós, porque com a sua caridade cooperou para que nascessem na Igreja os fiéis, que são membros daquela cabeça”.[1]

38. Ao dom incruento de si mesmo sob as espécies do pão e do vinho, Jesus Cristo nosso Salvador quis unir, como testemunho da sua caridade íntima e infinita, o sacrifício cruento da cruz. Fazendo isso, deu exemplo daquela sublime caridade que com as seguintes palavras ele mostrara aos seus discípulos como meta suprema de amor: “Ninguém tem amor maior do que aquele que dá sua vida pelos amigos” (Jo 15,13). Pelo que o amor de Jesus Cristo, Filho de Deus, revela no sacrifício do Gólgota, de modo o mais eloqüente, o amor do próprio Deus: “Nisto conhecemos a caridade de Deus: em haver ele dado sua vida por nós; e assim nós devemos dar a nossa vida por nossos irmãos” (1Jo 3,16). Certamente, o divino Redentor foi crucificado mais pela força do amor do que pela violência dos algozes, e o seu holocausto voluntário é dom supremo feito a cada um dos homens, segundo a incisiva expressão do Apóstolo: “Amou-me e entregou-se por mim” (Gl 2,20).

Papa Pio XII. Encíclica
Haurietis Aquas: Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus: III - Participação Ativa e Profunda que teve o Sagrado Coração de Jesus na Missão Salvadora do Redentor. 1956.


[1] 
De sancta virginitate, VI; PL 40, 399.


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sábado, 7 de agosto de 2010

Haurietis Aquas - Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus III - 1

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Papa Pio XII
Encíclica Haurietis Aquas
Sobre o Culto do Sagrado Coração de Jesus
1956

III 
PARTICIPAÇÃO ATIVA E PROFUNDA 
QUE TEVE O SAGRADO CORAÇÃO DE JESUS 
NA MISSÃO SALVADORA DO REDENTOR


1) O sagrado coração de Jesus, símbolo de amor perfeito: sensível, espiritual, humano e divino, durante a vida terrena do Salvador

29. Agora, veneráveis irmãos, para que destas piedosas considerações possamos tirar abundantes e salutares frutos, bom é meditarmos e contemplarmos brevemente os múltiplos afetos humanos e divinos de nosso Salvador Jesus Cristo, dos quais; durante o curso da sua vida mortal, o seu coração participou e continua agora participando e não deixará de participar por toda a eternidade. Nas páginas do Evangelho é onde principalmente encontraremos a luz pela qual iluminados e fortalecidos poderemos penetrar no segredo deste divino coração, e admirar com o Apóstolo das gentes “as abundantes riquezas da graça (de Deus) na bondade usada conosco por amor de Jesus Cristo” (Ef 2,7).

30. O adorável coração de Jesus Cristo pulsa de amor ao mesmo tempo humano e divino desde que a virgem Maria pronunciou aquela palavra magnânima: “Fiat”, e o Verbo de Deus, como nota o Apóstolo, “ao entrar no mundo disse: Não quiseste sacrifício nem oferenda, mas me apropriaste um corpo; holocaustos pelo pecado não te agradaram. Então disse: Eis que venho: segundo está escrito de mim no princípio do livro, para cumprir, ó Deus, a tua vontade... Por esta vontade, pois, somos santificados pela oblação do corpo de Cristo feita uma só vez” (Hb 10,5-7.10). De maneira semelhante palpitava de amor o seu coração, em perfeita harmonia com os afetos da sua vontade humana e com o seu amor divino, quando, na casa de Nazaré, ele mantinha aqueles celestiais colóquios com sua dulcíssima Mãe e com seu pai putativo, s. José, a quem obedecia e com quem colaborava no fatigante ofício de carpinteiro. Esse mesmo tríplice amor movia o seu coração nas suas contínuas excursões apostólicas, quando realizava aqueles inúmeros milagres, quando ressuscitava os mortos ou restituía a saúde a toda sorte de enfermos, quando sofria aqueles trabalhos, suportava o suor, a fome e a sede; nas vigílias noturnas passadas em oração a seu Pai amado; e, finalmente, nos discursos que pronunciava e nas parábolas que propunha, especialmente naquelas que tratam da misericórdia, como a da dracma perdida, a da ovelha desgarrada e a do filho pródigo. Nessas palavras e nessas obras, como diz Gregório Magno, manifesta-se o próprio coração de Deus. “Conhece o coração de Deus nas palavras de Deus, para que com mais ardor suspires pelas coisas eternas”.[1]

31. De amor ainda maior pulsava o coração de Jesus Cristo quando da sua boca saíam palavras que inspiravam amor ardente. Assim, para dar algum exemplo, quando, ao ver as turbas cansadas e famintas, ele disse: “Tenho compaixão desta multidão” (Mc 8,2), e quando, ao avistar Jerusalém, a sua cidade predileta, destinada a uma ruína fatal por causa da sua obstinação no pecado, exclamou: “Jerusalém, Jerusalém, que matas os profetas e apedrejas os que te são enviados: quantas vezes eu quis recolher teus filhos, como a galinha recolhe debaixo das asas os seus pintinhos, e não o quiseste!” (Mt 23,37). O seu coração também palpitou de amor para com seu Pai, e de santa indignação, quando ele viu o comércio sacrílego que se fazia no templo, e verberou os violadores com estas palavras: “Escrito está: minha casa será chamada casa de oração; mas vós fizestes dela uma espelunca de ladrões” (Mt 21,13).

32. Pois o seu coração bateu particularmente de amor e de pavor quando ele viu iminente a hora dos seus cruéis padecimentos, e quando experimentando uma repugnância natural às dores e à morte, exclamou: “Meu Pai, se é possível, passe de mim este cálice” (Mt 26,39); palpitou com amor invicto e com suma amargura quando, ao receber o beijo do traidor, dirigiu-lhe aquelas palavras que parecem o convite último do seu coração misericordioso ao amigo que com ânimo ímpio, infiel e obstinado, devia entregá-lo aos seus algozes: “Amigo, a que vieste? Com um beijo entregas o Filho do homem?” (Mt 26,50; Lc 22,48); palpitou de compaixão e de amor íntimo quando disse às piedosas mulheres que choravam a sua imerecida condenação ao suplício da cruz: “Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai por vós mesmas e por vossos filhos..., pois, se assim tratam a árvore verde, que se não fará à seca?” (Lc 23,28.31).

33. Finalmente, quando o divino Redentor pendia da cruz, sentiu o seu coração arder dos mais vários e veementes afetos, isto é, de afetos de amor ardente, de consternação, de misericórdia, de desejo inflamado, de paz serena; afetos claramente manifestados naquelas palavras: “Pai, perdoa-lhes; porque eles não sabem o que fazem” (Lc 23,34); “Deus meu, Deus meu, por que me abandonaste?” (Mt 27,46); “Em verdade te digo que hoje estarás comigo no paraíso” (Lc 23,43); “Tenho sede” (Jo 19,28); “Pai, nas tuas mãos entrego meu espírito” (Lc 23,46).

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[1]
 Registr. epist., lib. IV, ep. 31 ad Theodorum medicum: PL 77, 706.

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