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sábado, 13 de agosto de 2011

Oremos por nossas famílias!

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Por Melissa Bergonso

A oração é imprescindível para o crescimento da vida espiritual do cristão, e não lhe pode faltar em momento algum. A alma que não reza está fadada a perder-se. No Diário de Santa Fautisna Kowalska podemos ler o seguinte:

"É pela oração que a alma se arma para toda espécie de combate. Em qualquer estado em que se encontre, a alma deve rezar. — Tem que rezar a alma pura e bela, porque de outra forma perderia a sua beleza; deve rezar a alma que está buscando essa pureza, porque de outra forma não a atingiria; deve rezar a alma recém-convertida, porque de outra forma cairia novamente; deve rezar a alma pecadora, atolada em pecados, para que possa levantar-se. E não existe uma só alma que não tenha a obrigação de rezar, porque toda a graça provém da oração". (146)

Nestes dias em que vivemos, por causa da imoralidade e de tantas ideologias anti-católicas que nos permeiam, precisamos rezar triplamente mais, e não somente por nós mesmos, mas também pela nossa família, pelos nossos pais, pelos nossos filhos!

Lembro-me que meu pai costumava dizer: “família que reza unida, permanece unida”, e essa é a mais pura verdade! Quantos lares não são destruídos por não terem Deus em seu centro? E quantos filhos não se perdem e não se desviam do caminho de Deus por causa da falta de zelo de seus pais em educá-los e introduzi-los no caminho da vida cristã, especialmente na vida de oração?

Um lar verdadeiramente cristão possui Deus em seu centro, e tudo em seu interior é feito sempre “olhando” para Nosso Senhor Jesus Cristo. A família que realmente é cristã sabe rejeitar tudo aquilo que não vem de Deus e renunciar a tudo aquilo que não leva a Ele também. Deste modo, uma alma que desde cedo aprende a amar a Deus dificilmente se distanciará dEle, e dificilmente cairá na desgraça de viver em pecado mortal.

Não podemos nos esquecer que as mães têm um papel primordial e fundamental na família, pois são elas as responsáveis pela educação cristã dos filhos e pela lapidação de suas almas. Assim sendo, sua responsabilidade é muito grande, e elas terão de prestar contas mais tarde a Deus, respondendo pela alma daqueles que foram postos sob seus cuidados. — Ah, mães, vocês deveriam tremer ante esta tamanha responsabilidade que foi colocada em suas mãos!

Se a mulher soubesse seu valor dentro da família a sociedade não estaria tão caótica como está hoje, as crianças não teriam tantos problemas emocionais nem psicológicos, e a família teria seu lugar na sociedade (o que não acontece mais hoje, pois até o “conceito” de família já mudou...).

Como precisamos urgentemente rezar pelas nossas famílias, deixo abaixo algumas orações. As três primeiras são para a família através da Sagrada Família. A quarta é para os pais, e oh! como precisamos rezar por nossos pais, aqueles que nos deram a vida, que nos criaram, a quem devemos o que somos! A quinta oração é das mães para os filhos e para a família.

Que São José, Pai Nutrício de Nosso Senhor Jesus Cristo, interceda por todas as famílias brasileiras e afaste de nossa Pátria todos os males que assolam os fundamentos familiares! E que a Sagrada Família seja o espelho das famílias cristãs!

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ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA

Jesus, Maria e José, modelos perfeitíssimos de recolhimento, caridade e humildade, alcançai-nos a graça de imitarmos as sublimes virtudes que praticastes na terra, e dignai-vos proteger a todos nós, que agora prostrados na vossa presença imploramos o vosso patrocínio. Lembrai-vos, ó Jesus, Maria e José, que somos todos vossos; defendei-nos, pois, de todo e qualquer perigo, socorrei-nos em nossas necessidades e dai-nos graça para nos mantermos constantemente na imitação da vossa santa Família, a fim de que, servindo-vos fielmente aqui na terra, possamos depois bendizer-vos por toda a eternidade no céu. Assim seja.

CONSAGRAÇÃO DAS FAMÍLIAS CRISTÃS

Ó Jesus, nosso amabilíssimo Redentor, que, vindo do céu para ser a luz do mundo com a doutrina e com o exemplo, quisestes passar a maior parte da vossa vida mortal humilde e submisso a Maria e José na pobre casa de Nazaré, para santificar essa Família que devia ser o modelo da família cristã; dignai-vos acolher benignamente as nossas famílias que agora se dedicam e consagravam a vós. Protegei-as, guardai-as e fazei que nelas reine, com o vosso amor, a paz e a concórdia da caridade cristã, a fim de que possam conformar-se com o divino modelo da vossa sagrada Família, e todas, sem exceção de ninguém, mereçam alcançar a eterna felicidade.

Ó Maria, Mãe amorosíssima de Jesus e nossa Mãe, fazei, por vossa piedosa intercessão, que Jesus acolha benignamente a oferta que lhe fazemos de nossas famílias, e nos conceda as suas graças e bênçãos.

Ó S. José, guarda amorosíssima de Jesus e Maria, concedei-nos socorro do vosso patrocínio em todas as nossas necessidades espirituais e temporais, a fim de que possamos, com a bem-aventurada Virgem Maria e convosco, louvar e bendizer eternamente a Jesus Cristo, nosso divino Redentor. Assim seja.

Pai Nosso, Ave Maria, Glória ao Pai.

ORAÇÃO À SAGRADA FAMÍLIA PELA PRÓPRIA FAMÍLIA

Amorosíssimo Jesus, que com as inefáveis virtudes e os admiráveis exemplos da vossa vida doméstica, santificastes a Família que vós mesmo escolhestes para vós aqui na terra: volvei um olhar piedoso para toda a minha família que implora a vossa proteção. Lembrai-vos, Jesus, que também esta família vos pertence. Assisti-a, pois, benignamente; defendei-a em suas necessidades, afastai dela todo mal, e concedei-lhe a graça de conservar-se constante na imitação da vossa santa Família, a fim de que, servindo-vos fielmente e amando-vos na terra, possa depois bendizer-vos eternamente no paraíso.

Ó Maria, Mãe dulcíssima, recorro à vossa intercessão, certo de que o vosso divino Filho ouvirá as vossas preces em favor da minha família.

E vós também, glorioso patriarca São José, que tivestes o sublimíssimo cargo de chefe da santa Família, valei-me com a vossa poderosa proteção, e apresentai a Jesus pelas mãos de Maria a minha família, para que a abençoe e livre de todo mal. Assim seja. Glória Pai...

ORAÇÃO PELOS PAIS

Ó meu Deus, Pai de bondade e misericórdia, atendei propício às súplicas que vos faço em favor dos meus queridos pais, que reconheço como singular favor das vossas mãos. Vós destes, Senhor, o preceito do amor filial, dizendo: “Honrarás pai e mãe!”. Imprimistes em nossa alma este tão doce sentimento, ao qual quisestes também ligar a nossa felicidade, ainda mesmo sobre a terra. Vinde, pois, em meu auxílio e satisfazei por mim quanto devo aos seus cuidados e ternura que jamais poderei reconhecer bastante. Derramai sobre meus pais as vossas preciosas e mais abundantes bênçãos; recompensai a sua caridade nesta vida, segundo os desígnios da vossa providência, e na outra, com a felicidade eterna. Ó meu Deus, concedei a meus bons pais largos anos de vida, para que me protejam na infância e na juventude, em que tanto necessito de sua assistência, e também, para que na sua velhice possa eu ter a consolação de os acompanhar e prodigalizar-lhes os serviços de que precisarem.

Venho agora pedir também que me façais dócil, obediente e humilde, para vos agradar, ó meu deus, e para dar igualmente satisfação aos meus queridos pais. Não permitais, Senhor, que jamais lhes cause o menor desgosto, antes fazei que eu lhes dê todo o prazer que devem esperar do meu amor. Ó meu Deus, abençoai para sempre e em tudo a meus pais, pelo amor de Jesus Cristo, Nosso Senhor. Assim seja.

ORAÇÃO DAS MÃES CRISTÃS PELOS FILHOS E PELA FAMÍLIA

Nossa Senhora do Sagrado Coração, Virgem imaculada, rogai por nossos filhos ao Coração adorável de Jesus, que não recusa nada à sua Mãe! Intercedei-lhe pela união e paz em nossas famílias.

Santos anjos da guarda, orai por eles.
São José, protegei nossa intenção.
São João, discípulo bem amado, rogai por eles ao Coração de Jesus.
Santo Agostinho, rogai por eles.
São Luís, rogai por eles.
Santa Mônica, rogai por eles e por todos nós.

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Manual da Paróquia. Rio de Janeiro, Vozes, 5ª. edição, 1950, p. 226-228; 253-254. Compilado por Mons. Leovigildo Franca.
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domingo, 19 de dezembro de 2010

Vida Familiar: O Calvário em companhia de Jesus Cristo

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Frei Pio dava grande importância à vida familiar, não poupava conselhos nem ajuda, nem evitava intervenções milagrosas para salvar a família. Isso se relacionava com a sua convicção de que a vida na família é muito mais difícil do que por exemplo a vida religiosa, o que é testemunhado pelo conselho que deu a uma moça, a já mencionada Giovanna Rizzani, a quem proibiu terminantemente o ingresso no estado religioso, motivando isso com as palavras: “Deus destinou a você o Calvário, não o Tabor. A vida religiosa é o Tabor. No monte Tabor a gente procura a Deus, encontra-O e vive em união com Ele na oração e na contemplação. No Calvário, no entanto, encontra-se o sofrimento na crucificação em companhia de Jesus”.

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RYSKA, Czeslaw. A Vinha de Padre Pio. Curitiba: Congregação dos Padres Marianos, 1993, p. 133-134. 
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quinta-feira, 21 de outubro de 2010

As oito bem-aventuranças de uma casa

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1) Bem-aventurada a casa onde se reza, porque Deus habitará dentro dela. 

2) Bem-aventurada a casa onde se guardam as festas, porque seus moradores tomarão parte nas festas do céu. 

3) Bem-aventurada a casa de onde se não sai para frequentar diversões mundanas, porque nela reinará a alegria cristã. 

4) Bem-aventurada a casa cujos filhos são logo batizados, porque nela se criarão bem-aventurados para o céu. 

5) Bem-aventurada a casa na qual se pratica a caridade para com os pobres, porque o trabalho de seus moradores será abençoado por Deus. 

6) Bem-aventurada a casa onde os que morrem recebem os santos sacramentos, porque sua morte será tranquila e cheia de esperanças. 

7) Bem-aventurada a casa onde se ama a doutrina cristã, porque nela jamais faltarão as consolações da religião. 

8) Bem-aventurada a casa na qual pais e filhos mutuamente se edificam pelos exemplos de virtude, porque a felicidade e o contentamento aí morarão também. 

(As três chamas do lar, Pe. Geraldo Pires de Sousa, p.374-375)


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quinta-feira, 29 de abril de 2010

Discurso do Papa Pio XII aos Recém Casados » A Mulher na Família: A Esposa e Mãe - Sol do Lar Doméstico

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Discurso do Papa Pio XII aos Recém Casados
Pio XII e a Família Cristã
LVIII - A Mulher na Família
II – A Esposa e Mãe – Sol do Lar Doméstico
11 de Março de 1942

No curso de vossa vida, amados recém casados, a lembrança que conservareis da casa do Pai Comum e da sua bênção apostólica os acompanhará como doce consolo e presságio no caminho que começareis com tantas esperanças, sob a proteção divina, em um tempo tão complicado como o presente, em direção a uma meta que apenas os deixa adivinhar a escuridão do futuro. Mas diante dessa escuridão vosso coração não tem medo, os impulsionam o ardor e a audácia da juventude; a união dos espíritos e dos desejos dos passos da vida, o mesmo caminho que pisais, não os perturbam a tranqüilidade do espírito, mas os renovam e dilatam. Sois felizes dentro de vossos lares; não vedes escuridão; a família tem um sol próprio: a esposa. Ouvi como dela nos fala a escritura: “A graça de uma mulher cuidadosa rejubila seu marido, e seu bom comportamento revigora os ossos. É um dom de Deus uma mulher sensata e silenciosa, e nada se compara a uma mulher bem educada. A mulher santa e honesta é uma graça inestimável; não há peso para pesar o valor de uma alma casta. Assim como o sol que se levanta nas alturas de Deus, assim é a beleza de uma mulher honrada, ornamento de sua casa”.[1]

Sim, a esposa e mãe é o sol da família. Sol com sua generosidade e submissão, com sua constante prontidão, com sua delicadeza vigilante e previdente em tudo o que serve para tornar alegre a vida ao marido e aos filhos. Em torno dela difunde-se luz e calor; e costuma-se dizer então que um matrimônio é bem-aventurado, quando cada um dos cônjuges, ao contraí-lo, mira fazer a felicidade não própria, mas da outra parte; este nobre sentimento e esta intenção, embora dizendo respeito a ambos, é porém antes de tudo virtude da mulher, que nasce com as palpitações de mãe e com a maturidade de coração; aquela maturidade que, se recebe amargura, não quer dar senão alegria; se recebe humilhações, não quer dar senão dignidade e respeito; à semelhança do sol que alegra a manhã nebulosa, com seus albores e doura os ninhos com raios de seu ocaso.

A esposa é o sol da família pela clareza de seu olhar e pela chama de sua palavra; olhar e palavra que penetram docentemente na alma, dobram-na e a enternecem e a solevam fora do tumulto das paixões, e reclamam para o homem a alegria do bem e da conversação familiar, depois de um longo dia de contínuos, por vezes penosos trabalhos profissionais ou campestres, ou de imperiosos afazeres do comércio ou da indústria.

Seu olhar, seus lábios lançam lume e têm um acento de mil fulgurações em um luzir, mil afetos em um som. São lampejos e sons que saem do coração da mãe, criam e vivificam o paraíso da infância, e sempre irradiam bondade e suavidade, ainda quando avisam e reprovam, porque os ânimos juvenis, que mais forte sentem, mais intimamente e profundamente acolhem os ditames do coração.

A esposa é o sol da família com sua cândida naturalidade, com sua digna simplicidade e com seu decoro honesto e cristão, tanto no recolhimento e na retidão do espírito, como na sutil harmonia de seu comportamento ou de seu vestido, de seu ajustamento e atitude, ao mesmo tempo reservados e afetuosos. Sentimentos leves, delicados acenos do rosto, ingênuos silêncios e sorrisos, um condescendente movimento de cabeça, dão-lhe a graça de uma flor eleita e simples, que abre suas corolas para receber e refletir as cores do sol.

Oh! se vós soubésseis que profundos sentimentos de afeição e reconhecimento tal imagem de esposa e de mãe suscita e imprime no coração do pai e dos filhos!

Ó anjos, que guardais a casa e escutais suas preces, espargi de perfumes celestes este lar de felicidade cristã!

Mas se suceder que a família permaneça sem este sol, como será? Se a esposa continuamente e a cada circunstância, mesmo nas relações mais íntimas, não titubeia em fazer sentir quantos sacrifícios lhe custa a vida conjugal? Onde está sua amorosa doçura, quando com uma excessiva dureza na educação, com uma excitabilidade mal dominada e uma irritante frieza no olhar e na palavra sufoca nos filhos o sentimento e a esperança de encontrar alegria e feliz paz junto da mãe?

Quando ela não faz senão perturbar triste e amargamente, com voz áspera, com lamentos e reprovações, a confiante convivência no círculo familiar? Onde está a generosa delicadeza e o terno amor, quando ela, em vez de criar com natural simplicidade e prudente uma atmosfera de agradável tranqüilidade na casa, toma ares de irrequieta, nervosa e exigente senhora, bem de moda hoje?

Seria isso difundir benévolos e vivificantes raios solares, ou é antes um esfriar, com vento glacial o jardim da família? Quem não se maravilhará então se o homem, não encontrando naquele lar o que o atraia, retenha e conforte, afaste-se o mais que puder, provocando semelhante afastamento da mulher, da mãe, quando o afastamento da mulher já não tenha preparado o afastamento do marido; um e outra indo-se assim à procura, fora – com grave perigo espiritual e com dano para a união familiar – do sossego, do repouso, do bem-estar, que lhes não concede a casa? Em tal estado de coisas os mais desventurados a sofrer são, fora de qualquer dúvida, os filhos! Eis ó esposas, até onde pode chegar a vossa parte de responsabilidade para a concórdia da felicidade doméstica.

Se ao vosso marido e ao seu trabalho cabe procurar e estabelecer a vida do lar, a vós e ao vosso cuidado cabe ajustar o conveniente bem-estar e providenciar a pacífica serenidade comum de vossas duas vidas. Isto é para vós não somente uma obrigação de natureza, mas também um dever religioso e uma obrigação da virtude cristã, para o vigor de cujos atos e de cujos méritos vós crescereis no amor e na graça de Deus.

“Mas – dirá talvez alguma dentre vós – desta maneira nos pede uma vida de sacrifício!”. Sim; a vossa é vida de sacrifícios, mas não somente de sacrifícios. Acreditais vós, por acaso, que aqui embaixo se possa gozar de uma verdadeira e sólida felicidade? Que em algum ângulo deste mundo se encontre a plena e perfeita beatitude do paraíso terrestre? E pensais talvez que vosso marido não deva também ele sacrificar-se, por vezes gravemente, para conseguir um pão honrado e seguro para a família? Exatamente estes mútuos sacrifícios, suportados juntos e em comum vantagem, dão ao amor conjugal e à felicidade da família a sua cordialidade e estabilidade, sua profundidade santa e aquela especial nobreza que se exprime no mútuo respeito dos cônjuges e os exalta no afeto e no recolhimento dos filhos.

Se o sacrifício materno é o mais agudo e doloroso, a virtude do alto os tempera. De seu sacrifício a mulher aprende a compaixão às dores alheias. O amor para a felicidade de sua casa não a fecha em si; o amor de Deus, que a exalta no seu sacrifício acima de si, abre-lhe o coração a toda piedade e a santifica.

“Mas - objetar-se-á talvez ainda – a moderna estrutura social, operária, industrial e profissional, leva em grande número a mulher, também as casadas, a sair de fora do lar, da família e a penetrar no campo do trabalho e da vida pública”. Nós não o ignoramos, queridas filhas. É muito duvidoso se essa condição de coisas constitui para uma mulher casada o que se diz do ideal. No entanto, é preciso ter presente o fato. Com tudo a Providência, sempre vigilante em seu governo da humanidade, inseriu no espírito da família cristã forças superiores que servem para mitigar e vencer a dureza de um tal estado social e obviar os perigos, que indubitavelmente em si escondem.

Não tendes vós talvez observado como o sacrifício de uma mãe, que, por especiais motivos, deve além de seus deveres domésticos, se engenha para buscar, a custa de um duro trabalho cotidiano o sustendo da família, não somente conserva, mas alimenta e aumenta nos filhos a veneração e o amor para com ela, e obtém seus reconhecimentos por suas angústias e fadigas, quando o sentimento religioso e a confiança em Deus constituem o fundamento da vida familiar?

Se tal é o caso no vosso matrimônio, com plena confiança em Deus, o qual ajuda sempre quem o teme e o serve, ajuntai, nas horas e nos dias que podeis dar inteiramente aos vossos entes queridos, um redobrado amor e um ciumento cuidado, não somente para assegurar à verdadeira vida da família o mínimo indispensável, mas também para deixar que de vós procedam no coração do marido e dos filhos tantos luminosos raios de sol, que confortem, fomentem e fecundem, também nas horas da separação exterior, a espiritual união do lar.

E vós, esposos, colocados por Deus como cabeça de vossas esposas e de vossas famílias, ao mesmo tempo que contribuís com vosso trabalho para o seu sustento, prestai vossa ajuda também à obra de vossas mulheres no cumprimento da santa e elevada – e não raras vezes fatigosa – missão. Colaborai com elas, com aquela solicitude e afeto que faz um de dois corações, e uma mesma força e um mesmo amor. Mas sobre esta colaboração e seus deveres, e as responsabilidades que derivam também para o marido, teria muito o que dizer, e por isso nos reservamos para vos falar em outras audiências.

Ante vós, recém-casados, que sucedeis a outros grupos semelhantes que vos precederão adiante de nós e por nós foram abençoados, nosso pensamento nos traz à mente o grande dito do Eclesiastes: “Passa uma geração e sucede outra; mas fica sempre a terra”[2]. Assim correm novos séculos, mas Deus não muda; não muda o Evangelho nem o destino do homem para a eternidade; não muda a lei da família; não muda o inefável exemplo da família de Nazaré, grande sol de três sóis, um deles, um dos fulgores mais divinos e mais ardentes que os outros dois que os rodeiam. Olhe aquela modesta e humilde casa, oh pais e mães: contemplai Aquele que se cria “filho do carpinteiro”[3], nascido do Espírito Santo e da Virgem escrava do Senhor; e conforta-os nos sacrifícios e nos trabalhos da vida; ajoelhai-vos ante eles como crianças; invocai-os, suplicai-lhes; e aprendei deles como as contrariedades da vida familiar não humilham, e sim exaltam; como não fazem ao homem nem a mulher menores para o céu, e sim que valem uma felicidade, que em vão se busca entre as comodidades deste mundo, onde tudo é efêmero e fugaz.

Terminaremos nossas palavras elevando à Santa Família de Nazaré uma ardente súplica por todos e cada um de vossos lares, para que vós, queridos filhos e filhas, cumprais vosso oficio à imitação de Maria e de José, e assim possais educar e fazer crescer aqueles pequenos cristãos, membros vivos de Cristo, que estão destinados a gozar convosco um dia a eterna bem-aventurança do céu.

É o que pedimos ao Mestre divino, enquanto com todo o coração vos damos nossa paterna benção apostólica.

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Tradução não oficial do discurso em espanhol.

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[1] Eclo XXVI, 16-21.
[2] Eccles. I, 4.
[3] Mt. XIII, 55. 107

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