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quarta-feira, 28 de novembro de 2012

A pena da perda de Deus é o que faz o inferno

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Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Iniquitates vestrae diviserunt inter vos et Deum vestrum — «As vossas iniquidades fizeram uma separação entre Vós e vosso Deus» (Is. 59, 2)
 
Sumário. A malícia do pecado mortal consiste no desprezo da graça divina e na perda voluntária de Deus, o Bem supremo. Com toda a justiça, pois, a maior pena do pecador no inferno é tê-lo perdido, sem esperança de o tornar a achar. Se quisermos ter uma garantia de não incorrermos em tamanha desgraça, demo-nos inteiramente e sem reservas ao Senhor. O que não se dá inteiramente a Deus ou o serve com tibieza, corre grande risco de o perder para sempre.
 
I. A gravidade da pena deve corresponder à gravidade do delito. Os teólogos definem o pecado mortal por estas duas palavras: aversio a Deo — «aversão de Deus». Eis, pois, em que consiste a malícia do pecado mortal: consiste no desprezo da graça divina e na perda voluntária de Deus, o Bem supremo. Pelo que com toda a justiça a maior pena do pecador no inferno é o ter perdido a Deus.
 
São grandes as demais penas do inferno: o fogo que devora, as trevas que obcecam, os uivos dos condenados que ensurdecem, o mau cheiro que faria morrer aqueles desgraçados se pudessem morrer, a estreiteza que os oprime e lhes tolhe a respiração; mas todas estas penas nada são comparadas com a perda de Deus. No inferno os réprobos choram eternamente, mas o objeto mais amargoso do seu choro é o pensar que perderam a Deus pela sua culpa.
 
Ó Deus, que grande bem perderam eles! Durante esta vida os objetos que nos rodeiam, as paixões, as ocupações temporais, os prazeres dos sentidos, as contrariedades não nos deixam contemplar a beleza e bondade infinita de Deus. Mas uma vez que a alma sai do corpo, reconhece logo que Deus é um bem infinito, infinitamente formoso, e digno de amor infinito. E sendo que foi criada para ver e amar esse Deus, quisera logo elevar-se a ele e com ele unir-se. Como, porém, está em pecado, acha levantado um muro impenetrável, quer dizer, o pecado mesmo que lhe fecha para sempre o caminho para Deus: As vossas iniquidades fizeram uma separação entre vós e o vosso Deus. — Meu Senhor, graças Vos dou, porque não me foi ainda fechado este caminho, como tinha merecido, e porque posso ainda ir para Vós. Peço-Vos, não me repilais! Meu Jesus, com Santo Inácio de Loyola Vos direi: Aceito toda a pena, mas não a de ser privado de Vós.
 
II. Se quisermos ter uma garantia de que não perderemos o nosso Deus, consagremo-nos inteiramente a ele. O que não se dá todo a Deus corre sempre o risco de lhe virar as costas e de o perder. Uma alma, porém, que resolutamente se desapega de todas as coisas e se dá toda a Deus, não o perde mais; porquanto, Deus mesmo não consentirá que uma alma que se lhe deu de todo o coração lhe volte as costas e o perca. Pelo que um grande Servo de Deus dizia que, em lendo-se a queda de alguns que primeiro levaram vida santa, se deve concluir que eles nunca se deram a Deus com todas as veras. — Demo-nos, pois, ao Senhor sem reserva e roguemos-lhe sempre pelos merecimentos de Jesus Cristo que nos livre do inferno. Especialmente deve pedir isso aquele que na sua vida já perdeu a Deus por algum pecado grave.
 
Ai de mim, ó Senhor, que pelo desprezo da vossa graça mereci estar para sempre separado de Vós, meu Bem supremo, e odiar-Vos para sempre. Agradeço-Vos o me haverdes suportado quando estava na vossa inimizade: se então tivesse morrido, que seria de mim? Mas já que me prolongastes a vida, fazei que dela nunca me sirva para Vos ofender de novo, mas unicamente para Vos amar e para chorar os desgostos que Vos dei.
 
Meu Jesus, doravante sereis Vós o meu único amor; e o meu único temor será o de Vos ofender e de me separar de Vós. Nada, porém, posso, se não me ajudardes. Prendei-me sempre mais a Vós pelos laços de vosso santo amor; reforçai as santas e doces correntes de salvação, que me liguem mais e mais convosco. Pelos méritos de vosso Sangue espero que me ajudareis para ser sempre vosso, ó meu Redentor, meu amor, meu tudo: Deus meus et omnia. — Ó grande Advogada dos pecadores, Maria, ajudai um pecador que se recomenda a vós e em vós confia. (*II 291)
 

Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.324-326.
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sábado, 17 de novembro de 2012

Maria Santíssima livra os seus devotos do inferno

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Qui audit me, non confundetur: et qui operantur in me, non peccabunt — «Aquele que me ouve, não será confundido, e os que obram por mim, não pecarão» (Eclo 24, 30).

Sumário. É impossível que se perca um devoto de Maria que fielmente a serve e a ela se recomenda. Com efeito, como poderíamos imaginar que Maria, a mais amante de todas as mães, podendo livrar um filho seu da morte eterna, só com um pedido ao Juiz da graça, deixe de o fazer? Eis porque o demônio detesta tanto a alma devota da divina Mãe e se esforça por fazê-la relaxada. Examina a tua devoção à Santíssima Virgem, e toma a resolução de a fazer crescer mais e mais.

I. A asserção de que é impossível um devoto de Maria Santíssima condenar-se não se estende àqueles devotos que abusam da sua devoção afim de pecar com menos temor; porque esses presumidos, pela sua confiança temerária, merecem castigo e não misericórdia. Estende-se tão somente àqueles devotos que, com o desejo de se emendarem, são fieis em obsequiar à divina Mãe e em recomendar-se a ela. Estes digo eu que é moralmente impossível perderem-se, porquanto a benigníssima Senhora alcançar-lhes-á luz e força para saírem do estado de perdição.

Esta sentença é conforme à doutrina dos Padres e Doutores da Igreja. Santo Anselmo diz que «assim como quem não é devoto de Maria nem dela é protegido, é impossível que se salve; assim também é impossível que se condene quem se encomenda à Virgem e dela é visto com complacência». Confirma isto Santo Antonino quase com as mesmas palavras. E Santo Hilário acrescenta que isto sucederá ainda àqueles que no tempo passado ofenderam muito a Deus. Pelo que Santo Efrém dá a Nossa Senhora o belo título de Protetora dos condenados: Patrix damnatorum; e chama a devoção à Virgem salvo-conduto para não ser desterrado para o inferno: Charta libertatis.

E na verdade, se é certo o que diz São Bernardo, que a Maria não pode faltar nem poder nem vontade de nos salvar, como poderá suceder que um devoto fiel seu se perca? Que mãe, podendo facilmente livrar seu filho da morte com um só pedido de graça ao juiz, deixaria de o fazer? E poderemos pensar que Maria, a Mãe mais amorosa que possa haver, podendo livrar um filho da morte eterna, e podendo-o fazer tão facilmente, não o queira fazer? Ah! isso é impossível!

Eis porque tanto desagrada ao demônio ver uma alma que persevera na devoção à divina Mãe, e porque ele se esforça tanto para fazê-la perder esta devoção. O espírito maligno sabe que nunca sucedeu e nunca jamais sucederá que um servidor humilde e obsequioso de Maria se perca eternamente.

II. Examina a tua devoção a Maria, e toma uma resolução firme de a aumentar continuamente. Dá graças ao Senhor por te haver dado esse afeto e confiança para com a divina Mãe, porque Deus não faz esta graça senão com aqueles aos quais quer salvar. Dá graças também à Santíssima Virgem pela proteção que te dispensou até agora, livrando-te tantas vezes de cair no inferno; pede-lhe perdão de tua pouca correspondência ao seu amor, e pede-lhe que para o futuro continue sempre a proteger-te.

Ó Mãe de Deus, Maria Santíssima, quantas vezes tenho, pelos meus pecados, merecido o inferno! Talvez se houvesse executado a sentença desde o primeiro pecado meu, se, na vossa misericórdia para comigo, não tivésseis suspendido a ação da divina justiça; triunfado depois da dureza do meu coração, me reduzistes a pôr em vós a minha confiança. Ai! em quantas outras faltas não teria caído depois, no meio dos perigos que me cercavam, se vós, ó Mãe amantíssima, não me tivésseis preservado pelas graças que me alcançastes. Ó minha Rainha, de que me servirão vossa misericórdia e os favores com que me tendes prevenido, se vier a condenar-me? Se houve um tempo em que não vos amava, de presente amo-vos, depois de Deus, acima de todas as coisas.

Não permitais, eu vos conjuro, que me separe de vós e de Deus, que por intermédio vosso me cumulou de tantas misericórdias. Amabilíssima Soberana minha, não consintais que eu vá odiar-vos e maldizer-vos eternamente no inferno. Podereis sofrer que se condene um dos vossos servos que vos ama? Ó Maria, que me respondeis? Condenar-me-ei? Serei condenado se vos abandono; mas quem teria coragem para vos abandonar? Como poderia esquecer o amor que me tendes consagrado? Não, não se perderá aquele que fielmente se recomenda a vós e a vós recorre. Ó minha Mãe, não me abandoneis a mim mesmo; de contrário perder-me-ei. Fazei que sempre recorra a vós. Salvai-me, esperança minha, preservai-me do inferno e, primeiro que tudo, do pecado, que só me pode precipitar no inferno. (*I 114.)


Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.295-298.
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terça-feira, 28 de agosto de 2012

Do grande mal que é o desafeto de Deus

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Uma Alma em estado de Graça, e outra em pecado mortal.Por Santo Afonso Maria de Ligório
 
Similiter autem odio sunt Deo impius et impietas eius ― «O ímpio e a impiedade são igualmente odiosos a Deus» (Sab 14, 9).
 
Sumário. Considera quão grande é a ruína que traz consigo o pecado mortal. Faz-nos primeiro perder todos os merecimentos anteriormente adquiridos, por grandes e imensos que sejam. Além disso, de filho de Deus torna o homem escravo de Lúcifer; de amigo querido, inimigo sumamente odioso; de herdeiro do céu, um condenado no inferno. Se os anjos pudessem chorar, chorariam de compaixão vendo a desgraça de uma alma que comete pecado mortal e perde a graça de Deus. E nós ficaremos indiferentes?
 
I. Consideremos o miserável estado de uma alma em pecado mortal. Vive separada de Deus, seu soberano bem, de tal sorte que não pertence a Deus, assim como Deus não pertence a ela: Vos non populus meus, et ego non ero vester (Os 1, 9). Não só já não é dela, mas aborrece-a e condena-a ao inferno. ― O Senhor não odeia nenhuma das suas criaturas, nem mesmo as feras e as víboras: Nihil odisti eorum quae fecisti (Sab 11, 25). Mas o Senhor não pode deixar de odiar os pecadores. Sim, porque Deus odeia necessariamente o pecado, que é seu inimigo inteiramente contrário à sua vontade, e assim odiando o pecado, deve necessariamente odiar também o pecador que se conserva unido ao pecado; Similiter autem odio sunt Deo impius et impietas eius ― «O ímpio e a sua impiedade são igualmente odiosos a Deus».
 
Oh céus! Se alguém tem por inimigo um príncipe da terra, não pode mais dormir tranquilo, receando com razão a cada instante a morte. E o que tem por inimigo a Deus, como pode viver em paz? À ira de um príncipe pode-se fugir, já buscando esconderijo numa floresta, já ausentando-se para outro país; mas quem pode escapar às mãos de Deus? As vossas mãos, Senhor, exclamava Davi, quer eu suba aos céus, quer desça aos inferno, alcançar-me-ão em toda a parte: Etenim illuc manus tua deducet me (Sl 138, 10).
 
Desgraçados pecadores! Eles são amaldiçoados por Deus, amaldiçoados pelos anjos, amaldiçoados pelos santos, amaldiçoados até na terra por todos os sacerdotes e religiosos que todos os dias, ao recitar o Ofício divino, pronunciam esta maldição: Maledicti qui declinant a mandatis tuis (Sl 118, 21) ― «Amaldiçoados os que se apartam dos teus mandamentos». ― Além disso, o desafeto de Deus traz consigo a perda de todos os merecimentos. Ainda que algum tivesse merecido tanto como um São Paulo Eremita, que viveu 98 anos numa gruta; tanto como um São Francisco Xavier, que conquistou para Deus milhões de almas; tanto como o apóstolo São Paulo, que, segundo São Jerônimo, adquiriu mais merecimentos que todos os outros apóstolos: se cometesse um só pecado mortal, perderia tudo: Omnes iustitiae eius, quas fecerat, non recordabuntur (Ez 18, 24) ― «De nenhuma das obras de justiça que tiver feito, se fará memória».
 
II. Tão grande é, portanto, a ruína que traz consigo o desafeto de Deus: de filho de Deus faz o homem tornar-se escravo de Lúcifer; de amigo querido, inimigo sumamente odiado; de herdeiro do céu, um condenado ao inferno. Pelo que dizia São Francisco de Sales, que, se os anjos pudessem chorar, chorariam de compaixão vendo a desgraça de uma alma que comete pecado mortal e perde a graça de Deus. ― O que é, porém, mais triste, é que os anjos chorariam, se fossem suscetíveis de chorar, e o pecador não chora. Quando se perde um animal, uma ovelha, diz Santo Agostinho, já não se come, não se dorme, não se faz senão chorar; mas perde-se a graça de Deus, e come-se, dorme-se e não se chora!
 
Eis, pois, o triste estado a que me tenho reduzido, ó meu Redentor. Para me tornardes digno da vossa graça, haveis empregado 33 anos de suores e sofrimentos, e eu, por um instante de prazer envenenado, por um nada, a desprezei e perdi. Dou graças à vossa misericórdia, que me dá ainda tempo para a recuperar, se o quiser. Ah! sim, quero fazer tudo para a readquirir. Dizei-me o que devo fazer para obter o perdão. Quereis que me arrependa? Pois bem, ó meu Jesus, arrependo-me de todo o coração de ter ofendido a vossa bondade infinita. Quereis que Vos ame? Amo-Vos sobre todas as coisas, Jesus, meu Deus, amo-Vos sobre todas as coisas.
 
No passado liguei demais o coração ao amor das criaturas e das vaidades. De hoje em diante, quero só viver para Vós, e só amar a Vós, meu Deus, meu tesouro, minha esperança e minha fortaleza: Diligam te, Domine, fortitudo mea (Sl 17, 2) ― «Amar-Vos-ei, meu Deus e minha fortaleza». Os vossos merecimentos, as vossas chagas, ó meu Jesus, devem ser a minha esperança e a minha força. É de Vós que espero a força de Vos ser fiel. Recebei-me, pois, na vossa graça, ó meu Salvador, e não permitais que jamais Vos abandone. Desprendei-me de todas as afeições mundanas, e inflame o meu coração no vosso santo amor. ― Maria, minha Mãe, fazei com que me abrase no amor de Deus, como sempre vos haveis abrasado. (II 88.)
 
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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.45-48.
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terça-feira, 21 de agosto de 2012

Angústias da alma descuidada na hora da morte

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A morte do justo e do pecadorPor Santo Afonso Maria de Ligório
 
Cor durum male habebit in novissimo; et qui amat periculum, in illo peribit — «O coração endurecido será oprimido de males no fim da vida; e quem ama o perigo perecerá nele» (Eclo 3, 27).
 
Sumário. Ai do que resiste durante a vida aos convites de Deus! Desgraçado do que cai no leito com a alma em pecado, e dali passa à eternidade! O anúncio da morte já próxima, o pensamento de ter de deixar o mundo, as tentações do demônio, os remorsos da consciência, o tempo que já falta, o rigor da justiça divina e mil outras coisas produzirão uma perturbação tão horrível, que pela confusão do espírito a conversão será quase impossível. Meu irmão, para não morreres de morte tão triste, teme agora viver vida pecaminosa!
 
I. Presentemente os pecadores afastam a lembrança e o pensamento da morte, e assim procuram a paz na vida pecaminosa que levam, muito embora nunca a hajam de encontrar. Quando, porém, estiverem nas angústias da morte, próximos a entrar na eternidade: «ao sobrevir-lhes a angústia, buscarão a paz, e não haverá paz» — angustia superveniente, requirent pacem, et non erit (Ez 7, 25). Então não poderão escapar aos tormentos de sua má consciência. Procurarão a paz; mas que paz poderá encontrar uma alma, vendo-se carregada de pecados, que, como outras tantas víboras, a mordem por toda a parte? Que paz, em pensar que dentro de poucos instantes deve comparecer perante o Juiz, Jesus Cristo, cujas leis e amizade desprezou até então!
 
Conturbatio super conturbationem veniet (Ez 7, 26) — «A um susto sucederá outro susto». O anúncio já recebido da morte próxima, o pensamento de se dever separar de todas as coisas do mundo, as tentações do demônio, os remorsos da consciência, o tempo perdido, o tempo que falta, o rigor do juízo divino, a eternidade desgraçada reservada aos pecadores, todas estas coisas produzirão uma perturbação terrível, que lançará a confusão no espírito e aumentará a desconfiança. E é neste estado de confusão e de desconfiança que o moribundo passará à outra vida. — Com efeito, a experiência ensina que as almas desleixadas na hora da morte nem sabem responder às perguntas que o sacerdote faz, e se confundem. Assim muitas vezes o confessor lhes dá a absolvição, já não porque as julga bem dispostas, mas porque não há mais tempo a perder.
 
Se alguma vez se têm visto pecadores moribundos chorarem, fazerem promessas e pedir perdão a Deus, diz com razão um autor que, geralmente falando, tais promessas, lágrimas e orações são como as de um homem atacado pelo seu inimigo, que lhe põe o punhal sobre o coração e o ameaça de morte. — Desgraçado, pois, do que em vida se endurece e resiste aos apelos de Deus; desgraçado do que cai no leito com pecado mortal na alma, e dali passa à eternidade!
 
II. Meu irmão, se porventura tu também és uma daquelas almas que têm a consciência desmazelada, procura quanto antes remediar tão grave mal. Para não morreres má morte, teme viver má vida. Quem te dá a certeza de que não morrerás fulminado por um raio, de uma sufocação, de um ataque de apoplexia? E ainda que na morte tivesses tempo para te converter, quem te garante que deveras te converterás e farás uma boa confissão? Oh, quantos daqueles que se iludiram com a ideia de se converterem na hora da morte, estão agora ardendo no inferno!
 
Ó chagas de meu Jesus, vós sois minha esperança. Desperaria do perdão de meus pecados e da minha salvação eterna, se não erguesse os olhos para vós, fontes de misericórdia e de graça, pelas quais um Deus derramou todo o seu sangue, para lavar a minha alma de tantas faltas cometidas. Adoro-vos, ó chagas sagradas, e em vós confio. Detesto mil vezes e amaldiçoo os prazeres indignos, pelos quais causei desgosto a meu Redentor e perdi miseravelmente a sua amizade. Olhando para vós, avivam-se as minhas esperanças, e para vós dirijo os meus afetos.
 
Meu amado Jesus, mereceis que todos os homens Vos amem, e vos amem de todo o coração; e eu Vos ofendi tanto e tanto desprezei o vosso amor. Não obstante isso, Vós me tendes suportado e com tão grande piedade convidado ao perdão. Ah, meu Salvador, não permitais que Vos ofenda outra vez e que me condene. Que tormento seria para mim no inferno a vista de vosso sangue e de tantas misericórdias que me fizestes! Amo-Vos e sempre quero amar-Vos. Dai-me a santa perseverança. Desprendei o meu coração de todo o amor que não seja para Vós, e inspirai-me um verdadeiro desejo e a resolução de não amar de hoje em diante senão a Vós, ó meu soberano Bem! — Ó Maria, minha Mãe, atraí-me para Deus, e fazei que eu seja todo dele antes de morrer.
 
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Santo Afonso Maria de Ligório. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.27-30.
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segunda-feira, 14 de fevereiro de 2011

Uma figura para meditar: Caminhos que conduzem ao Céu e ao Inferno (Versão colorida)

2 comentários:
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Prezados leitores, Salve Maria!

Estou postando a  mesma figura da postagem anterior, porém na versão colorida. Ela foi-me cedida gentilmente pelo leitor Rafael, do blog A Hora de Maria. As cores realçam o quadro! Magnífico!

Essa figura faz parte do Catecismo Ilustrado da Juventude de Lisboa, conforme informou-me o Sr. Edivaldo no post anterior.

Espero que tenham gostado desta versão colorida!

Fiquem com Deus!
Em Cristo, no amor de Maria Santíssima,
Melissa Bergonso
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Uma figura para meditar: Caminhos que conduzem ao Céu e ao Inferno

9 comentários:
Retirada do blog A Grande Guerra.
(Clique para ampliar)
Prezados leitores, Salve Maria!

Aqui trago uma bela figura para vocês meditarem sobre o caminho para o Céu e o caminho para o Inferno. Antigamente as figuras diziam muito, porém hoje, como tudo é "moderno", as imagens, figuras e símbolos quase não trazem beleza, muito menos significado.

Fiquem com Deus.
Em Cristo, no amor de Maria Santíssima,
Melissa Bergonso
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quarta-feira, 21 de julho de 2010

Remorso do condenado: Eu me condenei por um nada

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Gustans gustavi paululum mellis, et ecce morior — «Tomei um pouco de mel, e por isso morro» (I Rei. 14, 43).

Sumário. A consciência roerá o coração dos réprobos por muitos remorsos; mas um dos que mais o atormentarão, será a lembrança de que se perdeu por um nada. Oh! que rugidos soltará o condenado, pensando que por algumas satisfações momentâneas e envenenadas, renunciou a um reino de eterna felicidade, e está condenado a arder para sempre naqueles abismos!... Meu irmão, reflete bem que também hás de sentir um dia o mesmo desespero, se não te aproveitares agora da divina misericórdia, e lembra-te mais uma vez de que para te assegurar a eternidade nenhuma providência é demasiada.

I. A consciência roerá o coração dos réprobos por grande número de remorsos; mas um dos que mais os atormentarão será o pensar no nada das coisas porque se condenaram. Quando Esaú tinha comido o prato das lentilhas, pelas quais vendeu o direito de primogenitura, diz a Escritura que pela dor e mágoa da perda se pôs a rugir. Irrugiit clamore magno[1]. Mas, oh! que uivos e rugidos mais horrorosos não soltará o réprobo, pensando que por umas satisfações fugitivas e envenenadas perdeu um reino de eterno gozo, e que está reduzido a ver-se eternamente condenado a uma morte contínua! Chorará mais amarguradamente do que Jonathas, quando se viu condenado à morte por Saul, seu pai, por ter tomado um pouco de mel: Tomei um pouco de mel, e por isso morro.

Ó céus! que pena sofrerá o condenado, considerando então a causa da sua condenação! Presentemente, o que é a nossos olhos a vida já passada, senão um sonho, um instante? Que hão de parecer pois a quem está no inferno, esses cinqüenta ou sessenta anos de vida passados na terra, quando se vir no oceano da eternidade, na qual passará cem e mil milhões de anos e de séculos e sempre verá que a eternidade está ainda no seu começo?

Mas, que digo! cinqüenta anos de vida! Serão porventura cinqüenta anos de gozo? Gozará porventura o pecador, vivendo longe de Deus, doçuras contínuas em sua vida pecaminosa? Quanto tempo duram esses prazeres do pecado? Uns instantes apenas, e todo o resto de tempo é, para o que vive na desgraça de Deus, um tempo de mágoas e pesares. Que serão, portanto, esses curtos momentos de prazer, aos olhos do infeliz réprobo? e especialmente, como se lhe afigurará então aquele último pecado pelo qual se perdeu?

Portanto — assim dirá de si para si, — por uma miserável satisfação, que durou apenas um instante, e apenas gozada se dissipou como o vento, estou condenado a arder neste fogo, sem esperança e abandonado de todos, enquanto Deus for Deus, durante toda a eternidade!

II. Que favor não seria para o réprobo, se Deus lhe concedesse mais um ano ou mês de vida, para reparar o mal praticado, e aplacar os remorsos que de contínuo o atormentam? Ora, meu irmão, esse tempo é a ti que Deus o concede, e então em que o quererás empregar? Pensa que se trata da eternidade, e que, na palavra de São Bernardo, nenhuma providência é demasiada para a pores ao abrigo dos perigos: Nulla nimia securitas, ubi periclitatur aeternitas.

Iluminai-me, Senhor, e fazei-me conhecer a injustiça que cometi ofendendo-Vos, e o castigo que mereci. Meu Deus, sinto grande mágoa por Vos haver ofendido; mas esta mágoa me consola. Se me tivésseis enviado ao inferno, como merecia, o inferno do meu inferno seria o remorso de pensar que me perdi por tão pouca coisa. Mas, agora este remorso me consola, porque me anima a esperar o perdão que prometestes ao que se arrepende. Sim, meu Senhor, arrependo-me de Vos haver ultrajado; abraço a mágoa que sinto e peço-Vos que m’a aumenteis e conserveis até à morte, afim de que eu chore sempre amargamente os desgostos que Vos dei.

Perdoai-me, meu Jesus! Ó meu Redentor, que, para ter piedade de mim, não tivestes piedade de Vós mesmo, condenando-Vos a morrer de dor: suplico-Vos que me livreis do inferno onde não mais Vos poderia amar. Fazei que a mágoa de Vos ter ofendido sustente em mim uma dor contínua e ao mesmo tempo me abrase todo em amor por Vós, que me haveis amado tanto, me haveis suportado com tão grande paciência, e, em vez de me castigar, me enriqueceis de luzes e graças. Graças Vos dou, ó meu Jesus, e amo-Vos mais que a mim mesmo, amo-Vos de todo o coração. — Não sabeis desprezar o que Vos ama. Amo-Vos; não me repilais de vossa presença. Recebei-me em vossa amizade, e não permitais que Vos torne a perder.— Maria, minha Mãe, aceitai-me por vosso servo e prendei-me a Jesus, vosso Filho. Suplicai-lhe que me perdoe, que me dê o seu amor e a graça da perseverança até à morte. (II 128.)

[1] Gen. 27, 34.

LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 272-274.

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quarta-feira, 14 de julho de 2010

Temos de escolher entre uma eternidade feliz e outra infeliz

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Ante hominem vita et mors, bonum et malum; quod placuerit ei dabitur illi — «Diante do homem estão a vida e a morte, o bem e o mal; o que lhe agradar, isso lhe será dado» (Ecle. 15, 18).

Sumário. Deus quer certamente que todos os homens se salvem, mas não à força. Por isso Deus põe diante de nós dois caminhos a seguir, deixando a escolha a cada um. Mas, como poderá chegar ao céu quem quiser seguir o caminho do inferno? Avivemos a nossa fé; examinemos atentamente aonde nos leva o caminho trilhado até hoje, e tomemos desde já as providências para nos assegurar a salvação eterna. Deixemos, se for necessário, o mundo: São pequenas todas as cautelas, quando corre risco a eternidade.

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domingo, 4 de julho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo XII: O inferno é invenção dos padres

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Por Pe. André Beltrami

Nada mais falso. O inferno já existia antes que existissem os padres e mesmo antes do primeiro homem, tendo sido criado pela eterna justiça para os anjos rebeldes. Os sacerdotes outra coisa não fazem senão pregar uma verdade terrível, ensinada por Deus na Sagrada Escritura e que se acha em todas as religiões dos vários povos que passaram pela terra.

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sábado, 3 de julho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo XI: Outras provas da existência do demônio e do inferno

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Por Pe. André Beltrami

O espiritismo, em suas várias manifestações, é também uma prova evidente da existência do cárcere eterno. Se existe o espírito maligno e se ele se manifesta por meio de mesas que falam ou giram e por meio de outros médiuns, deve também existir o lugar de sua morada, isto é, o inferno com suas penas atrozes.

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sexta-feira, 2 de julho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo X: Três amplos caminhos que conduzem ao inferno: a desonestidade, o sacrilégio e a blasfêmia

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Por Pe. André Beltrami

Todos os pecados mortais são caminhos que vão dar no abismo eterno; há, porém, alguns que fazem mais estragos e causa a morte a um maior número de almas. O pecado de desonestidade é talvez o que mais povoa o inferno, porque é um pecado muito grave, fácil de cometer, pela corrupção de nossa natureza, e depois difícil de abandonar.

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terça-feira, 29 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo IX: Lembrança salutar do inferno

2 comentários:
Por Pe. André Beltrami

O pensamento do inferno é fecundo de magnânimas resoluções. Quantos se santificaram meditando naquele terrível sempre e naquele terrível nunca! Quantos deixaram o pecado e se entregaram à virtude ouvindo um sermão sobre o inferno! A lembrança daquelas chamas eternas dava força aos mártires para suportarem os mais cruéis tormentos e caminharem alegres para a morte. Quem pensa no inferno suportará com paciência os males deste mundo, reputando-os insignificantes em comparação com os da eternidade.

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segunda-feira, 28 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo VIII: Se eu for para o inferno não estarei só

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Por Pe. André Beltrami

Não há dúvidas se tivesse a desgraça de cair no inferno (que Deus tal não permita!), não ficarás sozinho. Terás a companhia de milhares e milhões de outras almas desventuradas que trilharam o caminho do vício, terás a companhia dos perseguidores da Igreja, dos hereges, dos apóstatas, terás a companhia de Lúcifer e de uma turba imensa de demônios. Mas esta miserável sociedade diminuirá talvez o sofrimento, ou ao menos dar-te-á algum conforto? Como te enganas!

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domingo, 27 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo VII: A vida futura é um programa insolúvel, um programa talvez invencível

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Por Pe. André Beltrami

São as fórmulas estereotipadas que a impiedade põe na boca dos que seguem a estrada do vício. No entanto, como se enganam! O problema da vida futura foi plenamente resolvido pela revelação divina e não nos deixa a menor dúvida. Não um homem sujeito a erros, mas o mesmo Deus nos deu a conhecer o que nos espera depois da morte, Deus, a verdade por essência, que não pode enganar-se, nem enganar.

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sábado, 26 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo VI: Não voltou ninguém do outro mundo para nos dizer que existe a eternidade

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Por Pe. André Beltrami

Não há tal. Se consultardes a História, vereis como freqüentes vezes Deus permitiu, em todos os tempos, que viesse alguém dizer-nos da existência das verdades que Ele revelou. Mito de indústria, esses doutores da impiedade omitem o estudo dos fatos; e depois sentenciam do alto de suas cátedras que nunca ninguém levantou a cabeça da sepultura para nos dizer que existe algo depois da morte.

A história da Igreja na Polônia registra um fato importantíssimo, sucedido em 1070, com Santo Estanislau, bispo de Cracóvia. Trata-se duma prodigiosa ressurreição, perante muita gente, numeroso clero e magistrados.

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sexta-feira, 25 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo V: Eu não creio em nada

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Por Pe. André Beltrami

 – Eu não creio em nada, dizia-me duma feita um desses doutores da impiedade, com empáfia.

– Como? Vós não credes em nada? repliquei. Então não credes na existência da América, da Oceania…

– Oh! Certamente que sim; queria dizer, não creio em nenhuma coisa sobrenatural.

– Mas, porque credes na existência da América e da Oceania, que nunca vistes?

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quinta-feira, 24 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo IV: Horrendos suplícios do inferno

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Por Pe. André Beltrami

Nenhuma língua humana é capaz de exprimir os tormentos atrozes daquele lugar de desespero. Como descrever aquele fogo medonho aceso pela ira de Deus? os remorsos cruéis que dilaceram o mísero preceito? a eternidade sem fim, com o terrível sempre e o terrível nunca?

Diz Santo Agostinho que o fogo da terra comparado com o do inferno, parece um fogo pintado; e S. Vicente Ferrer diz que em confronto com aquele, o nosso é frio.

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terça-feira, 22 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo III: Testemunhas de Além-túmulo

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Por Pe. André Beltrami

Em sua infinita misericórdia, Deus, depois de haver revelado o dogma do inferno, tem permitido, de onde em onde, que alguma alma venha da eternidade para confirmar-nos a existência daquele lugar de penas. Tais aparições são mais freqüentes do que comumente se crê; e quando são atestadas por pessoas idôneas e fidedignas, tornam-se fatos inegáveis, que se admitem como todos os outros fatos da história. Apresso-me, porém, a declarar que não entendo trazer esses fatos como argumento principal e básico com que se demonstre e se estabeleça o dogma do inferno, porque este nos é demonstrado pela palavra infalível de Deus; narro tais aparições somente para confirmar e elucidar essa verdade, e como argumento de salutar meditação.

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segunda-feira, 21 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo II: A razão humana confirma a existência do inferno

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Por Pe. André Beltrami

Quem são afinal, os que negam a existência do inferno? Talvez pessoas honestas? Ao contrário! São os libertinos que espezinham todo o ditame da consciência para viverem à solta, aqueles aos quais repugna crer em um Deus vingador, por bem saberem que merecem seus castigos.

Mas, conseguem eles persuadir-se de que não há uma justiça que vela sobre os homens, e que punirá seus pecados? Jamais! Enquanto negam com os lábios a existência do inferno, sentem no âmago da consciência o remorso e uma voz que lhes anuncia terrível vingança.

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sábado, 19 de junho de 2010

O INFERNO EXISTE - Capítulo I: A revelação divina demonstra a existência do inferno

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Por Pe. André Beltrami

Não há verdade tão inculcada na Sagrada Escritura como a da existência do inferno. Escritores inspirados falam dele continuamente, para que os homens, horrorizados com as penas que aí se sofrem abandonem o vício e se dêem à prática da virtude. 

Os protestantes, que de nossa santa religião negaram quase todas as verdades mais difíceis de crer e praticar não souberam desfazer-se do dogma do inferno, pelo fato de ser frequentemente recordado nas Sagradas Letras. Por este motivo, uma senhora católica, importunada por dois ministros protestantes a passar para a reforma, saiu-se com esta sensata resposta: – “Senhores, fizestes na verdade uma bela reforma, suprimistes o jejum, a confissão, o purgatório; infelizmente, porém, conservastes os inferno. Tirai também este e eu serei dos vossos.” 

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