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sábado, 15 de setembro de 2012

Sete Dores de Nossa Senhora (15 de Setembro)

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Nossa Senhora das DoresMaria deixara-se ficar de pé junto da Cruz do Senhor[1], e, como o predissera Simeão, «uma espada de dor atravessara-lhe a alma»[2]. Impotente, «vira o Filho nas angústias da morte e recolhera-Lhe o último suspiro»[3]. A dor que lhe ferira, à beira da Cruz, o seu coração maternal, mereceu-Lhe a palma do martírio[4].
 
Celebrada já no século XVII com grande solenidade pelos servitas, a festa das Sete Dores de Maria só em 1817 foi estendida à Igreja universal, em memória dos sofrimentos que a Santa Igreja padecera na pessoa do Pontífice exilado e detido e depois restituído à liberdade por intercessão da Senhora.
 
Pio X elevou-a em 1908 à categoria de 2ª classe e em 1912 fixou-a a 15 de Setembro, oitava da Natividade. Assim como a festa das Sete Dores no Tempo da Paixão nos lembra a parte que Maria teve no sacrifício de Jesus, esta no Tempo depois de Pentecostes diz-nos da compaixão que a Mãe do Salvador sente para com a Igreja, esposa de Jesus e com Ele crucificada, e cuja devoção às dores de Maria aumenta nos tempos calamitosos que atravessa.
 
1ªs Vésperas:
 
Antífona 1: Para onde foi o teu amado, ó mais formosa das mulheres? Para onde se retirou, que iremos procurá-Lo contigo?
 
Antífona 2: Afastai-vos de mim. Quero chorar a minha dor amarga. Não vos deis o trabalho de me consolar.
 
Antífona 3: Já não tem formosura nem beleza. Vimo-Lo e não parecia ele.
 
Antífona 4: Desde a planta dos pés até à cabeça não há nele lugar sem ferida.
 
Antífona 5: Reanimai-me com flores e fortificai-me com frutos, porque elanguesço de amor.
 
Capítula (Lam 2, 13): A que te hei de comparar, a quem te hei de assemelhar, ó filha de Jerusalém? A quem te poderei igualar para consolar-te, ó virgem filha de Sião? A tua dor é grande como o Oceano.
 
2ªs Vésperas:
 
Antífona de Magnificat (Job 16, 8 e 16): Estou oprimida pela dor. Tenho o rosto entumecido pelo pranto e os olhos escurecidos de chorar.
 
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[1] Introito, Graduale, Sequentia, Alleluia, Evangelii.
[2] Secreta.
[3] Sequentia.
[4] Communio.
 
Missal Quotidiano e Vesperal: por Dom Gaspar Lefebvre. Bruges, 1951, p.1617-1620.
 
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sábado, 7 de abril de 2012

Soledade de Maria Santíssima depois da sepultura de Jesus

3 comentários:
Santo Afonso Maria de Ligório

Desolação de Maria
Posuit me desolatam, tota die maerore confectam — «Pôs-me em desolação, afogada em tristeza todo o dia» (Jer 1, 13).

Sumário. Ah, que noite de dor foi para Maria a que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! A desolada Mãe volve os olhos em torno de si, e já não vê o seu Jesus, mas representam-se-lhe diante dos olhos todas as recordações da bela vida e da desapiedada morte do Filho. Como se não pudesse crer em seus próprios olhos: Filho, pergunta a João, aonde está o teu mestre? e à Madalena: Filha, dize-me onde está o teu dileto?... Minha alma, roga à Santíssima Virgem, que te admita a chorar consigo. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor dos teus pecados.

I. Diz São Boaventura que, depois da sepultura de Jesus, as mulheres piedosas velaram a Bem-Aventurada Virgem com um manto lúgubre, que lhe cobria todo o rosto. Acrescenta São Bernardo, que na volta do sepulcro para a sua casa a pobre Mãe andava tão aflita e triste, que comovia muitos a chorarem, ainda que involuntariamente: Multos etiam invitos ad lacrimas provocabat. De modo que, por onde passava, todos aqueles que a encontravam, não podiam conter as lágrimas. Os santos discípulos e as mulheres que a acompanhavam, quase que choravam mais as penas de Maria do que a perda de seu Senhor.

Quando a Virgem passou por diante da Cruz, banhada ainda com o sangue do seu Jesus, foi a primeira a adorá-la. Ó santa Cruz, disse então, eu te beijo e te adoro, já que não és mais madeiro infame, mas trono de amor e altar de misericórdia, consagrado com o sangue do Cordeiro divino, que em ti foi imolado pela salvação do mundo. — Deixa depois a Cruz e volta à casa. Chegada ali, a aflita Mãe volve os olhos em torno, e não vê mais o seu Jesus; em vez da presença do querido Filho, apresentam-se-lhe os olhos todas as recordações da sua bela vida e da sua desapiedada morte.

Recorda-se dos abraços dados ao Filho no presépio de Belém, da conversação com ele por trinta anos na casa de Nazaré; recorda-se dos mútuos afetos, dos olhares cheios de amor, das palavras de vida eterna saídas daquela boca divina. E depois se lhe representa a cena funesta presenciada naquele mesmo dia; vêm-lhe à memória os cravos, os espinhos, as carnes dilaceradas do Filho, as chagas profundas, os ossos desencarnados, a boca aberta, os olhos escurecidos. E com tão funesta recordação, quem poderá dizer qual tenha sido a dor, a desolação de Maria?

II. Ah, que noite de dor foi para a Bem-Aventurada Virgem aquela que se seguiu à sepultura do seu divino Filho! Voltando-se a dolorosa Mãe para São João, perguntou-lhe com voz triste: Ah! filho, onde está teu mestre? Depois perguntou à Madalena: Filha dize-me, onde está o teu dileto? Ó Deus! quem no-lo tirou?... Chora Maria, e todos os que estão com ela choram também. E tu, minha alma, não choras? — Ah! volta-te a Maria, e roga-lhe que te admita consigo a chorar. Ela chora por amor, e tu, chora pela dor de teus pecados: Fac ut tecum lugeam.

Minha aflita Mãe, não vos quero deixar só a chorar; não, quero acompanhar-vos também com as minhas lágrimas. Eis a graça que hoje vos peço: alcançai-me uma memória contínua, junto com uma terna devoção para com a paixão de Jesus e a vossa; afim de que todos os dias que me restam de vida, não me sirvam senão para chorar as vossas dores e as do meu Redentor. Espero que, na hora de minha morte, essas dores me darão confiança e força para não desesperar à vista das ofensas que tenho feito ao meu Senhor. Elas devem impetrar-me o perdão, a perseverança e o paraíso.

E Vós, + «ó meu Senhor Jesus Cristo, que para resgatar o mundo quisestes nascer, receber a circuncisão, ser condenado pelos Judeus, traído por Judas com um ósculo, acorrentado, levado para o sacrifício como inocente cordeiro, arrastado com tanta ignomínia diante de Anás, Caifás, Pilatos e Herodes, acusado por falsas testemunhas, flagelado, esbofeteado, carregado de opróbrios, coberto de escarros, coroado de espinhos, ferido com uma cana, vendado, despojado de vossos vestidos, pregado e levantado na cruz entre dois ladrões, abeberado de fel e vinagre e traspassado por uma lança; suplico-Vos, ó Senhor, em nome dessas santas penas que venero, ainda que indigno, suplico-Vos por vossa santa cruz e morte, livrai-me do inferno e dignai-Vos levar-me para onde levastes o bom ladrão crucificado convosco, ó meu Jesus, que viveis e reinais como Pai e o Espírito Santo, por todos os séculos dos séculos. Assim seja».[1] (* I 252.)

[1] Ajuntando-se 5 Pai Nossos, Ave Marias, Glória Patri a esta oração, pode-se ganhar uma indulgência de 300 dias uma vez por dia.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.423-425

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Sétima Dor de Maria Santíssima – Sepultura de Jesus

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Jesus é sepultado
Involvit sindone, et possuit eum in monumento — «Amortalhou-o no sudário, e depositou-o no sepulcro» (Mc 15, 46).

Sumário. Consideremos como a Mãe dolorosa quis acompanhar os discípulos que levaram Jesus morto à sepultura. Depois de o ter acomodado com suas próprias mãos, diz um último adeus ao Filho e ao sepulcro, e volta para casa, deixando o coração sepultado com Jesus. Nós também, à imitação de Maria, encerremos o nosso coração no santo Tabernáculo, onde reside Jesus, já não morto, mas vivo e verdadeiro como está no céu. Para isso é mister que o nosso coração esteja desapegado de todas as coisas da terra.

I. Quando uma mãe assiste a seu filho que padece e morre, sem dúvida ela sente e sofre todas as penas do filho; mas quando o filho atormentado, já morto, deve ser sepultado e a aflita mãe deve despedir-se dele, ó Deus! o pensamento de o não tornar a ver é uma dor que excede todas as outras dores. Esta foi a última espada que traspassou o coração aflito de Maria.

Para melhor considerá-la, voltemos ao Calvário e observemos atentamente a aflita Mãe, que ainda tem abraçado seu Jesus morto e se consome de dor ao beijar-lhe as chagas. Os santos discípulos, temendo que ela expirasse pela veemência da dor, animaram-se a tirar-lhe do regaço o depósito sagrado, para o sepultarem. Com violência respeitosa tiraram-lh'o dos braços, e embalsamando-o com aromas, envolveram-no em um sudário adrede preparado. — Eis que já o levam à sepultura; já se põe em movimento o cortejo fúnebre. Os discípulos carregam o corpo exânime; inúmeros anjos do céu o acompanham; as santas mulheres o seguem e juntamente com elas vai a Mãe aflitíssima, acompanhando o Filho à sepultura.

Chegados que foram ao lugar destinado, a divina Mãe acomoda nele com suas próprias mãos o corpo sacrossanto; e, oh! com quanta vontade Maria se sepultaria ali viva com seu Jesus! Quando depois levantaram a pedra para fechar o sepulcro, afigura-se-me que os discípulos do Salvador se voltaram para a Virgem com estas palavras: Eia, Senhora, deve-se fechar o sepulcro: tende paciência, vede pela última vez o vosso Filho e despedi-vos dele. — Ah! meu querido Filho (assim deve ter falado então a aflita Mãe), não te hei então de tornar a ver? Recebe, pois, nesta última vez que te vejo, recebe o último adeus de mim, tua afetuosa Mãe.

II. Finalmente os discípulos levantam a pedra e encerram no santo sepulcro o corpo de Jesus, aquele grande tesouro, a que não há igual nem na terra nem no céu. Diz São Boaventura, que a divina Mãe, antes de deixar o sepulcro, abençoou aquela sagrada pedra. E assim, dando o último adeus ao Filho e ao sepulcro, volta para a sua casa, mas deixa o seu coração sepultado com Jesus.

Sim, porque Jesus é todo o seu tesouro, e, como disse Jesus: Ubi thesaurus vester est, ibi et cor vestrum erit (Luc 12, 34) — «Onde está o vosso tesouro, aí estará também o vosso coração». E nós onde teremos sepultado o nosso coração? talvez nas criaturas? no lodo? E por que não o teremos sepultado com Jesus, o qual, bem que subido ao céu, contudo quis ficar, não morto, mas vivo, no Santíssimo Sacramento do altar, precisamente para ter consigo e possuir os nossos corações? Imitemos, pois, Maria; encerremos os nossos corações no santo Tabernáculo, para não mais o tornarmos a tomar. Entretanto, colocando-nos em espírito com a dolorosa Mãe junto ao sepulcro de Jesus, unamos os nossos afetos com os de Maria e digamos com amor:

Ó meu Jesus sepultado! beijo a pedra que Vos encerra. Mas ressuscitastes ao terceiro dia. Ah! pelos méritos de vossa gloriosa Ressurreição, fazei com que no último dia eu ressuscite convosco na glória, para estar sempre unido convosco no céu, para Vos louvar e amar eternamente. Eu Vo-lo peço pela vossa paixão, e pela dor que sentiu a vossa querida Mãe, quando Vos acompanhou ao sepulcro. (* I 251.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.420-422.

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sexta-feira, 6 de abril de 2012

Arte Sacra » Mãe Dolorosa da Divina Graça

2 comentários:
Por Melissa Bergonso
 
Hoje, Sexta-feira Santa, é dia de nos recolhermos e meditarmos sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo. Com quanto amor Nosso Senhor nos amou a ponto de morrer para nos salvar! E ao ver seu querido Filho sendo ultrajado e morto tão cruelmente, quanto não sofreu a Virgem Puríssima?! Será que podemos imaginar tamanho sofrimento de uma Mãe? Certamente não podemos. Tudo o que imaginarmos será apenas uma sombra distante da real dor que traspassou o Coração Imaculado de Maria Santíssima...
 
Para meditar melhor as dores que afligiram o Imaculado Coração de Nossa Mãe do Céu, publiquei algumas meditações de Santo Afonso sobre as Dores de Maria Santíssima. Mas, para ajudar visualmente essas meditações, eu gostaria de deixar aqui algumas fotos de uma escultura feita pelo artista Antonio José Martínez Rodríguez. São obras fantásticas, feitas em madeira policromada, em tamanho real. Eu já tinha publicado um vídeo com uma obra lindíssima dele, “Mater Lacrimosa”, feita para a quaresma do ano passado. Hoje deixo as fotos da obra “Mãe Dolorosa da Divina Graça”, feita para as procissões da Semana Santa deste ano de 2012, em León, Espanha.
 
Ao ver a expressão desta obra de arte, não há como não se comover. Que possamos consolar Nossa Senhora pelas injúrias que seu Divino Filho Jesus ainda recebe dos homens ingratos que, preferindo uma vida de pecados, rejeitam-No friamente.
 
DivGrac_07
 
DivGrac_01     DivGrac_03
 
DivGrac_06     DivGrac_10
 
Mãe Dolorosa, Mãe da Divina Graça, rogai por nós, pobres pecadores!
 
Uma Sexta-feira Santa para todos!
 

Este artigo foi originalmente publicado no Mulher Católica. Se você estiver lendo-o em outro blog ou site, trata-se de plágio e de violação dos direitos autorais. Por favor, entre em contato e comunique-me. Obrigada.
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Sexta Dor de Maria Santíssima – Jesus é descido da Cruz

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Santo Afonso Maria de Ligório

Jesus é descido da cruz
Ioseph, deponens eum, involvit sindone — «José, depondo-o da cruz, o amortalhou no sudário» (Mc 15, 46).

Sumário. Consideremos como, depois da morte do Senhor, dois dos seus discípulos, José e Nicodemo, o descem da cruz e o depõem nos braços da aflita Mãe, que com ternura o recebe e o aperta contra o peito. Se Maria fosse ainda capaz de dor, que pena sentiria vendo que os homens, tendo visto seu Filho morto por amor deles, continuam a maltratá-lo com os seus pecados? Não atormentemos mais a nossa aflita Mãe, e se pelo passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, voltemos arrependidos ao Coração aberto de seu Jesus.

I. Temendo a Mãe dolorosa, que depois do ultraje da lançada outras injúrias fossem feitas a seu amado Filho, pede a José de Arimateia, obtivesse de Pilatos o corpo de seu Jesus, afim de que ao menos morto o pudesse guardar e livrar dos ultrajes. Foi José ter com Pilatos e expôs-lhe a dor e o desejo da aflita Mãe, e diz Santo Anselmo que a compaixão para com ela enterneceu Pilatos e o moveu a conceder-lhe o corpo do Salvador.

Eis que descem Jesus da cruz. Foi revelado a Santa Brígida que para o descimento encostaram à cruz três escadas. Primeiro, os santos discípulos despregaram as mãos e depois os pés, e os cravos foram entregues a Maria, como refere Metafrastes. Depois, segurando um o corpo de Jesus por cima, e outro por baixo, o desceram da cruz. Bernardino de Bustis medita como a aflita Mãe se levanta sobre as pontas dos pés, e, estendendo os braços, vai receber o querido Filho; abraça-o e depois senta-se debaixo da cruz.

Vê a boca aberta e os olhos escurecidos; examina aquelas carnes dilaceradas, aqueles ossos descarnados; tira-lhe a coroa e examina o estrago feito pelos espinhos naquela santa cabeça; observa as mãos e os pés traspassados, e diz: Ah, meu Filho! A que estado te reduziu o amor para com os homens! Que mal lhes fizeste para assim te maltratarem? Ah! Meu Filho, vê como estou aflita, olha-me e consola-me; mas já não me vês. Fala, dize-me uma palavra e consola-me; mas já não falas, porque estás morto... Ó espinhos cruéis, cravos atrozes, bárbara lança, como pudestes atormentar assim o vosso Criador? Mas, que espinhos, que cravos! Ah, pecadores, exclamava, assim tendes maltratado o meu Filho!

II. Ó Virgem Santíssima, depois que vós com tanto amor destes ao mundo o vosso Filho para a nossa salvação, eis que o mundo já vo-lo restitui. — Mas, ó Deus! como me restituis tu? dizia então Maria ao mundo. Dilectus meus candidus et rubicundus (Cant 5, 10). Meu Filho era branco e vermelho; mas tu m'o restituis negro pelas contusões, e vermelho, não pela cor, mas pelas chagas que lhe tens aberto. Ele era belo, agora, em vez de belo, é todo deforme; ele encantava com o seu aspecto, agora causa horror a quem o vê.

Assim se expressava então Maria e se queixava de nós. Mas se agora fosse ainda capaz de dor, que diria? e que pena sentiria, ao ver que os homens, depois da morte de seu Filho, continuam a maltratá-lo e crucificá-lo com os seus pecados? Não continuemos, pois, a atormentar esta dolorosa Mãe, e se pelo passado nós também a temos afligido com as nossas culpas, façamos o que ela mesma nos diz: Redite, praevaricatores, ad cor (Is 46, 8): Pecadores, voltai ao Coração ferido de meu Jesus; voltai arrependidos, e ele vos acolherá. — Revelou a mesma Bem-Aventurada Virgem a Santa Brígida, que ao Filho descido da cruz ela fechou os olhos, mas não pode fechar-lhe os braços, dando com isso Jesus Cristo a entender que queria ficar com os braços abertos, para acolher todos os pecadores arrependidos, que voltam para ele.

Ó Virgem dolorosa, ó alma grande nas virtudes e grande também nas dores, pois que tanto estas como aquelas nascem do grande incêndio de amor que tendes a Deus. Ah, minha Mãe! tende piedade de mim, que não tenho amado a Deus e o tenho ofendido. As vossas dores me dão grande confiança para esperar o perdão. Mas isto não me basta; quero também amar o meu Senhor, e quem me pode alcançar isto melhor do que vós, que sois a Mãe do belo amor? Ah Maria! vós consolais a todos; consolai-me também a mim. (* I 249.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.418-420.

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quinta-feira, 5 de abril de 2012

Quinta Dor de Maria Santíssima – Morte de Jesus

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Maria aos pés da Cruz
Et erit vita tua quasi pendens ante te — «A tua vida estará como suspensa diante de ti» (Deut 28, 66).

Sumário. Contemplemos acerba dor de Maria Santíssima no Calvário, obrigada a assistir a Jesus moribundo, a ver todas as penas que ele padecia, sem contudo lhe poder dar alívio. Então, a aflita Mãe não cessou de oferecer a vida do Filho à divina justiça pela nossa salvação. Lembremo-nos que pelo merecimento de suas dores cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça. Por isso todos nós somos seus filhos. Oh, como a Virgem exerceu sempre e ainda exerce bem o ofício de Mãe! Mas como nos havemos nós como filhos?

I. Fogem as mães da presença dos filhos moribundos; e se por acaso alguma mãe se vê obrigada a assistir a um filho que está para morrer, procura-lhe todos os alívios que pode dar. Concerta-lhe a cama, para que esteja em posição mais cômoda; serve-lhe refrescos, e assim a pobre mãe procura mitigar a própria dor. Ah, Mãe a mais aflita de todas as mães, ó Maria! Incumbe-vos o assistir a Jesus moribundo, mas não vos é permitido dar-lhe algum alívio.

Maria ouviu o Filho dizer: Sitio — tenho sede; mas não lhe foi permitido dar uma gota de água para lhe mitigar a sede. Só pode dizer-lhe, como contempla São Vicente Ferrer: Filho, não tenho senão a água de minhas lágrimas: Fili, non habeo nisi aquam lacrimarum. Via que sobre aquele leito de morte Jesus, pregado com três cravos de ferro, não achava repouso. Queria abraçá-lo para lhe dar alívio, ao menos para o deixar expirar entre seus braços; mas não podia. Via o pobre Filho, que naquele mar de aflições buscava quem o consolasse, como ele já tinha predito pela boca do profeta Isaías (Is 63, 5). Mas quem entre os homens o desejava consolar, se todos eram seus inimigos? Mesmo sobre a cruz um o blasfemava e escarnecia de uma maneira, outro de outra, tratando-o como impostor, ladrão, usurpador sacrílego da divindade, digno de mil mortes.

O que mais aumentou a dor de Maria e a sua compaixão para com o Filho, foi ouvi-lo sobre a cruz lamentar-se de o Eterno Pai também o ter abandonado: Deus, Deus meus, ut quid dereliquisti me? (Mat 27, 46) — «Deus meu, Deus meu, por que me desamparaste?». Palavras, como disse a Bem-Aventurada Virgem à Santa Brígida, que não puderam nunca mais sair-lhe da ideia enquanto viveu. De modo que a aflita Mãe via o seu Jesus atormentado de todas as partes; queria aliviá-lo, mas não podia. Pobre Mãe!

II. Pasmavam os homens, diz Simão de Cássia, vendo que a divina Mãe guardava o silêncio, sem se queixar no meio da sua grande dor. Mas, se Maria guardava o silêncio com a boca, não o guardava com o coração, porquanto naquelas horas não fazia senão oferecer à justiça divina a vida do Filho pela nossa salvação. Saibamos, pois, que pelo mérito de suas dores ela cooperou para nos fazer nascer para a vida da graça, e por conseguinte somos filhos das suas dores: Mulier, ecce filius tuus (Jo 19, 26) — «Mulher, eis aí teu filho».

Naquele mar de amargura era este o único alívio que então a consolava: o saber que por meio de suas dores nos conduzia à salvação eterna. — Desde então começou Maria a exercer para conosco o ofício de boa Mãe; pois que, como atesta São Pedro Damião, foi pelas súplicas de Maria que o bom ladrão se converteu e se salvou, querendo a divina Mãe recompensá-lo assim pela delicadeza que outrora lhe mostrou na viagem ao Egito. E o mesmo ofício de mãe tem a Bem-Aventurada Virgem continuado sempre e continua a exercer. Nós, porém, com as nossas obras mostramo-nos deveras seus dignos filhos?

Ó Mãe, a mais aflita de todas as mães! Morreu, enfim, vosso Filho, tão amável e que tanto vos amava! Chorai; que tendes razão para chorar. Quem jamais poderá consolar-vos? Só vos pode consolar o pensamento que Jesus com a sua morte venceu o inferno, abriu o céu fechado aos homens, e ganhou tantas almas. Do trono da cruz reinará sobre tantos corações que, vencidos pelo amor, com amor lhe servirão. Não recuseis entretanto, ó minha Mãe, que vos acompanhe a chorar convosco, já que mais que vós tenho razão de chorar pelas ofensas que tenho feito a vosso Filho. Ah, Mãe de misericórdia! Em primeiro lugar pela morte de meu Redentor, e depois pelos merecimentos de vossas dores, espero o perdão e a salvação eterna. (* I 245.)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.413-415.

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sábado, 31 de março de 2012

Quarta Dor de Maria Santíssima – Encontro com Jesus, que carrega a cruz

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Encontro de Nossa Senhora com Jesus, que carrega a cruz
Vidimus eum, et non erat aspectus, et desideravimus eum — «Vimo-lo, e não havia nele formusura, e por isso nós o estranhamos» (Is 53, 2).

Sumário. Consideremos o encontro que no caminho do Calvário teve o Filho com sua Mãe. Jesus e Maria olham-se mutuamente, e estes olhares são como outras tantas setas que lhes traspassam o Coração amante. Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera havia de inspirar-nos compaixão. E não nos moverá à ternura ver Maria que vai após o seu Cordeiro imaculado, enquanto o conduzem à morte por nós? Tenhamos compaixão dela, e procuremos também acompanhar a seu Filho e a ela, levando com paciência a cruz que nos dá o Senhor.

I. Medita São Boaventura que a Bem-Aventurada Virgem passou a noite que precedia a Paixão de seu Filho, sem tomar descanso e em dolorosa vigília. Chegada a manhã, os discípulos de Jesus Cristo vieram a esta aflita Mãe: um a referir-lhe os maus tratamentos feitos a seu Filho na casa de Caifás, outro os desprezos que recebeu de Herodes, mais outro a flagelação ou a coroação de espinhos. Numa palavra, cada um dava a Maria uma nova informação, cada qual mais dolorosa, verificando-se nela o que Jeremias tinha predito: Non est qui consoletur eam ex omnibus caris eius (Jer 1, 2) — «Não há quem a console entre todos os seus queridos».

Veio finalmente São João e lhe disse: «Ah, Mãe dolorosa! Teu Filho já foi condenado à morte, e já saiu, levando ele mesmo a sua cruz para ir ao Calvário. Vem, se o queres ver e dar-lhe o último adeus, em alguma rua, por onde tenha de passar».

Ao ouvir isto, Maria parte com João; e pelo sangue de que estava a terra borrifada conhece que o Filho já por ali tinha passado. A Mãe aflita toma por uma estrada mais breve e coloca-se na entrada de uma rua para se encontrar com o aflito Filho, nada se-lhe dando das palavras insultuosas dos Judeus, que a conheciam como mãe do condenado. — Ó Deus, que causa de dor foi para ela a vista dos cravos, dos martelos, das cordas e dos outros instrumentos funestos da morte de seu Filho! Como que uma espada foi ao seu coração o ouvir a trombeta, que andava publicando a sentença pronunciada contra o seu Jesus.

Mas eis que já, depois de terem passado os instrumentos e os ministros da justiça, levanta os olhos e vê, ó Deus! um homem todo cheio de sangue e de chagas, dos pés até à cabeça, com um feixe de espinhos na cabeça e dois pesados madeiros sobre os ombros. Olha para ele, e quase não o conhece, dizendo então com Isaías: Vidimus eum, et non erat aspectus (Is 53, 2) — «Nós o vimos e não havia nele formosura». Mas finalmente o amor lh'o faz reconhecer; e o Filho, tirando um grumo de sangue dos olhos, como foi revelado à Santa Brígida, encarou a Mãe e a Mãe encarou o Filho, Ó olhares dolorosos, com que, como tantas frechas, foram então traspassadas aquelas almas amantes!

II. Queria a divina Mãe abraçar a Jesus, como diz Santo Anselmo; mas os insolentes servos a repelem com injúrias, e empurram para diante o Senhor aflitíssimo. Maria, porém, segue — muito embora preveja que a vista de seu Jesus moribundo lhe causaria uma dor tão acerba, que a tornaria Rainha dos Mártires. O Filho vai adiante, e a Mãe tomando também a sua cruz, no dizer de São Guilherme, vai após ele, para ser crucificada com ele.

Se víssemos uma leoa que vai após seu filho conduzido à morte, aquela fera nos causaria compaixão. E não nos inspirará compaixão o ver Maria, que vai após o seu Cordeiro imaculado, enquanto o levam a morrer por nós? Tenhamos compaixão por ela, e procuremos também acompanhar o Filho e a Mãe, levando com paciência a cruz que nos envia o Senhor. — Pergunta São João Crisóstomo, porque nas outras penas Jesus Cristo quis ser só, mas a levar a cruz quis ser ajudado pelo Cirineu? E responde: Ut intelligas, Christi crucem non sufficere sine tua: Não basta para nos salvar só a cruz de Jesus Cristo, se nós não levamos com resignação até à morte também a nossa.

Minha dolorosa Mãe, pelo merecimento da dor que sentistes ao ver o vosso amado Filho levado à morte, impetrai-me a graça de levar também com paciência as cruzes que Deus me envia. Feliz de mim, se souber acompanhar-vos com a minha cruz até à morte! Vós e Jesus, sendo inocentes, levastes uma cruz muito pesada, e eu pecador, que tenho merecido o inferno, recusarei a minha? Ah, Virgem imaculada, de vós espero socorro, para sofrer com paciência as cruzes. (*I 242)

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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o primeiro Domingo do Advento até Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p.405-408.

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quinta-feira, 15 de setembro de 2011

Arte Sacra » Mater Lacrimosa

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Por Melissa Bergonso

Vi este vídeo no blog A Hora de Maria e não posso deixar de compartilhar com vocês. Isto sim é arte sacra! Quase real... É de causar silêncio imediato de alma... Se esta imagem é capaz de exprimir uma tão grande dor, quanto maior não deve ter sido a dor que sentiu o Coração de Maria Santíssima ao ver Jesus pregado e morrendo na cruz?... Não dá nem para imaginar...

Ó Rainha e Mãe das Dores, rogai por nós, pecadores...!

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Festa das Dores de Maria Santíssima - 15 de Setembro

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Compatimur ut et glorificemur — «Padecemos com ela para sermos também com ela glorificados» (cf. Rom 8, 17).

Sumário. Oh! como aprouve a Deus glorificar já nesta terra as dores da Santíssima Virgem! Primeiro deu-lhe assim ocasião para patentear as suas belas virtudes, e especialmente a sua caridade para com Deus e o próximo. Em segundo lugar fê-la merecer o título glorioso de Rainha dos Mártires. Finalmente, foi pelas suas dores que Maria se tornou Mãe de todos os fiéis e Corredentora do gênero humano. Se nos quisermos mostrar seus dignos filhos, alegremo-nos com a nossa boa Mãe e esforcemo-nos por a imitarmos, carregando com paciência as nossas cruzes. Assim virá também para nós o dia em que seremos glorificados com ela no céu.

I. Consideremos o modo admirável de que o Senhor glorificou já nesta terra à Santíssima Virgem, por se ter associado voluntariamente à Paixão do seu divino Filho. — Primeiro, forneceu-lhe assim a ocasião para patentear ao mundo as suas sublimes virtudes, especialmente a sua ardente caridade para com Deus e o próximo. Com efeito, sendo o sofrer pela pessoa amada a prova mais patente do amor, e tendo Maria sofrido mais do que outro qualquer, pelo amor de Jesus Cristo e dos homens, provou igualmente que mais do que nenhum outro amava estes dois objetos tão caros ao seu Coração.

Em segundo lugar, em recompensa pelo martírio indizível que a Virgem sofreu no Coração, comunicou-lhe Deus o título glorioso de Rainha dos Mártires; assim como deu a seu Filho o título de Rei das Dores, em recompensa dos tormentos inexprimíveis sofridos no corpo.

Finalmente, assim como Jesus Cristo se tornou o nosso Redentor, por nos ter remido da escravidão do demônio pelos merecimentos da sua Paixão, também Maria, porque uniu voluntariamente as suas penas com as do Filho, e pelos merecimentos das suas dores, coadjuvou a causa da nossa salvação, tornou-se Corredentora do gênero humano. — É exatamente o que Jesus Cristo declarou do alto da cruz, depositando nas mãos dela, como diz São Bernardo, todo o preço da Redenção, e proclamando-a Mãe de todos os fiéis na pessoa de João: Mulier, ecce filius tuus (Jo 19, 26) — «Mulher, eis aí teu filho».

Também nós temos a dita de ser filhos desta grande Mãe; e por isso, alegremo-nos com ela pela glorificação das suas dores e sejamos-lhe sempre devotos, reconhecendo-a como criatura mais abrasada em amor e como verdadeira Rainha dos Mártires e Corredentora do mundo.

II. Sendo esta terra um lugar de merecimentos, é chamada com razão vale de lágrimas; pois que todos somos destinados a sofrer. O merecimento, porém, não consiste somente em sofrermos, mas em sofrermos com paciência e conformidade com a vontade divina. São João viu todos os santos com palmas, símbolo do martírio, nas mãos: Vidi turbam magnam... et palmae in manibus eorum (Apoc 7, 9). Desta forma insinua que todos os adultos que venham a salvar-se devem ser mártires, quer pelo sangue, quer pela paciência.

Nós também, como observa São Gregório, podemos, assim como a divina Mãe, ser mártires sem o ferro do algoz, praticando a virtude da paciência. — Se, pois, oferecermos a Deus, pela conversão dos pecadores, as penas que forçosamente havemos de sofrer, e se sofrermos essas penas exatamente com a intenção de cooperarmos para esta conversão, então, na palavra de Pedro de Blois, seremos também de alguma sorte corredentores.

Como fruto desta meditação, abracemos com resignação e pelo amor de Deus todas as tribulações que nos possam vir durante o dia, especialmente as enfermidades, as perseguições, as injúrias, os desprezos. E quando sentirmos o peso das cruzes, olhemos para a Rainha dos Mártires, e pensando na sua glorificação, digamos: Padecemos com Maria para também sermos com Maria glorificados. — Ó Mãe das Dores, proponho imitar as vossas virtudes, e especialmente a vossa paciência; ajudai-me a ser-vos fiel. «E Vós, ó meu Jesus, sede-me propício, e concedei-me a graça de experimentar o feliz efeito da vossa Paixão, na qual, como o havia profetizado Simeão, uma espada de dor traspassou a alma tão terna da gloriosa Virgem Maria, vossa Mãe, cujas dores celebramos e honramos»[1].

[1] Or. festi.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.363-365.

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sábado, 16 de abril de 2011

Comemoração das sete Dores de Maria Santíssima.

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Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Sete Dores de Maria Santíssima O vos omnes qui transitis per viam, attendite et videte, si est dolor sicut dolor meus — «Ó vós todos os que passais pelo ca­minho, atendei e vede, se há dor semelhante à minha dor» (Lm 1, 12).
 
Sumário. Bem compete à Bem-Aventurada Virgem o título de Rainha dos Mártires, porque, semelhante em tudo a Jesus, sofreu, em toda a sua vida, no coração um martírio, ao mesmo tempo o mais longo e o mais doloroso. E o seu martírio não ficou estéril; muito ao contrário, produziu um fruto inestimável de vida eterna, de modo que todos os que se salvam, são disso devedores, depois de Jesus Cristo, às dores de Maria. Se nos queremos mostrar verdadeiros filhos da nossa aflita Mãe, imitemos a sua paciência e resignação.
 
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sábado, 9 de abril de 2011

Dor de Maria Santíssima em consentir na morte de Jesus

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Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Virgem Maria em lágrimas Proprio Filio suo non pepercit, sed pro nobis omnibus tradidit illum ― «Não poupou a seu próprio Filho, mas entregou-o por nós todos» (Rm 8, 32).
 
Sumário. Embora Maria Santíssima já tivesse consentido na morte de Jesus Cristo, desde que aceitou a maternidade divina, quis todavia o Pai Eterno, que ela renovasse o consentimento no tempo da Paixão, afim de que, juntamente com a vida do Filho, fosse também sacrificado o coração da Mãe. Pelos merecimentos deste consentimento tão espontâneo como doloroso, a Santíssima Virgem foi feita Reparadora do gênero humano, e credora de toda a nossa gratidão. Quantos, porém, lhe pagam com a ingratidão mais monstruosa, renovando pelo pecado a paixão do Filho e as dores da Mãe!
 
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sábado, 2 de abril de 2011

Terceira Dor de Maria Santíssima – Perda de Jesus no templo

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Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Perda de Jesus no TemploEcce pater tuus et ego dolentes quaerebamus te ― «Eis que teu pai e eu te andávamos buscando cheios de aflição» (Lc 2, 48).
 
Sumário. A dor de Maria pela perda de Jesus foi sem dúvida uma das mais acerbas; porque ela então sofria longe de Jesus, e a humildade fazia-lhe crer que o Filho se tinha apartado dela por causa de alguma negligência sua. Sirva-nos esta dor de conforto nas desolações espirituais; e ensine-nos o modo de buscarmos a Deus, se jamais para nossa desgraça viermos a perdê-Lo por nossa culpa. Lembremo-nos, porém, de que quem quiser achar a Jesus, não o deve buscar entre os prazeres e delícias, mas no pranto, entre as cruzes e mortificações, assim como Maria o procurou.
 
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sábado, 19 de março de 2011

Segunda dor de Maria Santíssima – Fuga para o Egito

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Accipe puerum et matrem eius, et fuge in Aegyptum ― «Toma o Menino e sua Mãe, e foge para o Egito» (Mt 2, 13).

Sumário. A profecia de São Simão acerca da Paixão de Jesus e das dores de Maria começou desde logo a realiza-se na fuga que teve de fazer para o Egito, afim de subtrair o Filho à perseguição de Herodes. Pobre Mãe! quanto não devia ela sofrer tanto na viagem como durante a sua permanência naquele país entre os infiéis! Vendo a Sagrada Família na sua fuga, lembremo-nos que nós também somos peregrinos sobre a terra. Para sentirmos menos os sofrimentos do exílio, à imitação de São José tenhamos conosco no coração a Jesus e Maria.

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sábado, 12 de março de 2011

Primeira dor de Maria Santíssima – Profecia de Simeão

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Tuam ipsius animam pertransibit gladius ― «Uma espada transpassará a tua alma» (Lc 2, 35).

Sumário. O Senhor usa esta compaixão conosco, de não nos deixar ver as cruzes que nos esperam, afim de que as tenhamos de sofrer uma só vez. Maria Santíssima, ao contrário, depois da profecia de São Simeão, tinha sempre diante dos olhos e padecia continuamente todas as penas que a esperavam na Paixão do Filho. Mas se Jesus e Maria inocentes tanto padeceram por nosso amor, como ousaremos lamentar-nos, nós que somos pecadores, quando temos de padecer um pouco por amor deles?

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sábado, 5 de março de 2011

Frutos da meditação das dores de Maria Santíssima

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Sicut qui thesaurizat, ita et qui honorat matrem suam ― «Como quem ajunta um tesouro, assim se porta o que honra sua mãe» (Eclo 3, 5).

Sumário. Por causa do imenso amor com que Jesus Cristo ama sua querida Mãe, são-lhe muito agradáveis os que com devoção meditam nas dores de Maria Santíssima, e inúmeras são as graças que lhes comunica. Mas infelizmente, quão poucos são os que praticam tão bela devoção! Muitos cristãos, em vez de se compadecerem das dores de Maria, lh’as renovam com seus pecados ou sua tibieza. Irmão meu, serás tu também um destes ingratos?

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