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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

O Coração de Jesus, Amigo das almas castas

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Beati mundo corde, quoniam ipsi Deum videbunt — «Bem-aventurados os limpos de coração, porque eles verão a Deus» (Mt 5, 8)

Sumário. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e às almas puras: elas lhe são tão caras como os anjos. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Esta virtude é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens, que mereceu a São José a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus. Se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus, e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade.

I. O Coração de Jesus consagra afeto especial às virgens e almas puras; elas lhe são tão caras como os anjos. Tais são os atrativos da virtude da castidade; também, diz Santo Ambrósio, aquele que a guarda, é um anjo, aquele que a perde, é um demônio. Uma alma casta é a esposa predileta de Jesus. Eu prometi a Jesus Cristo, diz São Paulo, apresentar-lhe as vossas almas como esposas castas (2 Cor 11, 2). Escrito está que o Esposo divino se nutre entre os lírios — Qui pascitur inter lilia (Cant 2, 16). Estes lírios são as almas que se conservam puras para agradar a Deus. Um intérprete nota sobre esta passagem, que, como o demônio se sustenta das manchas da impudicícia, assim o Coração de Jesus se nutre dos lírios da castidade.

Esta virtude, alcançada em grau supremo, é que formou a união mais íntima entre Jesus e Maria, a Virgem das virgens. Esta união de amor foi tal, que seu coração não formava senão um com o coração de Jesus. Esta Virgem incomparável pareceu tão bela aos olhos do Senhor, que ele ficou arrebatado pela sua beleza, e por isso lhe chama a sua única pomba, a sua única perfeita (Cant 6, 8). Quanto mais um coração é puro, diz Alberto Magno, tanto mais se enche de amor divino. Daí vem que o amor sagrado feriu e transpassou de tal modo o coração de Maria, que não ficou parte alguma dele que não fosse abrasada.

A grande pureza de São José é que lhe mereceu a glória incomparável de ser escolhido para pai nutrício de Jesus; sua pureza mereceu-lhe a felicidade de viver na intimidade do Filho de Deus. Ah! que afetos deviam penetrar o coração de José, quando levava nos seus braços este amável Menino e lhe fazia ou recebia ternas carícias, e ouvia sair da sua boca as palavras de vida eterna, que, como outros tantos dardos inflamados, abrasavam a sua bela alma! É assim que Deus recompensou a virtude da castidade.

II. Meu irmão, se queres também tornar-te caro ao Coração de Jesus e merecer as suas ternas consolações, procura primar na castidade, sabendo que todas as riquezas da terra não são nada em comparação de uma alma casta (Eclo 26, 20). Por ser maior o valor desta virtude, mais terrível é a guerra que a carne faz ao homem para lhe arrebatar este tesouro. Para conservá-la, pois, é necessário empregar toda vigilância possível.

É necessário fugir das ocasiões. Quasi a facie colubri, fuge peccata (Eclo 21, 2) — «Foge do pecado», diz o Espírito Santo «como se foge de uma serpente». Importa ainda, se queres ser casto, fugir da ociosidade. «O trabalho», diz Santo Isidoro, «amortece o fogo da concupiscência». Pratica também a humildade e mortificação. A castidade conserva-se no meio das mortificações, mas, como diz São Bernardo, pela humildade é que se obtém. O mais necessário, porém, é a oração. É pela oração que os santos venceram todas as tentações de que foram acometidos.

Terno Redentor meu, eu Vos agradeço me terdes dado tantos meios para vencer as tentações que me assaltam cada dia. Vejo que quereis a minha felicidade eterna: eu também a quero, principalmente para agradar ao vosso Coração que deseja tanto a minha salvação. Meu Deus, não quero mais resistir ao amor que me tendes. Eu Vos amo, ó bondade suprema, eu Vos amo, Bem infinito: pelos merecimentos do vosso Coração não permitais que eu seja ingrato aos vossos benefícios. Esclarecei-me, fortificai-me, abrasai-me no vosso amor. — Ó Maria, tesoureira do Coração de Jesus, proclamai-me vosso servo; é o título que ambiciono, e rogai a Jesus por mim. Depois dos seus merecimentos, são as vossas orações que devem me salvar.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Terceiro: desde a duodécima semana depois de Pentecostes até ao fim do ano eclesiástico. Friburgo: Herder & Cia, 1922, p.400-403.

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quarta-feira, 10 de agosto de 2011

10 de Agosto – Santa Filomena

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Tradução livre de Melissa Bergonso

DESCOBRIMENTO DE SEUS RESTOS MORTAIS

Filomena, uma jovem mártir da igreja primitiva, adormeceu no esquecimento da história até a descoberta de seus restos mortais em 24 de maio de 1802. Aconteceu no dia de Maria Auxiliadora, durante uma das escavações que se fazem constantemente em Roma. Ela foi encontrada na Catacumba de Santa Priscila, na Via Salaria.

Em uma tumba havia três placas juntas que fechavam a entrada, e nelas havia uma inscrição que estava rodeada por símbolos que aludiam ao martírio e à virgindade da pessoa ali enterrada. Os símbolos eram: âncora, três setas, uma palma e uma flor.

A inscrição dizia: LUMENA PAXTE CUM FI. Entende-se que essas placas podem ter sido colocadas em ordem incorreta, devido à pressa ou ao pouco conhecimento do latim da pessoa que a enterrou. No entanto, com a inscrição corretamente colocada leria-se: PAX TECUM FILUMENA (em português: A paz esteja contigo, Filomena).

Ao abrir a tumba descobriram seu esqueleto, que era de ossos pequenos, e perceberam que seu corpo havia sido transpassado por flechas. Ao examinar os restos, os cirurgiões testemunharam os tipos de feridas que a jovem mártir recebeu e os especialistas concordaram, calculando que a menina foi martirizada entre a idade de 12 ou 13 anos.

COSTUMES DOS PRIMEIROS CRISTÃOS

Pelo entusiasmo que causava nos primeiros cristãos a coragem daqueles que morriam pela fé, costumavam marcar a lápide com o símbolo da palma, e colocavam ao lado um pequeno frasco contendo o sangue do mártir.

Quando os cientistas estavam transferindo o sangue seco para um novo frasco transparente, diante de todos os que estavam presentes, sucedeu-se um feito extraordinário. Para o assombro de todos, viram que as pequenas partículas de sangue seco, quando caíam no novo frasco, brilhavam como ouro, diamantes e pedras preciosas e resplandeciam em todas as cores do arco-íris. (Até o presente, pode-se observar, em alguns momentos de graça, que estas partículas mudam de cor.)

Os ossos, crânio e cinzas, junto com o frasco que continha o sangue, foram depositados em um ataúde, o qual foi fechado e triplamente selado. Sob guarda de honra, o ataúde de ébano foi levado, à custódia do Cardeal Vigário de Roma, a uma capela onde se guardam os corpos dos santos.

A Congregação de Indulgências e Relíquias declarou a autenticidade das relíquias da mártir.

DADOS BIOGRÁFICOS

Apesar de ter seus restos mortais, a Igreja ainda não sabia nada sobre a vida de Santa Filomena. O que sabemos desta santa é graças a revelações particulares recebidas da santa em 1863 por três diferentes pessoas, em resposta às orações de muitos que desejavam saber quem era ela e como chegou ao martírio.

As pessoas favorecidas foram um jovem artista de boa moral e vida piedosa, um devoto sacerdote e uma piedosa religiosa de Nápoles, a Venerável Madre Maria Luísa de Jesus, que morreu em odor de santidade. (Essas revelações receberam o Imprimatur da Santa Sé, dando testemunho de que não há nada contrário à Fé. A Igreja não fez nenhum outro pronunciamento e não garante a autenticidade das supostas revelações. A Santa Sé deu a autorização para a propagação delas em 21 de dezembro de 1883.)

A HISTÓRIA DA VIDA SEGUNDO AS REVELAÇÕES À MADRE MARIA LUÍSA DE JESUS

Eu sou filha de um príncipe que governava um pequeno estado da Grécia. Minha mãe era também da realeza. Eles não tinham filhos. Eram idólatras e continuamente ofereciam orações e sacrifícios a seus deuses falsos.

Um doutor de Roma chamado Publio vivia no palácio à serviço de meu pai. Este doutor tinha professado o cristianismo. Vendo a aflição dos meus pais, e por um impulso do Espírito Santo, lhes falou acerca de nossa Fé e lhes prometeu orar por eles, se consentissem em batizar-se. A graça que acompanhava suas palavras iluminaram o entendimento de meus pais e triunfou sobre a vontade deles. Se fizeram cristãos e obtiveram seu esperado desejo de ter filhos.

Ao nascer, puseram-me o nome de Lumena, em alusão à luz da Fé, da qual era fruto. No dia de meu batismo me chamaram Filomena, filha da luz (filia luminis) porque neste dia havia nascido à Fé.

Meus pais me tinham grande carinho e sempre me tinham com eles. Foi por isso que me levaram a Roma, em uma viagem que meu pai foi obrigado a fazer devido a uma guerra injusta.

Eu tinha treze anos. Quando chegamos na capital nos dirigimos ao palácio do imperador e fomos admitidos para uma audiência. Assim que Diocleciano me viu, fixou os olhos em mim.

O imperador ouviu toda a explicação do príncipe, meu pai. Quando este acabou, e não querendo ser já mais molestado, lhe disse: "Eu colocarei à tua disposição toda a força de meu império. Eu somente desejo uma coisa em troca, que é a mão de tua filha". Meu pai deslumbrado com uma honra que não esperava, aceita imediatamente a proposta do imperador, e quando regressamos à nossa casa, meu pai e minha mãe fizeram todo o possível para me induzir a ceder aos desejos do imperador e aos seus. Eu chorava e lhes dizia: "Vocês desejam que por amor de um homem eu rompa a promessa que eu fiz a Jesus Cristo? Minha virgindade pertence a Ele e eu já não posso dispor dela".

"Mas você é muito jovem para esse tipo de compromisso" – me diziam – e juntavam as mais terríveis ameaças para me fazer aceitar a mão do imperador.

A graça de Deus me fez invencível. Meu pai, não podendo fazer o imperador ceder e para desfazer-se da promessa que havia feito, foi obrigado por Diocleciano a me levar à sua presença.

Antes tive que suportar novos ataques da parte de meus pais até o ponto, que de joelhos diante de mim, imploraram com lágrimas em seus olhos que tivesse piedade deles e de minha pátria. Minha resposta foi: "Não, não, Deus e o voto de virgindade que eu Lhe fiz está em primeiro que vocês e minha pátria. Meu reino é o Céu".

Minhas palavras os fizeram desesperar e me levaram diante da presença do imperador, que fez todo o possível para ganhar-me com suas atrativas promessas e com suas ameaças, as quais foram inúteis. Ele ficou furioso e influenciado pelo demônio me mandou a uma das prisões do palácio, onde fui acorrentada. Pensando que a vergonha e a dor fossem debilitar o valor que meu Divino Esposo me havia inspirado, vinha me ver todos os dias e soltava minhas cadeias para que pudesse comer a pequena porção de pão e água que recebia como alimento, e depois renovava seus ataques, que se não fosse pela graça de Deus não teria podido resistir.

Eu não cessava de encomendar-me a Jesus e à sua Santíssima Mãe.

Meu cativeiro durou trinta e sete dias, e em meio a uma luz celestial, vi Maria com seu Divino Filho em seus braços, a qual me disse: "Filha, três dias mais de prisão, e depois de quarenta dias se acabará este estado de dor". As felizes notícias fizeram meu coração bater de alegria, mas como a Rainha dos Anjos havia dito, deixaria a prisão para sustentar um combate mais terrível que os que já havia tido. Passei da alegria a uma terrível angústia, que pensava que me mataria. "Filha, tem coragem", disse a Rainha dos Céus, e me recordou meu nome, o qual havia recebido no meu Batismo, dizendo-me: "Tu és LUMENA, e teu Esposo é chamado Luz. Não tenhas medo. Eu te ajudarei. No momento do combate a graça virá para dar-te força. O anjo Gabriel virá socorrer-te, Eu lhe recomendarei especialmente a ele o teu cuidado".

As palavras da Rainha das Virgens me deram ânimo. A visão desapareceu deixando a prisão cheia de um perfume celestial.

O que se havia anunciado, logo se realizou. Diocleciano, perdendo todas as suas esperanças de me fazer cumprir a promessa de meu pai, tomou a decisão de torturar-me publicamente e o primeiro tormento era ser flagelada. Ordenou que me tirassem meus vestidos, que fosse atada a uma coluna em presença de um grande número de homens da corte, e fez com que me chicoteassem com tal violência que meu corpo se banhou em sangue e parecia como uma só ferida aberta. O tirano, pensando que eu ia desmaiar e morrer, mandou que me arrastassem à prisão para que morresse.

Dois anjos, brilhantes como a luz, apareceram a mim na escuridão e derramaram um bálsamo sobre minhas feridas, restaurando em mim a força, que não tinha antes de minha tortura.

Quando o imperador foi informado da mudança que em mim havia ocorrido, mandou que me levassem diante de sua presenta e tratou de fazer-me ver que minha cura se devia a Júpiter, o qual desejava que eu fosse a imperatriz de Roma. O Espírito Divino, a quem devia a constância em perseverar na pureza, me encheu de luz e conhecimento, e a todas as provas que dava da solidez da nossa Fé, nem o imperador nem sua corte podiam encontrar resposta.

Então, o imperador frenético, ordenou que me lançassem, com uma âncora atada ao pescoço, nas águas do rio Tibre. A ordem foi executada imediatamente, mas Deus permitiu que não acontecesse. No momento em que eu ia ser precipitada ao rio, dois anjos vieram em meu socorro, cortando a corda que estava atada à âncora, a qual foi parar no fundo do rio, e me transportaram gentilmente, à vista da multidão, às margens do rio.

O milagre fez com que um grande número de espectadores se convertessem ao cristianismo.

O imperador, alegando que o milagre se devia à magia, mandou que me arrastassem pelas ruas de Roma e ordenou que me fosse disparada uma chuva de flechas. Sangue brotou de todas as partes do meu corpo, e ele ordenou que eu fosse levada de novo a meu calabouço.

Então o céu me honrou com um novo favor. Entrei em um doce sonho e quando despertei estava totalmente curada. O tirano, cheio de raiva, disse: "Que seja transpassada com flechas afiadas". Outra vez os arqueiros dobraram seus arcos, empenharam todas as suas forças, porém as flechas se negaram a sair. O imperador estava presente e ficou furioso, e pensando que a ação do fogo podia romper o encanto, ordenou que as esquentassem no forno e que fossem dirigidas ao meu coração. Ele foi obedecido, mas as flechas, depois de haver percorrido parte da distância, tomaram a direção contrária e regressaram, ferindo aqueles que as haviam atirado. Seis dos arqueiros morreram. Alguns deles renunciaram ao paganismo e o povo começou a dar testemunho público do poder de Deus que me havia protegido. Isto enfureceu o tirano. Este determinou apressar minha morte, ordenando que minha cabeça fosse cortada com um machado. Então, minha alma voou até meu Divino Esposo, que me deu a palma do martírio e a coroa da virgindade.

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Fonte (em espanhol): Corazones.Org

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terça-feira, 5 de abril de 2011

Bem-aventurada Catarina Tekakwitha

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Catarina Tekakwitha Esta nova beata nasceu nos confins entre o Estado de Nova Iorque e o Canadá por volta do ano de 1656. Seu nome original era Joragod, que significa “esplendor do sol”, e de fato era predestinada a resplandecer pelas suas heróicas virtudes. Sua mãe, quando ainda moça, foi catequizada pelos primeiros missionários jesuítas do Canadá, mas, em consequência duma guerra entre tribos, foi presa, levada escrava e tomada como esposa pelo chefe da tribo.
 
Desta união nasceu Catarina. Apesar de o pai ser contrário à religião dos brancos, a mãe conseguiu semear naquele pequeno coração as primeiras noções da religião cristã e muito amor a Jesus crucificado. No entanto, ela crescia sem batismo, pois não lhes era permitido entrar em contato com os missionários.
 
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sexta-feira, 28 de maio de 2010

São João Maria Vianney: Sermão sobre a Pureza

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Por São João Maria Vianney

“Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus” (Mat. 5, 8).

Nós lemos no Evangelho, que Jesus Cristo, querendo ensinar ao povo que vinha em massa, aprender dEle o que era preciso fazer para ter a vida eterna, senta-se e, abrindo a boca, lhes diz: “Bem-aventurados os puros de coração, porque eles verão a Deus.” Se nós tivéssemos um grande desejo de ver a Deus, meus irmãos, só estas palavras não seriam acaso suficientes para nos fazer compreender quanto a pureza nos torna agradáveis a Ele, e quanto ele nos é necessária? Pois, segundo Jesus Cristo, sem ela, nós não o veremos jamais! “Bem-aventurados, nos diz Jesus Cristo, os puros de coração, porque eles verão o bom Deus”. Pode-se acaso esperar maior recompensa que a que Jesus Cristo liga a esta bela e amável virtude, a saber, a posse das Três Pessoas da Santíssima Trindade, por toda a eternidade?... São Paulo, que conhecia bem o preço desta virtude, escrevendo aos Coríntios, lhes diz: “Glorificai a Deus, pois vós o levais em vossos corpos; e sede fiéis em conservá-los em grande pureza. Lembrai-vos bem, meus filhos, de que vossos membros são membros de Jesus Cristo, e que vossos corações são templos do Espírito Santo. Tomai cuidado de não os manchar pelo pecado, que é o adultério, a fornicação, e tudo aquilo que pode desonrar vossos corpo e vosso coração aos olhos de Deus, que a pureza mesma”. (I Cor, 6, 15-20) Oh! Meus irmãos, como esta virtude é bela e preciosa, não somente aos olhos dos homens e dos anjos, mas aos olhos do próprio Deus. Ele faz tanto caso dela que não cessa de a louvar naqueles que são tão felizes de a conservar. Também, esta virtude inestimável constitui o mais belo adorno da Igreja, e, por conseguinte, deveria ser a mais querida dos cristãos. Nós, meus irmãos, que no Santo Batismo fomos rociados com o Sangue adorável de Jesus Cristo, a pureza mesma; neste Sangue adorável que gerou tantas virgens de um e outro sexo; nós, a quem Jesus Cristo fez participantes de sua pureza, tornando-nos seus membros, seu templo... Mas, ai! Meus irmãos, neste infeliz século de corrupção em que vivemos, não se conhece mais esta virtude, esta celeste virtude que nos torna semelhantes aos anjos!... Sim, meus irmãos, a pureza é uma virtude que nos é necessária a todos, pois que, sem ela, ninguém verá o Bom Deus. Eu queria fazer-vos conceber desta virtude uma idéia digna de Deus, e vos mostrar, 1º. quanto ela nos torna agradáveis a Seus olhos, dando um novo grau de santidade a todas as nossas ações, e 2º. o que nós devemos fazer para conservá-la.

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quinta-feira, 27 de maio de 2010

Maria Santíssima: Modelo de Castidade

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Por Santo Afonso Maria de Ligório

Sicut lilium inter spinas, sic amica mea inter filías - "Como é a açucena entre os espinhos, assim é a minha amiga entre as filhas" (Cant. 2, 2).

Sumário. A pureza da Santíssima Virgem foi tão grande, que o Verbo divino a elegeu para sua Mãe, afim de que servisse a todos de exemplo de castidade. Como recompensa da sua inefável virgindade, Maria tem o privilégio de preservar do pecado os seus devotos e de os levantar depois da queda. É necessário, porém, que da nossa parte ponhamos em prática os meios para vencer, especialmente o evitar as ocasiões, e praticar a oração, consagrando-nos à Virgem de manhã e à noite, e invocando o seu nome em cada assalto do inimigo infernal.

I. Depois da queda de Adão, e de os sentidos se haverem rebelado contra a razão, a virtude da castidade tornou-se a mais difícil de ser praticada. Mas, seja para sempre louvado o Senhor, que em Maria nos deu um grande modelo desta virtude. Diz o Bem-aventurado Alberto Magno que Maria é chamada com razão Virgem das virgens; pois que, sendo ela a primeira, sem conselho nem exemplo de ninguém, a oferecer a sua virgindade a Deus, deu ao mesmo Deus todas as virgens que depois a imitaram, segundo a profecia de Davi: Adducentur Regi virgines post eam (Salm. 44, 14) - "Serão apresentadas ao Rei virgens depois dela". E São Soprônio acrescenta que Deus escolheu esta Virgem puríssima por Mãe, exatamente para que ela servisse a todos de modelo de castidade. Pelo que Santo Ambrósio lhe dá o belo título de Porta-bandeira da virgindade.

Por motivo desta sua pureza foi a Santíssima Virgem chamada pelo Espírito Santo bela como a rola (Cant. 1, 9); como também açucena: sicut lilium inter spinas. E aqui adverte Dionísio Cartusiano, que ela foi chamada açucena entre os espinhos, porque todas as demais virgens foram espinhos para si próprias ou para os outros; Maria Santíssima, ao contrário, não o foi nem para si nem para os outros. Segundo observa Santo Tomás, a beleza de Maria inspirava a todos amor à pureza, e só ao ser vista, infundia pensamentos e afetos castíssimos.

Numa palavra, diz um autor que a Bem-aventurada Virgem foi tão amante desta virtude, que, para a conservar, estaria disposta a renunciar ainda à dignidade de Mãe de Deus. Isto se colige das mesmas palavras que dirigiu ao Arcanjo, e das que por fim acrescentou: Fiat mihi secundum verbum tuum (Luc. 1, 38) - "Faça-se em mim segundo a tua palavra"; significando que dava o seu consentimento porque o Anjo lhe assegurava que devia ser mãe unicamente por obra do Espírito Santo.

II. Os que são castos, tornam-se anjos, como já disse o Senhor: Erunt sicut angeli Dei (Mat. 22, 30) - "Eles serão como anjos de Deus". Mas os impuros fazem-se odiosos a Deus como os demônios. Quantos homens caem todos os dias no inferno por causa da impureza! Diz São Bernardo: "Este vício arrasta quase o mundo todo ao suplício" - Hoc peccatum quasi totum mundum trahit ad supplicium.

Como recompensa de sua pureza singular a Santíssima Virgem obteve de Jesus Cristo o privilégio de poder preservar os seus devotos desde vício, e de os erguer da queda, se por ventura viessem a cair. Ela quer, porém, que ponhamos em prática os meios de que ela mesma usou, posto que não tivesse necessidade disso. Estes meios são três: a mortificação dos sentidos, em particular da gula e da vista; a fuga das ocasiões e a oração.

Será sobretudo utilíssimo para a conservação da pureza, que tomemos o hábito tão louvável de rezar de manhã e à noite três Ave-Marias com o rosto em terra, de nos consagrarmos inteiramente a esta divina Mãe, de recorrer com confiança a ela nos momentos da tentação; de lhe recordar que somos seus filhos, e de repetir os dulcíssimos Nomes de Jesus e Maria, enquanto durar a tentação. Oh! quantas almas, que deviam estar no inferno, estão agora no céu por terem tomado este hábito tão salutar! E ao contrário, quantas almas, que atualmente estão ardendo no abismo, teriam sido grandes santos no céu, se tivessem seguido tão bela prática!

† "Ó minha Senhora e Mãe, eu me ofereço todo a vós, e como prova de minha devoção, vos consagro hoje os meus olhos, os meus ouvidos, a minha boca, o meu coração, todo o meu ser. E já que sou vosso, ó boa Mãe, guardai-me, defendei-me como coisa e propriedade vossa [1]. - Ó minha Senhora e Mãe, lembrai-vos de que sou vosso; salvai-me, defendei-me como propriedade vossa"[2]. (I 265)

[1] Indulgência de 100 dias, para quem reza de manhã e à noite uma Ave-Maria com esta oração.

[2] Indulgência de 40 dias nos momentos de tentação.

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LIGÓRIO, Afonso Maria de. Meditações: Para todos os Dias e Festas do Ano: Tomo Segundo: Desde o Domingo da Páscoa até a Undécima Semana depois de Pentecostes inclusive. Friburgo: Herder & Cia, 1921, p. 139-142.
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sábado, 8 de agosto de 2009

A Guerra Secular Contra o Sobrenatural (Parte V) - A Missão Religiosa da Mulher

11 comentários:
Por Dra. Alice von Hildebrand*
Tradução livre de Melissa Bergonso

A Missão Religiosa da Mulher

Mas deixe-me voltar à questão do feminismo, que foi uma das minhas maiores preocupações. O Feminismo começou como uma forma de revolta contra tratamentos incorretos e injustificados que as mulheres sofriam ocasionalmente, e um dos meus deleites na Cidade Universitária, dia após dia, foi quão tola meus colegas me consideravam. Por um longo período eu fui a única mulher no Departamento. E eles costumavam dizer “Uma mulher, como você pode ensinar filosofia?” É muito trágico, mas o que você pode fazer? Há uma história de cultura masculina.

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