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sábado, 15 de setembro de 2012

Maria Santíssima, modelo de mortificação

Nossa Senhora adentrando no templo aos três anosPor Santo Afonso Maria de Ligório
 
Manus meae stillaverunt myrrham, et digiti mei pleni myrrha probatissima — «As minhas mãos destilaram mirra, e os meus dedos estavam cheios da mirra mais preciosa» (Cant 5, 5).
 
Sumário. Na Santíssima Virgem tudo estava em perfeita harmonia, porque estava isenta do pecado original e cheia de graça. A carne obedecia prontamente ao espírito; e o espírito a Deus. Contudo ela foi tão amante da mortificação que se tornou um modelo perfeito desta virtude. Quanto mais mortificados não devemos ser nós que temos tantas más paixões a exprimir e quiçá tantas culpas a expiar. E somos tão delicados e tão amantes de nossa comodidade. A continuarmos assim, como nos poderemos gloriar de ser filhos de Maria?
 
I. É uma verdade de nossa fé que a Santíssima Virgem, pro ser concebida isenta de pecado, não teve nenhuma desordem interior a combater. Apesar disso, o Senhor quis que em toda a vida ela se portasse de tal forma que se tornou um modelo perfeito de mortificação.
 
Com efeito, Maria praticou a mortificação interior, conservando o coração sempre desprendido de todas as coisas terrestres: desprendida estava das riquezas, querendo sempre viver pobre e ganhando o sustento com os trabalhos de suas mãos; desprendida das honras, amando a vida humilde e obscura, posto que lhe coubesse o título de nobreza, por ser descendente dos reis de Israel; desprendida afinal dos seus santos pais, porque na idade de três anos os deixou resolutamente, para ir encerrar-se no templo.
 
Quanto à sua mortificação exterior, na verdade é pouco o que a este respeito sabemos; mas esse pouco é mais do que suficiente para a nossa edificação. Maria mortificava de tal maneira a vista, que tinha os olhos sempre baixos, e jamais os fixava em alguém, como dizem Santo Epifânio e São Damasceno, e acrescentam que desde menina foi tão recatada, que admirava a todos. Que direi da escassez do nutrimento e da redundância dos trabalhos? esta quase excedendo as forças da natureza, aquela lhe quase faltando; esta não lhe permitindo tempo algum livre, aquela continuando os dias em jejum. E quando veio a vontade a refazer-se, a comida foi a mais óbvia só para afastar a morte, não para prestar delícias. Não se deu ao sono senão obrigada pela necessidade, mas quando o corpo repousava, o ânimo vigiava.
 
Finalmente, quando a Bem-Aventurada Virgem foi mortificada em tudo o mais, bem se infere do que ela mesma revelou a Santa Isabel beneditina, conforme se lê em São Boaventura: «Sabe», disse-lhe, «que não recebi de Deus nenhuma graça sem grande trabalho, oração contínua, desejo ardente e muitas lágrimas e penitências». Em suma, foi Maria em tudo mortificada, de modo que foi dito dela que suas mãos destilaram mirra, a qual na explicação dos intérpretes é símbolo da mortificação: Manus meae stillaverunt myrrham.
 
II. Se Maria, a mais inocente de todas as virgens, quis praticar a tal ponto a mortificação, quanto mais não devemos nós praticá-la, nós que temos tantas más inclinações que reprimir, e quiçá tantos pecados que expiar! Seja, pois, o fruto da presente meditação o exercício da mortificação cristã.
 
Quanto ao interior, vejamos qual seja a nossa paixão dominante, e esforcemo-nos por vencê-la, pois quem não a subjugar, está em grande perigo de se perder; ao contrário, aquele que vencer a paixão dominante, facilmente vencerá todas as outras.
 
Pelo que respeita à mortificação exterior, devemos, antes de mais nada, mortificar a vista, por cuja causa já muitos se acham no inferno. Notemos o que diz São Francisco de Sales: «Não é tanto o ver, como o olhar, que é a causa da perdição». — Devemos em seguida mortificar a língua, abstendo-nos de toda a crítica e de palavras injuriosas e livres. Uma palavra livre, embora dita só para rir, pode ser causa de escândalo e de mil pecados. — Em terceiro lugar devemos mortificar a gula, comer para viver, e não viver para comer. Afirma Cassiano que é impossível que não esteja sujeito a muitas tentações impuras o que se farta de comida ou de bebida. — Devemos afinal mortificar o ouvido e o tato, evitando escutar conversas maliciosas e murmurações, e usando de toda a cautela tanto para com os outros como para nós mesmos, fugindo de todo o brinquedo de mãos. Imitando Maria Santíssima, devemos praticar a mortificação em todas as coisas e assim mostrar-nos seus dignos filhos: Filii Mariae, imitatores eius.
 
Se não te sentires com força para tanto, recorre com confiança a esta Mãe amorosíssima; põe-te debaixo de sua proteção especial e dize muitas vezes com São Bernardo: † «Lembrai-vos, ó misericordiosíssima Virgem Maria, que jamais se ouviu dizer fosse por vós desamparado algum daqueles que têm recorrido à vossa proteção, implorado o vosso auxílio, e exorado o vosso valimento. Animado eu, pois, com igual confiança, a vós, ó Virgem das virgens, ó minha Mãe, recorro; a vós me acolho; e gemendo sob o peso dos meus pecados, me prostro aos vossos pés. Não queirais desprezar as minhas súplicas, ó Mãe do Verbo incarnado, mas escutai-as favoravelmente e dignai-vos de atendê-las. Assim seja»[1].
 
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[1] Indulgência de 300 dias cada vez, e plenária uma vez por mês, para quem rezar a cada dia.
 
Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.92-94.
 
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2 comentários:

  1. Olá Melissa,
    Parabéns pelo seu blog! Gostava de saber como você aprendeu tanto sobre a religião católica e os seus ritos. Eu sou católica fiz todos os “passos”, mas pouco sei, estou tentando aprender mas está a ser muito difícil. Comecei por estudar a bíblia com meu marido, a pesquisas alguns blogs, estudar mais e mais a bíblia e comecei a vestir-me com mais modéstia. Fui à igreja na terça-feira falar com o Sr. Padre, perguntei se existem aulas sobre a doutrina ou estudos bíblicos e ele disse que não “não existem mas pode por suas dúvidas a mim que eu respondo”, mas elas são tantas! O estudo da bíblia deve ser feito com calma e não à presa pois a sala de espera estava cheia de gente. Por isso estou assim sozinha mais o meu marido aprendendo com blogs e estudando a bíblia, tentando fazer direito e agradar ao senhor.
    Fique com Deus,
    Vânia

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    1. Olá, Vânia! Salve Maria! Obrigada :)

      Na realidade, o que sei sobre doutrina e sobre a Igreja Católica foi por ler o Catecismo de São Pio X e o Catecismo Romano, e também por ler alguns livros piedosos, especialmente de santos, como os livros de Meditações de Santo Afonso, partes da Suma Teológica de São Tomás de Aquino, entre outros.

      O primeiro passo para se conhecer bem a doutrina católica é estudar o Catecismo. Estudar a bíblia em primeiro lugar não vai ajudar muito e pode até mesmo não ser bom, pois existem muitas passagens que são de difícil compreensão, e se lemos essas passagens primeiro antes de sabermos a doutrina católica, podemos incorrer em erros de interpretação e de entendimento. Por isso, recomendo fortemente que você adquira o Catecismo de São Pio X. Ele é pequeno, bem simples e de fácil compreensão, feito em forma de perguntas e respostas, e não é um livro caro. Pode ser adquirido neste site. Eu também aconselho você a adquirir o Catecismo Romano. Infelizmente, não consegui encontrá-lo para venda, mas você pode fazer o download dele clicando neste link. O Catecismo Romano é ótimo, pois ele é bem minucioso nas explicações sobre as verdades de Fé.

      Caso você deseje alguma explicação a mais, envie-me um email através do formulário de contato. Coloco-me à disposição para lhe ajudar.

      Fica com Deus!
      Em Cristo,
      Melissa Bergonso

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