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quinta-feira, 8 de dezembro de 2011

Festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora – 08 de Dezembro

Um comentário:
Por Melissa Bergonso
 
NS. de LourdesHoje, dia 8 de Dezembro, comemoramos a Festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria, Mãe de Deus. Esta é uma festa de preceito, portanto todo o católico tem a obrigação de assistir à Missa neste dia.
 
Creio que muitos católicos nem sabem por que celebramos a Festa da Imaculada Conceição. Conforme ensina o Catecismo Maior de São Pio X:
 
Celebra-se a festa da Imaculada Conceição da Virgem Maria porque Ela, como ensina a fé, por singular privilégio, e em vista dos merecimentos de Jesus Cristo Redentor, foi santificada pela divina graça desde o primeiro instante em que foi concebida, e assim preservada e isenta da culpa original.[1]
 
Deus concedeu à Virgem Maria o privilégio da Imaculada Conceição porque convinha à santidade e à majestade de Jesus Cristo que a Virgem destinada a ser sua Mãe não fosse, nem sequer por um momento, escrava do demônio.[2]
 
E diz Santo Afonso:
 
Conveio que o Filho tivesse uma Mãe imaculada. Ele mesmo a escolheu por mãe. Não se pode crer que um filho, podendo ter por mãe uma rainha, a quisesse escrava. Como então imaginar que o Verbo Eterno, podendo ter uma Mãe imaculada e sempre amiga de Deus, a quisesse manchada e algum tempo inimiga de Deus? – Ainda mais, diz Santo Agostinho: Caro Christi caro est Mariae - «A carne de Cristo é a carne de Maria».[3]
 
O Dogma da Imaculada Conceição foi definido em 8 de dezembro de 1854 por Pio IX, através da Bula dogmática Ineffabilis Deus. Convém que todos os católicos leiam esta Bula, especialmente os que se dizem devotos e filhos de Maria!
 
“Eu sou a Imaculada Conceição”, disse Nossa Senhora a Santa Bernadete. Peçamos à Virgem Imaculada que nos ajude a progredirmos, especialmente, nas virtudes da santa pureza e da humildade, e recorramos a Ela em todas as nossas necessidades e angústias. Digamos em alta voz, como filhos devotos: Ó Maria concebida sem pecado, rogai por nós que recorremos a Vós! E confiemo-nos sempre a Maria Santíssima!
 
Feliz dia de Nossa Senhora da Imaculada Conceição!!!
Tenham um feliz e santo dia!
 
Imaculada Conceição
 
És toda formosa, amiga minha, e em ti não há mancha (Cant 4, 7).
 
Apareceu em seguida um grande sinal no céu: uma Mulher revestida do sol, a lua debaixo dos seus pés e na cabeça uma coroa de doze estrelas (Apoc 12, 1).
 
[1] Das festas solenes da Virgem Maria, e em primeiro lugar da sua Imaculada Conceição. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, q. 137, p. 270.
[2] Das festas solenes da Virgem Maria, e em primeiro lugar da sua Imaculada Conceição. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, q. 139. p. 270.
[3] Santo Afonso Maria de Ligório. VIII de Dezembro: Festa da Imaculada Conceição de Maria. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Primeiro: Desde o Domingo do Advento até a Semana Santa inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 432.
 
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sábado, 1 de janeiro de 2011

Maternidade de Nossa Senhora

2 comentários:
A festa da Maternidade de Maria foi estabelecida por Pio XI em 1931*, por ocasião do 15º. centenário do Concílio de Éfeso em que o Dogma da Maternidade foi proclamado. Maria é Mãe de Jesus, porque lhe deu o corpo e o sangue. O Filho de Deus, porque incarnou verdadeiramente dEla, é seu Filho. Exortando-nos a venerar assim a Mãe do Salvador, a Santa Igreja quer despertar em nós sentimentos de amor filial para com Aquela que se tornou, na vida da graça, nossa verdadeira mãe por nos ter dado o Autor da vida. Todos nós, que vivemos unidos com Jesus Cristo e fazemos parte do seu corpo místico, saímos do seio de Maria como corpo unido com a cabeça. É Mãe de todos nós, Mãe espiritual, mas verdadeiramente Mãe dos membros de Cristo (Pio X, encíclica Ad diem illum).[1]

* A festa da Maternidade de Nossa Senhora, no calendário antigo, era comemorada em 11 de Outubro.

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segunda-feira, 20 de dezembro de 2010

Da dignidade de São José, Esposo da Virgem Maria

2 comentários:
Por Santo Afonso Maria de Ligório

Iacob autem genuit Ioseph, virum Mariae, de qua natus est Iesus ― «Jacob gerou a José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus» (Mat. 1, 16)

Sumário: Para formarmos uma ideia da dignidade de São José, basta ponderarmos que, na qualidade de esposo de Maria e chefe da sagrada Família, tinha verdadeiros direitos sobre a Mãe de Deus e seu divino Filho, que assumiram a obrigação de lhe obedecer, e lhe obedeceram em tudo. Quanto devemos, pois, honrar àquele a quem Deus honrou tanto! Quanto devemos confiar na eficácia de sua proteção! ― E tu, és-lhe realmente devoto?... Recorres prontamente a ele em tuas necessidades?

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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

08 de Dezembro: Festa da Imaculada Conceição

2 comentários:
Por Santo Afonso Maria de Ligório

Tota pulchra es, amica mea, et macula non est in te - «Tu és toda formosa, amiga minha, e em ti não há mácula» (Cant. 4, 7)

Sumário: Conveio sumamente às três Pessoas divinas preservar Maria da culpa original. Conveio ao Pai, por ser ela sua Filha primogênita. Conveio ao Filho, porque queria incarnar no seio puríssimo de Maria. Conveio ao Espírito Santo, porque a tinha escolhido para sua castíssima Esposa. Façamos um ato de viva fé em tão singular privilégio de Maria, e rendamos graças à Santíssima Trindade, por haver honrado a tal ponto a nossa Mãe. Regozijemo-nos também com a Menina imaculada, e ponhamos nela toda a nossa confiança.

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sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Um livro a recomendar: “Tratado da Verdadeira Devoção à Santíssima Virgem”

6 comentários:

Prezados, leitores! Salve Maria!

Hoje comecei a ler novamente este maravilhoso livrinho – digo livrinho porque é de bolso, pequeno, mas definitivamente grande no que tange à alma – e não poderia deixar de recomendá-lo aqui no blog. Para quem não conhece, ele é de autoria de São Luís Maria Grignion de Montfort, e é um livro de uma riqueza tão infinita que ele só pode colocar doçura nas almas daqueles que o lêem. Recomendo fortemente a leitura a todos os católicos e especialmente aos devotos da Santíssima Virgem Maria!

Para deixá-los com um pouquinho do sabor do céu, vou colocar aqui o prefácio do livro.

Fiquem com Deus!
Em Cristo, no amor de Maria Santíssima,
Melissa Bergonso

---*-*-*---

PREFÁCIO DO PADRE F. W. FABER

Foi em 1846 ou 1847, em São Wilfrido, que estudei pela primeira vez a vida e o espírito do venerável Grignion de Montfort. Hoje, mais de quinze anos depois, posso dizer que aqueles que o tomam por mestre, dificilmente acharão um santo ou um escritor ascético que mais lhes cative a inteligência por sua graça e seu espírito. Não o podemos ainda chamar santo; porém o processo de sua beatificação está tão propiciamente adiantado que não devemos ter muito que esperar para vê-lo colocado em nossos altares.

Poucos homens, no século XVIII, trazem em si mais fortemente gravados os sinais do homem da Providência, do que esse novo Elias, missionário do Espírito Santo e de Maria Santíssima. Toda a sua vida foi uma tal manifestação da santa loucura da cruz, que os seus biógrafos são concordes em classificá-lo com São Simeão Salus e São Felipe Néri. Clemente XI fé-lo missionário apostólico em França, para que ele empregasse a vida em combater o jansenismo, tão cheio de perigo para a salvação das almas. Será difícil achar, depois das epístolas dos apóstolos, palavras tão ardentes como as doze páginas da sua “Prece” pelos missionários de sua Companhia. Recomendo-a a todos os que encontram dificuldade em conservar, no meio de numerosas provações, o fogo primitivo do amor pela salvação das almas.

Grignion de Montfort era ao mesmo tempo perseguido e venerado em toda parte. A soma de seus trabalhos é, como a de Santo Antônio de Pádua, verdadeiramente incrível e inexplicável. Escreveu alguns trabalhos espirituais, que embora conhecidos há pouco tempo, já têm exercido influência notável na Igreja, e estão chamados a influência muito maior no futuro. Suas prédicas, seus escritos, sua conversação eram impregnados de profecias e de visões antecipadas das últimas eras da Igreja.

Novo São Vicente Ferrer, adianta-se, como se estivesse nos dias precursores do juízo final, e proclama-se portador, da parte de Deus, de uma mensagem autêntica: mais honra, conhecimento mais vasto, amor mais ardente a Maria Santíssima, e anuncia a união íntima que ela terá com o segundo advento de seu Filho.

Fundou duas Congregações religiosas, uma de homens, outra de mulheres, ambas muito prósperas. E, entretanto, morreu com 43 anos, em 1716, tendo apenas dezesseis anos de sacerdócio.

A 12 de maio de 1853, foi promulgado, em Roma, o decreto que declara os seus escritos isentos de todo erro que pudesse servir de obstáculo à sua canonização. Neste trabalho sobre a verdadeira devoção à Santíssima Virgem, escreveu ele estas palavras proféticas: “Vejo claramente no futuro animais frementes que se precipitam com furor para estraçalhar com os dentes diabólicos este pequeno escrito e aquele de quem se serviu o Espírito Santo para escrevê-lo; ou para sepultá-lo, ao menos, no silêncio de um armário, a fim de que não veja a luz”.

Apesar disso, prediz, ao mesmo tempo, a aparição e o sucesso do livro. Cumpriu-se tudo à risca. O autor morrera em 1716, e só em 1832 foi descoberto, como por acaso, este tratado, por um dos sacerdotes da sua Congregação, em Saint-Laurent-sur-Sèvre. O superior de então pôde atestar que o manuscrito era do venerável fundador e o autógrafo foi enviado a Roma a fim de ser examinado no processo de canonização.

Com certeza, os que vão ler este livro já amam a Deus e desejariam amá-lo ainda mais; todos desejam alguma coisa para a sua floria: a propagação de uma obra, a vinda de melhores tempos, o sucesso de uma devoção; um empregou durante anos todos os esforços para vencer um defeito particular e não o conseguiu; outro tem pedido com lágrimas a conversão de seus pais e amigos, e está admirado de que, apesar de suas lágrimas, tão poucos dentre eles se tenham convertido à fé; este se entristece por não ter bastante devoção; aquele se aflige por ter que carregar uma cruz que lhe parece muito pesada para a sua fraqueza, enquanto outro encontra no seio da família perturbações e infelicidades domésticas que lhe parecem incompatíveis com a obra de sua salvação; e para todas essas tristezas a oração parece trazer tão pouco alívio! Qual é, pois, o remédio que lhes falta? Qual o remédio indicado pelo próprio Deus? É, segundo as revelações dos santos, uma dilatação imensa da devoção à Santíssima virgem; mas, reflitamos bem, o imenso não admite restrições nem limites.

Aqui, na Inglaterra, Nossa Senhora não é bastante pregada e conhecida. A devoção que lhe consagram é fraca, escassa, mesquinha, transviada pelos escárnios da heresia. Dominada pelo respeito humano e pela prudência carnal, desejaria fazer da verdadeira Maria uma Maria tão pequena que os protestantes se pudessem sentir à vontade junto dela. Sua ignorância da teologia tira a Maria toda a vida e dignidade; ela não é, como deve ser, o caráter saliente da nossa religião; não tem fé em si mesma. E é por esta razão que Jesus não é amado, que os hereges não são convertidos, que a Igreja não é exaltada; almas que poderiam ser santas, desfalecem e degeneram; os sacramentos não são freqüentados como o deveriam ser; as almas não são evangelizadas com o entusiasmo do zelo apostólico; Jesus não é conhecido, porque Maria é deixada no esquecimento; perecem milhares de almas, porque Maria delas está distante. É esta sombra indigna e miserável, à qual ousamos dar o nome de devoção à Santíssima Virgem, que é a causa de todas estas misérias, de todos estes males, de todas estas omissões, de toda esta tibieza. Entretanto, segundo as revelações dos santos, quer Deus expressamente uma devoção mais vasta, mais extensa, mais sólida, uma devoção muito diferente da atual, para com sua Mãe santíssima. Sou de opinião que não há obra mais excelente, mais eficaz para se conseguir este fim, do que a simples propagação desta devoção particular do venerável Grignion de Montfort.

Basta apenas que uma pessoa experimente para si esta devoção; em breve, a surpresa que lhe causarão as graças que ela traz consigo, assim como as transformações que produzirá em sua alma, convencê-la-ão de sua eficácia, quase incrível aliás, como meio para conseguir a salvação das almas e a vinda do reino de Jesus Cristo! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, não haveria frieza para Jesus! Oh! se Maria fosse ao menos conhecida, quão mais admirável seria nossa fé, como seriam diferentes as nossas comunhões! Oh se Maria fosse ao menos conhecida, quanto mais felizes, mais santos, menos mundanos seríamos, como nos tornaríamos imagens vivas de Nosso Senhor e Salvador, seu diletíssimo e diviníssimo Filho!

Eu mesmo traduzi o tratado todo, o que me deu muito trabalho; e fui escrupulosamente fiel. Tomo ao mesmo tempo a liberdade de avisar o leitor de que com uma só leitura do livro não o poderá compreender a fundo. Acha-se neste livro, se assim ouso dizer, o sentimento de um não sei quê de inspirado e sobrenatural, que vai sempre em aumento, à medida que nos aprofundamos em seu estudo. Além disto, não se pode deixar de experimentar, depois de lê-lo repetidas vezes, que nele a novidade parece nunca envelhecer, a plenitude nunca diminuir, o fresco perfume e o fogo sensível da unção nunca se dissipar ou enfraquecer.

Digne-se o Espírito Santo, o divino Zelador de Jesus e de Maria, conceder uma nova bênção a esta obra na Inglaterra; queira ele consolar-nos dentro em breve com a canonização desse novo apóstolo e ardente missionário de sua Esposa diletíssima e imaculada, e mais ainda pelo pronto despontar dessa gloriosa era da Igreja que deve ser a gloriosa era de Maria.

F. W. FABER
Sacerdote do Oratório
No dia da apresentação de Nossa Senhora. 1862.

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Nota: São Luís de Maria Grignion de Montfort foi canonizado em 27 de julho de 1947, por Pio XII.

Bibliografia: MONTFORT, São Luís Maria Grignion de. Tratado da Vedadeira Devoção à Santíssima Virgem. 30ª. Edição. Petrópolis: Vozes, 1998, p. 9-16.

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terça-feira, 7 de setembro de 2010

08 de Setembro: Natividade da Virgem Maria

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Resumo Histórico[1]

É no século VII que surge a festa da Natividade da Virgem. Dela temos menção no Sacramentário Gelasiano, livro que enumera as festividades da Igreja. O Papa Sérgio I (687-701) prescreveu para o dia de sua celebração uma procissão de rogações. No Oriente a festa era também conhecida, como vemos de dois Sermões de S. André de Creta (720).

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A grandeza da santidade de Maria provém das graças abundantes com que Deus a enriqueceu desde o princípio, e da sua admirável correspondência às mesmas.

O nascimento de um filho é considerado dia de festa para a família. Entretanto haveria antes motivo para lamento e pranto, considerando-se que a criança nasce não só privada de méritos e de razão, como ainda manchada pela culpa e sujeita, como filha da cólera divina, às misérias e à morte. O nascimento de Maria, sim, é justo seja celebrado com festas e louvores universais. Pois a Virgem viu a luz do mundo, criança na idade, porém grande em merecimentos e virtudes. Todavia para compreendermos o grau de santidade com que nasceu, precisamos considerar primeiramente a grandeza da graça com que Deus a enriqueceu; em segundo lugar, quanto foi grande a fidelidade de Maria em corresponder a essa graça.


Da Natividade da Virgem Maria[2]

141. Quando celebra a Igreja a festa da Natividade da Virgem Maria?

A Igreja celebra a festa da Natividade de Maria Virgem no dia 8 de setembro.

142. Por que se celebra a festa da Natividade de Maria?

A Igreja celebra a festa da Natividade de Maria Virgem porque Ela desde o seu nascimento foi a mais santa de todas as criaturas, e porque estava destinada a ser a Mãe do Salvador.

143. Só em honra da Santíssima Virgem é que se celebra a festa da Natividade?

Celebra-se também a festa da Natividade de São João Batista. Devemos porém observar que a Santíssima Virgem não só nasceu em graça, mas foi concebida em graça; ao passo que de São João Batista só se pode dizer que foi santificado antes de nascer.

144. Que gênero de vida teve a Santíssima Virgem?

A Santíssima Virgem, embora descendente da família real de Davi, passou uma vida pobre, humilde e escondida, mas preciosa diante de Deus, não pecando nunca, nem sequer venialmente, e crescendo continuamente em graça.

145. Que coisa há para admirar de maneira especial nas virtudes da Santíssima Virgem Maria?

Nas virtudes de Maria devemos admirar, de maneira especial, o voto de castidade, que fez desde os seus mais tenros anos: coisa de que ainda não se vira exemplo.

146. Que devemos fazer na festa da Natividade da Virgem Santíssima?

Na festa da Natividade da Santíssima Virgem Maria devemos fazer quatro coisas: 

1º. Agradecer a Deus os dons e as prerrogativas singulares com que A enriqueceu sobre todas as criaturas;
2º. Pedir-Lhe, por intercessão d’Ela, que destrua em nós o reinado do pecado, e nos faça fiéis e constantes no seu divino serviço;
3º. Venerar a santidade de Maria, e congratular-nos com Ela pelas suas grandezas;
4º. Procurar imitá-La em conservar cuidadosamente a graça, e na prática das virtudes, principalmente da humildade e da pureza, pelas quais Ela mereceu conceber a Jesus Cristo no seu puríssimo seio.

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[1] LIGÓRIO, Afonso Maria de. Glórias de Maria: com indicações de leituras e orações para dois meses marianos. Aparecida, SP: Editora Santuário, 1989, p. 257-258
[2] São Pio X. Terceiro Catecismo da Doutrina Cristã: Catecismo Maior de São Pio X. Edições Santo Tomás, 2005, p.271-272
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domingo, 15 de agosto de 2010

Festa da Assunção de Maria Santíssima - 15 de Agosto

2 comentários:
Por Santo Afonso Maria de Ligório

Astitit regina a dextris tuis, in vestitu deaurato, circumdata varietate - «Apresentou-se a rainha à tua direita, com manto de ouro, cercada de variedade» (Sl. 44, 10)

Sumário
. Maria morre, e acompanhada de inúmeros espíritos celestiais e de seu próprio Filho, entra no céu em alma e corpo. Deus abraça-a, abençoa-a e a faz Rainha do universo, elevando-a acima de todos os anjos e santos. Regozijemo-nos com a divina Mãe, que é também a nossa, e avivemos a nossa confiança nela, invocando-a em todas as nossas necessidades. Roguemos-lhe sobretudo que, assim como ela morreu de puro amor a Deus, possamos nós morrer ao menos com contrição dos nossos pecados.

I.
Maria morre, mas como? Morre toda desapegada do afeto às criaturas, e morre consumida pelo divino amor, de que o seu santíssimo coração estava sempre todo abrasado. Ó santa Mãe, ides deixar a terra: não vos esqueçais de nós, pobres peregrinos, que ainda ficamos neste vale de lágrimas, combatidos por tantos inimigos, que desejam a nossa perdição eterna. Pelos merecimentos da vossa preciosa morte, vos suplicamos que nos obtenhais o desapego das coisas terrestres, o perdão dos pecados, o amor de Deus e a santa perseverança. E, quando chegar a hora da nossa morte, assisti-nos lá do alto do céu, com a vossa intercessão, e alcançai-nos a graça de irmos ao paraíso beijar os nossos pés.

Maria morre; seu preciosíssimo corpo é levado pelos apóstolos à sepultura, guardado pelos anjos durante três dias, e em seguida transportado ao paraíso. Mas a sua alma formosa, apenas saiu do corpo, entra na beatitude eterna, acompanhada de inúmeros anjos e do seu próprio Filho. Já no céu, a humilde Virgem, adora-o e com afeto imenso lhe agradece todas as graças que lhe foram dispensadas. Deus abraça-a, abençoa-a e a faz Rainha do universo, exaltando-a acima de todos os anjos e santos: Exaltata est sancta Dei Genetrix super choros angelorum ad coelestia regna.

Se, no dizer do Apóstolo, a inteligência não pode compreender a glória imensa que Deus preparou no céu para os seus servos que o amaram na terra; quão grande não será a glória que lhe concedeu à sua santíssima Mãe, que em terra o amou mais do que todos os santos e anjos, e o amou com todas as suas forças? De modo que, chegando ao céu, pôde dizer a Deus: Senhor, se não Vos amei tanto como mereceis, ao menos Vos amei quanto pude.

II. Alegremo-nos com Maria pela glória a que Deus a sublimou; mas alegremo-nos por nossa causa, porquanto, ao mesmo tempo que Maria foi elevada à dignidade de Rainha do mundo, foi também feita nossa advogada. Advogada tão piedosa, que se encarrega da defesa de todos os pecadores que a ela se recomendam; e tão poderosa junto do nosso Juiz, que ganha todas as causas.

Ó grande, excelsa e gloriosíssima Senhora, prostrados aos pés do vosso trono, nós vos veneramos deste vale de lágrimas, e nos alegramos pela glória imensa com que vos enriqueceu o Senhor. Agora, que já reinais como Rainha do céu e da terra, ah! não vos esqueçais de nós, vossos pobres servos. Do alto do sólio excelso em que reinais, não vos dedigneis devolver os vossos olhos piedosos a nós, miseráveis. Quanto mais vizinha estais da fonte das graças, tanto mais no-las podeis comunicar. No céu descobris melhor as nossas misérias, portanto é preciso que tenhais compaixão de nós e mais nos socorrais.

Ah, Mãe dulcíssima, Mãe amabilíssima! os vossos altares estão cercados de muita gente, que vos pede, este para ser curado de alguma enfermidade, aquele para ser provido em suas necessidades; um vos pede uma boa colheita, outro, a vitória de uma demanda. Nós vos pedimos graças mais agradáveis ao vosso coração: alcançai-nos a humildade, o desapego da terra, a resignação com a vontade divina. Impetrai-nos o santo temor de Deus, uma boa morte, o céu. Numa palavra, mudai-nos de pecadores em santos e fazei que, depois de termos sido cá na terra os vossos fiéis servos, possamos um dia ir gozar da vossa presença no céu.

«E Vós, ó Senhor, perdoai os crimes dos vossos servos: para que, já que não podemos agradar-Vos com as nossas obras, sejamos salvos pela intercessão da Mãe de vosso Filho e Senhor nosso»[1]. Fazei-o pelo amor de Jesus Cristo.

[1] Or. festi.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p. 347-350.

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DA ASSUNÇÃO DA VIRGEM MARIA

Na festa da Assunção da Santíssima Virgem, a Igreja celebra a morte preciosa e a gloriosa Assunção da Virgem Maria ao Céu.

A festa da Assunção de Maria Santíssima ao Céu celebra-se no dia 15 de Agosto.

Com a alma de Maria foi levado ao Céu também o seu corpo. A Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu foi definida pelo Santo Padre Pio XII, em 01 de Novembro de 1950.

Maria foi exaltada acima de todos os coros dos Anjos, e acima de todos os Santos do Paraíso, como Rainha do Céu e da terra.

A Virgem Maria foi exaltada no Céu acima de todas as criaturas porque é Mãe de Deus, e é de todas as criaturas a mais humilde e a mais santa.

Na solenidade da Assunção da Virgem Maria, devemos:

1) Congratular-nos com Ela pela sua gloriosa Assunção, e exaltação;
2) Venerá-La como Nossa Senhora e nossa advogada junto de seu Divino Filho;
3) Pedir-Lhe que nos alcance de Deus a graça de viver santamente, e de nos preparar-nos de tal maneira para a morte, que mereçamos ser por Ela assistidos e protegidos, e ter parte na sua glória.

Podemos merecer a proteção de Maria Santíssima imitando as suas virtudes, especialmente a pureza e a humildade.

Também os pecadores devem confiar muitíssimo no patrocínio de Maria Santíssima, porque Ela é Mãe de misericórdia, e refúgio dos pecadores, para lhes alcançar de Deus a graça da conversão.

PIO X. Catecismo Maior de São Pio X. Anápolis: Serviço de Animação Eucarística Mariana, 2005, p. 278-280.

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O terceiro castigo [imposto ao gênero humano por causa do pecado] é comum aos homens e às mulheres, a saber, que retornariam ao pó. Disso foi imune a Bem-aventurada Virgem Maria, porque foi corporalmente assunta ao céu. Cremos, de fato, que depois da morte foi ressuscitada e levada ao céu. Por isso lhe atribuímos o Salmo (131, 8): «levanta-Te, Senhor, para o lugar do Teu repouso, Tu e a arca da Tua santificação.»

AQUINO, Tomás de. Comentário à Ave Maria: in Salutationem Angelicam Expositio. São Paulo: Eunate, 2006, p. 28.

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DEFINIÇÃO SOLENE DO DOGMA

44. “Pelo que, depois de termos dirigido a Deus repetidas súplicas, e de termos invocado a paz do Espírito de verdade, para glória de Deus onipotente que à virgem Maria concedeu a sua especial benevolência, para honra do seu Filho, Rei imortal dos séculos e triunfador do pecado e da morte, para aumento da glória da sua augusta mãe, e para gozo e júbilo de toda a Igreja, com a autoridade de nosso Senhor Jesus Cristo, dos bem-aventurados apóstolos s. Pedro e s. Paulo e com a nossa, pronunciamos, declaramos e definimos ser dogma divinamente revelado que: a imaculada Mãe de Deus, a sempre virgem Maria, terminado o curso da vida terrestre, foi assunta em corpo e alma à glória celestial”.

45. Pelo que, se alguém, o que Deus não permita, ousar, voluntariamente, negar ou pôr em dúvida esta nossa definição, saiba que naufraga na fé divina e católica.

46. Para que chegue ao conhecimento de toda a Igreja esta nossa definição da assunção corpórea da virgem Maria ao céu, queremos que se conservem esta carta para perpétua memória; mandamos também que, aos seus transuntos ou cópias, mesmo impressas, desde que sejam subscritas pela mão de algum notário público, e munidas com o selo de alguma pessoa constituída em dignidade eclesiástica, se lhes dê o mesmo crédito que à presente, se fosse apresentada e mostrada.

47. A ninguém, pois, seja lícito infringir esta nossa declaração, proclamação e definição, ou temerariamente opor-se-lhe e contrariá-la. Se alguém presumir intentá-lo, saiba que incorre na indignação de Deus onipotente e dos bem-aventurados apóstolos Pedro e Paulo.

Dado em Roma, junto de São Pedro, no ano do jubileu maior, de 1950, no dia 1° de novembro, festa de todos os santos, no ano XII do nosso pontificado.

Eu PIO, Bispo da Igreja Católica assim definindo, subscrevi.

PIO XII. Constituição Apostólica Munificentissimus Deus: definição do Dogma da Assunção de Nossa Senhora em corpo e alma ao Céu. 1950.

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sábado, 31 de julho de 2010

Maria Santíssima é o refúgio dos pecadores

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Convenite et ingrediamur civitatem munitam; et sileamus ibi — «Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada, e guardemos aí silêncio» (Jer. 8, 14).

Sumário. Nas cidades antigas de refúgio, não achavam abrigo todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos. Mas debaixo do manto da proteção de Maria, todo o pecador acha refúgio, seja qual for o crime cometido; porquanto foi esta a vontade de Deus constituindo-a Refúgio dos pecadores. Não desanimemos, pois, meu irmão; mas, seja qual for o nosso estado, chamemos a divina Mãe em nosso auxílio e acha-la-emos sempre pronta a ajudar-nos em todas as necessidades. Invoquemo-la especialmente sob o título que ela preza tanto, de Mãe do Perpétuo Socorro.

I. Um dos títulos com que a santa Igreja nos manda recorrer a Maria, e que mais anima os pobres pecadores, é o titulo de Refúgio dos pecadores. Antigamente havia na Judéia umas cidades de refúgio, aonde iam parar os delinqüentes para ficarem livres do castigo que mereciam. Agora não há tantas cidades de refúgio como então, mas há uma só, que é Maria, da qual está escrito: Gloriosa dicta sunt de ti, civitas Dei (Salm. 86,3) — «Coisas gloriosas se têm dito de ti, ó cidade de Deus». Há, porém, uma diferença. Nas cidades antigas não havia refúgio para todos os delinqüentes, nem para toda a espécie de delitos; mas, debaixo do manto de Maria todos os pecadores acham refúgio; seja qual for o delito que hajam cometido: basta que a ela recorram para se refugiarem. Pelo que São João Damasceno a faz dizer: «Eu sou a cidade de refúgio para todos aqueles que vêm a mim.» O Bem-aventurado Alberto Magno aplica à Virgem Maria estas palavras de Jeremias: Ajuntai-vos, e entremos na cidade fortificada.

Logo que alguém entrar nesta cidade mística, recuperará a graça divina. Nem sequer lhe é preciso falar para ser salvo. Et sileamus ibi— «Guardemos aí silêncio». Sim, porque a Virgem piedosa, vendo-nos sem ânimo de pedir ao Senhor, falará por nós, e tão eficazmente, que, conforme a revelação de Jesus Cristo a Santa Brígida, ela obteria o perdão mesmo para Lúcifer, se (coisa aliás impossível) o espírito orgulhoso se humilhasse a pedir-lhe proteção.

Numa palavra, conclui São Bernardo, que Maria não tem horror de qualquer pecador, por imundo e abominável que seja. Contanto que recorra a Maria e lhe implore misericórdia, ela, o Refúgio dos pecadores, não hesitará em lhe dar a mão piedosa, afim de o arrancar do fundo da desesperação. Oh! seja sempre bendito e louvado nosso Deus, que nos deu uma Mãe tão doce e tão benigna. — ó Maria, infeliz de quem não vos ama! infeliz de quem não recorre a vós, não confia em vós.

II. Meu irmão, seja qual for o estado da tua alma, ouve como São Basílio te anima: «Não desanimes», diz o Santo, «mas em todas as tuas necessidades recorre a Maria; chama-a em teu auxílio, sempre a acharás pronta a te socorrer; pois que é esta a vontade de Deus, que ela socorra a todos e em todas as necessidades.

Invoca-a especialmente sob o título que lhe é tão caro, o de Mãe do Perpétuo Socorro. — Esta Mãe de misericórdia tem tão grande desejo de salvar os pecadores mais perdidos, que ela mesma os vai procurando para os auxiliar. Quanto mais, portanto, não auxiliará aos que a ela recorrem! Só se perde quem não recorre a Maria; mas quem jamais se perdeu depois de ter recorrido a ela e posto nela a sua confiança?

+ Ó Mãe do Perpétuo Socorro, eis aqui a vossos pés um pobre pecador, que recorre a vós e em vós confia, ó Mãe de misericórdia, compadecei-vos de mim. Eu ouço como todos vos chamam refúgio e esperança dos pecadores; sede, pois, meu refúgio e esperança minha. Socorrei-me pelo amor de Jesus Cristo; estendei a mão a um pobre pecador que se vos recomenda e para sempre se consagra ao vosso serviço. Eu dou graças e louvores a Deus, que na sua misericórdia me inspirou esta confiança em vós, a qual eu considero como penhor da minha eterna salvação. Se até agora tantas vezes tenho caído, foi por não ter recorrido a vós. Sei que por meio do vosso auxílio vencerei, e também que vós me acudireis, sempre que vos invocar; mas o que temo é esquecer-me de vós nas ocasiões do pecado, e assim me perder. Eis, pois, a graça que vos peço e encarecidamente vos suplico, de recorrer sempre a vós em todos os assaltos do inferno, dizendo: Ó Maria, valei-me; ó Mãe do perpétuo socorro, não permitais que eu perca a meu Deus[1]. (*I 57.)

[1] Indulgência de 100 dias.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 301-303.

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sábado, 12 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: X - Seu Espírito de Oração

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Nunca viu a terra uma alma que, como Maria, com tanta perfeição pusesse em prática o grande preceito do Salvador: Importa orar sempre e nunca cessar de o fazer (Lc 18, 1). Ninguém melhor do que Maria nos pode servir de exemplo, diz Conrado de Saxônia, e ensinar a necessidade da oração perseverante. S. Alberto Magno escreve que a Divina Mãe foi, abaixo de Jesus, a mais perfeita na oração, de quantos têm existido e hão de existir.

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sexta-feira, 11 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: IX - Sua Paciência

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

1. Sendo a terra lugar de merecimentos, é com razão chamada vale de lágrimas, porque nós todos aqui fomos postos para sofrer, e por meio da paciência conquistar a vida eterna para nossas almas

Pois, não disse o Senhor: Por vossa paciência possuireis vossas almas? (Lc 21, 19). Deu-nos ele a Virgem Maria para exemplo de todas as virtudes, mas principalmente para modelo de paciência.

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quinta-feira, 10 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: VIII - Sua Obediência

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

1. A Santíssima Virgem amava a obediência

Quando da embaixada de S. Gabriel não quis tomar outro nome senão o de escrava. “Eis aqui a escrava do Senhor”. Com efeito, testemunha S. Tomás de Vilanova, essa fiel escrava do Senhor nunca o contrariou, nem por ações, nem por pensamentos. Obedeceu sempre e em tudo à divina vontade, completamente despida de toda vontade própria. Ela mesma declarou que Deus se tinha agradado de sua obediência. “Ele olhou a baixeza de sua serva”. A humildade própria de uma serva é ser sempre pronta a obedecer. Por sua obediência, reparou Maria o dano causado pela desobediência de Eva, afirma S. Irineu. “Como a desobediência de Eva causou a morte ao gênero humano, assim pela obediência foi a Virgem, para si e para a humanidade, a causa da salvação”.

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quarta-feira, 9 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: VII - Sua Pobreza

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Nosso amoroso Redentor, para ensinar-nos a desprezar os bens do mundo, quis viver pobre na terra. “Por vosso amor Cristo se fez pobre, a fim de que vós fôsseis ricos” (2 Cor 8, 9). Daí a exortação do Senhor a quantos o querem seguir: Se queres ser perfeito, vai, vende o que tens, e dá-o aos pobres (Mt 19, 21). Maria, sua mais perfeita discípula, também lhe quis seguir o conselho.

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terça-feira, 8 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: VI - Sua Castidade

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Depois da queda de Adão, rebelaram-se os sentidos contra a razão, e não há para o homem mais difícil virtude a praticar do que a castidade. Conforme o Pseudo-Agostinho, por ela luta-se todos os dias, mas raramente se ganha a vitória. Mas o Senhor nos deu em Maria um grande modelo dessa virtude. Ela, com razão, é chamada Virgem das virgens, lemos em S. Alberto; e isso porque sem conselho, nem exemplo de outros, foi a primeira a oferecer sua virgindade a Deus, dando-lhe assim as outras virgens que a imitaram. Predisse-o Davi com as palavras: Virgens que te seguem serão conduzidas até ao rei...; entram no palácio do rei (Sl 44, 15 e 16). Sem conselho nem exemplo, digo eu, firmado em S. Bernardo. Ó Virgem — pergunta o Santo — quem te ensinou a agradar a Deus pela virgindade, levando na terra uma vida angélica? Ah! torna o Pseudo-Jerônimo, certamente Deus escolheu para sua Mãe esta Virgem puríssima, para que servisse a todos de exemplo de castidade. Eis a razão por que S. Ambrósio a chama de porta-bandeira da virgindade.

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segunda-feira, 7 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: V - Sua Esperança

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Da fé nasce a esperança. Pois Deus nos ilumina com a fé, fazendo-nos conhecer sua bondade e suas promessas, para que nos elevemos pela esperança ao desejo de possuí-lo. Possuindo Maria a virtude da fé por excelência, teve também, por excelência, a virtude da esperança. Bem podia dizer com Davi: Para mim a felicidade é apegar-me a Deus, pôr no Senhor Deus a minha esperança (Sl 22, 28). Maria foi a fiel esposa do Espírito Santo, aplaudida nos Cânticos: Quem é esta que sobe do deserto inundando delícias, e firmada sobre o seu amado? (8, 5). Sobre o texto diz o Cardeal Algrino: “Maria foi sempre e totalmente desapegada dos afetos do mundo, que lhe passava por um deserto. Não confiava nem nas criaturas, nem nos próprios merecimentos, mas só contava com a graça divina, na qual estava toda a sua confiança. E assim se adiantou cada vez mais no amor de seu Deus”.

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domingo, 6 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: IV - Sua Fé

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

A bem-aventurada Virgem, assim como é Mãe do amor e da esperança, também é Mãe da fé. “Eu sou a Mãe do belo amor, do temor e do conhecimento e da santa esperança” (Eclo 24, 24). Acertadamente tal se chama, diz S. Ireneu, porque o dano que Eva com sua incredulidade causou, Maria o reparou com sua fé. Palavra essa que Tertuliano confirma, dizendo: Eva deu crédito à serpente, em oposição à palavra de Deus e com isso trouxe a morte; nossa Rainha, ao invés, crendo na palavra do anjo, segundo a qual devia ser Mãe do Senhor e permanecer virgem, gerou ao mundo a salvação. De acordo está com isso a seguinte sentença, atribuída a S. Agostinho: Dando Maria seu consentimento à Encarnação do Verbo, abriu aos homens o paraíso por sua fé. Identicamente exprime-se também Ricardo de S. Vítor, com referência à palavra de S. Paulo: O marido infiel é santificado pela mulher fiel (1 Cor 7, 7). E Maria, diz Ricardo, essa mulher fiel, porque com sua fé salvou Adão e a toda descendência dele. Por causa desta fé, proclamou-a Isabel bem-aventurada: “E bem-aventurada tu, que creste, porque se cumprirão as coisas que da parte do Senhor te foram ditas” (Lc 1, 45). Porque abriu seu coração à fé em Cristo, é Maria mais bem-aventurada do que por haver trazido no seio o corpo de Jesus Cristo.

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sábado, 5 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: III - Sua Caridade para com o Próximo

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

O amor para com Deus e para com o próximo nos é imposto pelo mesmo preceito: “E nós temos de Deus este mandamento que o que ama a Deus ame também o seu irmão” (1 Jo 4, 21). S. Tomás dá-nos a razão: Quem ama a Deus ama todas as coisas amadas por ele. Disse um dia S. Catarina de Sena: Meu Deus, quereis que eu ame ao próximo e só a vós eu posso amar. Ao que lhe respondeu o Senhor: Quem me ama também ama tudo aquilo que é amado por mim. Ora, como nunca houve, nem haverá quem ame a Deus mais do que Maria, tão pouco nunca houve, nem haverá quem mais do que ela ame ao próximo.

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sexta-feira, 4 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: II - Sua Caridade Para com Deus

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Diz S. Alberto Magno: Quanto é grande a pureza, é também grande o amor. Quanto mais um coração é puro e vazio de si mesmo, tanto mais cheio é de caridade para com Deus. Assim Maria, sendo sumamente humilde e vazia de si, foi cheia do divino amor e nesse amor excedeu a todos os anjos e homens, como disse S. Bernardino de Sena. Com razão, a chama S. Francisco de Sales Rainha do amor.

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quinta-feira, 3 de junho de 2010

As Virtudes de Nossa Senhora: I - Humildade de Maria

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

De todas as virtudes é a humildade o fundamento e a guarda, lê-se com razão nos sermões sobre a Salve Rainha. Sem humildade, não há virtude que possa existir numa alma. Possua embora todas as virtudes, fugiriam todas ao lhe fugir a humildade. Pelo contrário, Deus tão amante é da humildade, que se apressa em correr onde a vê, escreve S. Francisco de Sales a S. Joana de Chantal.

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As Virtudes de Nossa Senhora: Introdução

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Diz o Pseudo-Agostinho que, para obter com mais certeza e profusão os favores dos santos, é necessário imitá-los porque nosso esforço nesse sentido fá-los dispostos a rogar por nós. Depois de ter subtraído alguma alma das garras de Lúcifer, unindo-a com Deus, quer Maria, Rainha dos santos e nossa primeira advogada, que ela se aplique a imitá-la. Do contrário não poderá enriquecê-la de suas graças como desejaria, vendo-a a si oposta nos costumes. Chama por isso de bem-aventurados os que diligentemente lhe imitam a vida. “Agora, pois, filhos, ouvi-me: Bem-aventurados os que guardam os meus caminhos” (Pr 8, 32).

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terça-feira, 1 de junho de 2010

Devoção à Santíssima Virgem: Introdução

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Luís Maria Grignion de Montfort

1. Foi por intermédio da Santíssima Virgem Maria que Jesus Cristo veio ao mundo, e é também por meio dela que ele deve reinar no mundo.

2. Toda a sua vida Maria permaneceu oculta; por isso o Espírito Santo e a Igreja a chamam Alma Mater – Mãe escondida e secreta[1].  Tão profunda era a sua humildade, que, para ela, o atrativo mais poderoso, mais constante era esconder-se de si mesma e de toda criatura, para ser conhecida somente de Deus.

3. Para atender aos pedidos que ela lhe fez de escondê-la, empobrecê-la e humilhá-la, Deus providenciou para que oculta ela permanecesse em seu nascimento, em sua vida, em seus mistérios, em sua ressurreição e assunção, passando despercebida aos olhos de quase toda criatura humana. Seus próprios parentes não a conheciam; e os anjos perguntavam muitas vezes uns aos outros: Quae est ista?... – Quem é esta? (Cant. 3, 6; 8, 5) pois que o Altíssimo lha escondia; ou, se algo lhes desvendava a respeito, muito mais, infinitamente, lhes ocultava.

4. Deus Pai consentiu que jamais em sua vida ela fizesse algum milagre, pelo menos um milagre visível e retumbante, conquanto lhe tivesse outorgado o poder de fazê-los. Deus Filho consentiu que ela não falasse, se bem que lhe houvesse comunicado a sabedoria divina. Deus Espírito Santo consentiu que os apóstolos e evangelistas a ela mal se referissem, e apenas no que fosse necessário para manifestar Jesus Cristo. E, no entanto, ela era a Esposa do Espírito Santo.

5. Maria é a obra-prima por excelência do Altíssimo, cujo conhecimento[2] e domínio ele reservou para si. Maria é a Mãe admirável do Filho, a quem aprouve humilhá-la e ocultá-la durante a vida para lhe favorecer a humildade, tratando-a de mulher – mulier (Jo. 2, 4; 19, 26), como a uma estrangeira, conquanto em seu Coração a estimasse e amasse mais que todos os anjos e homens. Maria é a fonte selada (Ct. 4, 12) e a esposa fiel do Espírito Santo, onde só ele pode penetrar. Maria é o santuário, o repouso da Santíssima Trindade, em que Deus está mais magnífica e divinamente que em qualquer outro lugar do universo, sem excetuar seu trono sobre os querubins e serafins; e criatura alguma, pura que seja, pode aí penetrar sem um grande privilégio.

6. Digo com os santos: Maria Santíssima é o paraíso terrestre[3] do novo Adão, no qual este se encarnou por obra do Espírito Santo, para aí operar maravilhas incompreensíveis. É o grande, o divino mundo de Deus[4], onde há belezas e tesouros inefáveis. É a magnificência de Deus[5], em que ele escondeu, como em seu seio, seu Filho único, e nele tudo que há de mais excelente e mais precioso. Oh! que grandes coisas e escondidas Deus todo-poderoso realizou nesta criatura admirável, di-lo ela mesma, como obrigada, apesar de sua humildade profunda: Fecit mihi magna qui potens est (Lc. 1, 49). O mundo desconhece essas coisas porque é inapto e indigno.

7. Os santos disseram coisas admiráveis desta cidade santa de Deus; e nunca foram tão eloqüentes nem mais felizes, - eles o confessam – que ao tomá-la como tema de suas palavras e de seus escritos. E, depois proclama que é impossível perceber a altura dos seus méritos, que ela elevou até ao trono da Divindade; que a largura de sua caridade, mais extensa que a terra, não se pode medir; que está além de toda compreensão a grandeza do poder que ela exerce sobre o próprio Deus; e, enfim, que a profundeza de sua humildade e de todas as suas virtudes e graças são um abismo impossível de sondar. Ó altura incompreensível! Ó largura inefável! Ó grandeza incomensurável! Ó abismo insondável!

8. Todos os dias, dum extremo da terra ao outro, no mais alto dos céus, no mais profundo dos abismos, tudo prega, tudo exalta a incomparável Maria. Os nove coros de anjos, os homens de todas as idades, condições e religiões, os bons e os maus, os próprios demônios são obrigados, de bom ou mau grado, pela força da verdade, proclamá-la bem-aventurada. Vibra nos céus, como diz São Boaventura, o clamor incessante dos anjos: Sancta, sancta, sancta Maria, Dei Genetrix et Virgo; e milhões e milhões de vezes, todos os dias, eles lhe dirigem a saudação angélica: Ave Maria..., prosternando-se diante dela e pedindo-lhe a graça de honrá-los com suas ordens. E a todos se avantaja o príncipe da corte celeste, São Miguel, que é o mais zeloso em render-lhe e procurar toda sorte de homenagens, sempre atento, para ter a honra de, à sua palavra, prestar um serviço a algum dos seus servidores.

9. Toda a terra está cheia de sua glória, particularmente entre os cristãos, que a tomam como padroeira e protetora em muitos países, províncias, dioceses e cidades. Inúmeras catedrais são consagradas sob a invocação do seu nome. Igreja alguma se encontra sem um altar em sua honra; não há região ou país que não possua alguma de suas imagens milagrosas, junto das quais todos os males são curados e se obtêm todos os bens. Quantas confrarias e congregações erigidas em sua honra! Quantos institutos e ordens religiosas abrigados sob seu nome e proteção! Quantos irmãos e irmãs de todas as confrarias, e quantos religiosos e religiosas a entoar os seus louvores, a anunciar as suas maravilhas! Não há criancinha que, balbuciando a Ave-Maria, não a louve; mesmo os pecadores, os mais empedernidos, conservam sempre uma centelha de confiança em Maria. Dos próprios demônios no inferno, não há um que não a respeite, embora temendo.

10. Depois disto é preciso dizer, em verdade, com os santos:

De Maria nunquam satis... Ainda não se louvou, exaltou, honrou, amou e serviu suficientemente a Maria, pois muito mais louvor, respeito, amor e serviço ela merece.

11. É preciso dizer, ainda, com o Espírito Santo: Omnia gloria eius filiae Regis ab intus – Toda a glória da Filhado Rei está no interior (Sl. 44. 14), como se toda a glória exterior, que lhe dão, a porfia, o céu e a terra, nada fosse em comparação daquela que ela recebe no interior, da parte do Criador, e que desconhecem as fracas criaturas, incapazes de penetrar o segredo dos segredos do Rei.

12. Devemos, portanto, exclamar com o apóstolo: Nec oculus vidit, nec auris audivit, nec in cor hominis ascendit (1 Cor. 2, 9) – os olhos não viram, o ouvido não ouviu, nem o coração do homem compreendeu as belezas, as grandezas e excelências de Maria, o milagre dos milagres da graça[6], da natureza e da glória. Se quiserdes compreender a Mãe – diz um santo – compreendei o Filho. Ela é uma digna Mãe de Deus: Hic taceat omnis lingua – Toda língua aqui emudeça.

13. Meu coração ditou tudo o que acabo de escrever com especial alegria, para demonstrar que Maria Santíssima tem sido, até aqui, desconhecida[7], e que é esta uma das razões por que Jesus Cristo não é conhecido como deve ser. Quando, portanto, e é certo, o conhecimento e o reino de Jesus Cristo tomarem o mundo, será como uma conseqüência necessária do conhecimento e do reino da Santíssima Virgem Maria. Ela o deu ao mundo a primeira vez, e também, da segunda, o fará resplandecer.

[1] Antífona à Santíssima Virgem para o tempo do Natal; hino “Ave Maris Stella”.
[2] ... ut soli Deo cognoscenda reservetur (São Bernardino de Sena, sermão 51, art. 1, cap. 1).
[3] Rationalis secundi Adam paradisus. São Leão Grande (Serm. De Annuntiatione).
[4] Mundus specialissimus altissimi Dei (São Bernardo)
[5] Magnificentia Dei. Ricardo de São Lourenço (De laud. Virg., lib. IV).
[6] Miraculum miraculorum (São João Damasceno, Oratio I de Nativitate B. V.)
[7] No sentido de: conhecida insuficientemente, como se depreende de todo este parágrafo e da expressão: “Jesus Cristo não é conhecido como deve ser”.

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MONTFORT, Luís Maria Grignion de. Tratado da Vedadeira Devoção à Santíssima Virgem.  Petrópolis: Vozes, 1998, p. 17-24.

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