Por São Francisco de Sales
Tanto procurar como fugir à convivência com os homens são dois extremos censuráveis na devoção, que deve regrar os deveres da vida social. O fugir é um sinal de orgulho e desprezo do próximo e o procurar é fonte de muitas coisas ociosas e inúteis. Cumpre amar ao próximo como a nós mesmos. Para demonstrar-lhe esse amor, não devemos fugir à sua companhia, e para patentear o amor que temos a nós mesmos devemos estar contentes, quando estamos sozinhos. Pensai em vós mesmos, diz São Bernardo, e depois nos outros. Se nada te obriga a fazer ou receber visitas, fica contigo mesma e entretém-te com teu coração; mas, se algum motivo te impõe esses deveres, cumpre-os em nome de Deus, tratando o próximo com toda a amabilidade e caridade.
Chama-se convivência má a que procede de más intenções ou se é uma relação má entre pessoas indiscretas, licenciosas ou dissolutas; é preciso evitá-la, como as abelhas o enxame de zangões e vespas; porque, se o hálito e a saliva das pessoas mordidas por um cão danado são muito perigosos, máxime para os meninos e pessoas duma compleição delicada, também a relação com pessoas viciosas não é menos de temer, principalmente para aquelas cuja virtude é ainda tenra, tíbia e delicada.